
Balneário de Guriri, São Mateus, Espírito Santo, Brasil. Crédito: Ilha de Guriri – São Mateus, Espírito Santo. (Ajuste digital: Assustadores & Misteriosos.)
“Personalidade Narcisista Perversa” — José Darcy Arruda, então delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo.
📍Balneário de Guriri, São Mateus | ES | Brasil🗓️ De Agosto à Novembro de 2025.✔️Caso em Investigação. Estupro e violência contra a dignidade humana.
A Ilha de Guriri
Se você conhece o estado do Espírito Santo, certamente já ouviu falar de Guriri. Esse lugar é praticamente o coração do litoral norte capixaba! Guriri é aquele típico lugar pacato, onde as crianças crescem indo para a praia e fazem amizades para toda a vida. Na verdade, Guriri é um bairro e uma ilha fantástica que pertence ao município de São Mateus — uma das cidades mais antigas do Brasil, cheia de história, com aquele centro portuário antigo do Porto de São Mateus e um povo super acolhedor. Sabe quando você está num ponto de ônibus e naturalmente começa a conversar com uma pessoa que nunca viu, e batem papo até o ônibus chegar? É assim. Mas voltando para Guriri: a ilha começou a se desenvolver por volta dos anos 1960 e 1970, quando a região começou a ser povoada de verdade e a ponte de acesso foi construída. De lá para cá, o lugar cresceu muito! Hoje, Guriri tem uma população fixa de cerca de 35 a 40 mil habitantes, mas esse número é só um detalhe perto do que acontece quando chega o verão.
O Verão no paraíso


Guriri, São Mateus -ES. Crédito: Portal Guriri.(Ajustes digitais: Assustadores & Misteriosos)
No auge da alta temporada e, principalmente, no Carnaval — que é absurdamente famoso n o Espírito Santo —, Guriri se transforma completamente! A ilha recebe centenas de milhares de turistas: as ruas lotam, os trios elétricos tomam conta da orla, as pousadas ficam cheias e o clima é de festa o tempo todo. O balneário é belíssimo, cheio de natureza, com quilômetros de praias de águas quentes, dunas incríveis, a igrejinha da pracinha central que todo mundo visita e uma biodiversidade linda, com áreas de restinga e locais de desova de tartarugas marinhas. E foi exatamente nesse cenário paradisíaco que uma história chocante começou a se desenrolar. Vem comigo que eu vou te contar tudo!
Carnaval em Guriri, São Mateus ES. Crédito: Prefeitura municipal de São Mateus
Pânico na praia
Quando o Predador Está observando
Acontece que, de repente, Guriri passou a viver um verdadeiro pesadelo. O clima de festa e a rotina simples deram lugar a uma onda repentina de pânico. Um rumor macabro foi se confirmando a cada dia: havia um Estuprador em Série agindo bem ali, na praia. Aquele paraíso acabou virando território de caça de alguém que agia nas sombras, transformando-se no pior pesadelo dos moradores e turistas. Alguém que não devia estar ali, vivia livre no meio da comunidade, destruindo vidas: um homem perverso, totalmente desprovido de respeito e remorso. Ele espalhava puro horror, misturando estupro violento, humilhação, chantagem e ameaças. Mais tarde, todos saberiam quem era esse predador.


Posto 6 e 8 em Guriri/São Mateus ES. Crédito: Raphael Verly. (Ajustes digitais: Assustadores & Misteriosos)
Os alvos eram casais jovens, em trechos escuros da orla — como os Postos 6, 8 e outros —, geralmente por volta das 23h ou de madrugada. A dinâmica dos ataques seguia um roteiro cruel e minucioso. Ele surgia do escuro, observando e se esgueirando pela noite, sempre escolhendo locais isolados na praia ou na restinga. Usava uma lanterna forte apontada para os rostos das vítimas para cegá-las e desorientá-las; armado com faca ou simulacro de arma de fogo, rendia o casal sem dar chance de reação. Sob ameaça constante de morte, ele forçava os dois a irem para trechos ainda mais desertos e escuros. Ao chegar ao local escolhido, ordenava que a própria mulher amarrasse o namorado — garantindo assim que ele ficasse totalmente imobilizado e incapaz de intervir.
O que se seguia era estupro e humilhação sádica:
Com o companheiro preso ao chão, ele abusava da mulher, obrigando-o a assistir a tudo. Em alguns casos, a perversidade ia ainda mais longe: mandava o rapaz se deitar de bruços na areia e a namorada se deitar sobre suas costas, praticando o ato nessa posição para aprofundar o sofrimento psicológico de ambos.
Mas a mente doentia desse homem não parava por aí. Ele filmava todos os atos com o próprio celular, chegando a obrigar as vítimas a olhar para a câmera e informar dados pessoais: nome completo, endereço exato e local de trabalho. Antes de fugir, ele as ameaçava: se o denunciassem, vazaria todas as filmagens na internet, junto com essas informações, expondo elas e suas famílias. Aos poucos, as denúncias começaram a chegar à delegacia. Os relatos, as descrições e os detalhes idênticos de como os crimes aconteciam levaram os investigadores a uma conclusão: não se tratava de casos isolados. Havia um único autor por trás de tudo. Guriri estava sob o ataque de um Estuprador em Série!
Quem é o indivíduo por trás dos crimes?

Reginaldo Fernandes (investigado). Crédito: Rede Notícia ES. (Ajustes digitais: Assustadores & Misteriosos)
Conforme os boletins de ocorrência se acumulavam na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de São Mateus, a investigação começou a dar forma ao perfil do homem que aterrorizava a orla. O nome por trás de todo esse ciclo de medo é Reginaldo Fernandes, que tinha 49 anos no momento da prisão, em 23 de janeiro de 2026. Natural de Boa Esperança, no Espírito Santo, ele usava a mobilidade entre cidades vizinhas para se esconder: mantinha endereço no bairro Bosque da Praia, em Guriri, e residia e trabalhava em uma oficina mecânica no bairro Rúbia, em Nova Venécia. Por mais de 30 anos, transitou por municípios do Norte capixaba, mudando de rotina e paradeiro sempre que a poeira baixava para fugir do radar da polícia.
Ele sabia usar a seu favor a escuridão da praia: por ser área de preservação de tartarugas marinhas, o trecho da orla tem iluminação reduzida — o ambiente perfeito para ele se esconder e agir. Todas as denúncias traziam a mesma dinâmica: abordagens por volta das 23h, a lanterna que cegava as vítimas, a faca ou simulacro de arma de fogo, e a ameaça de vazamento dos vídeos com seus dados pessoais.
Os ataques se intensificaram dramaticamente quando dois casos foram registrados na mesma madrugada, um deles vitimando uma mulher de 30 anos. Na fuga desesperada pelo Posto 8, ele deixou para trás roupas, celular, uma bicicleta, boné, bainha de faca e uma mochila na vegetação. A população entrou em alerta máximo: casais e grupos de jovens pararam completamente de frequentar a praia após o pôr do sol, e o aviso “não fiquem na areia no escuro” se espalhou rapidamente. A Polícia Militar precisou intensificar o patrulhamento com equipes da Força Tática em toda a região.
Condução das Investigações

Dra. Patrícia Ferreira de Souza. Crédito: Rede Notícia ES. (Ajustes digitais: Assustadores & Misteriosos)
À frente dessa atuação firme estava a delegada Dra. Patrícia Ferreira de Souza, titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de São Mateus. Ela assumiu o comando da investigação desde o início, com a missão de conectar todos os pontos, acolher os relatos das vítimas e garantir a prova de cada crime. A Dra. Patrícia destacou abertamente como o método do criminoso era planejado para paralisar completamente quem ele abordava:
“Ele agia em trechos escuros da orla de Guriri, aproveitando a baixa iluminação da área de preservação. Usava uma lanterna forte para desorientar e cegar as vítimas logo no primeiro contato, tirando qualquer chance de reação. Ele rendia o casal com uma faca ou simulacro e forçava a própria mulher a amarrar o parceiro. Era um processo de violência física e psicológica extrema.”
Quase todo criminoso acaba cometendo um erro — e esse predador não foi diferente. Em uma das tentativas de ataque, o casal reagiu e a abordagem deu errado. Surpreendido e em desespero, ele precisou fugir às pressas, praticamente nu, no meio da noite. Na pressa de escapar, deixou para trás um rastro fundamental de provas: suas roupas, um par de luvas e, o mais importante, o seu próprio celular. Quando a equipe da DEAM de São Mateus teve acesso ao aparelho, a revelação foi chocante: estava tudo ali, filmado! A polícia agiu de forma rápida, técnica e minuciosa para retirar esse homem de circulação. Os investigadores encontraram exatamente o que as vítimas descreviam: vídeos gravados pelo próprio agressor durante os abusos, com as imagens dos crimes e as declarações coagidas com os dados e endereços das vítimas. A materialidade de todos os crimes estava comprovada, diretamente naquela prova. A Dra. Patrícia explicou o peso daquelas imagens e revelou o quanto era perversa essa forma de coação:
“O investigado gravava os abusos e obrigava as vítimas a declararem seus dados pessoais, como nome completo, endereço e local de trabalho, diante da câmera. Ele usava essas filmagens como ferramenta de coação, ameaçando divulgar tudo na internet caso elas o denunciassem.”
Com o material periciado, a Polícia Civil do Espírito Santo deu início a uma ação conjunta com a Divisão de Inteligência da Polícia Penal (DIPP). Cruzando todas as provas e informações — e confrontando com o histórico de quatro condenações por estupro desde 1994 —, os agentes identificaram formalmente Reginaldo Fernandes e mapearam o seu paradeiro. A estratégia dele de se esconder entre diferentes municípios finalmente falhou. Na última sexta-feira de janeiro de 2026, em uma operação conjunta entre a (DEAM) de São Mateus e a Delegacia Regional de Nova Venécia (ES), as equipes cercaram a oficina mecânica no bairro Rúbia, em Nova Venécia — local onde ele trabalhava e morava. Sem chance de reação, Reginaldo foi preso em cumprimento a mandado de prisão preventiva. Com ele foram apreendidos alguns itens:
Itens apreendidos. Crédito: Rede Notícia. (Ajustes digitais: Assustadores & Misteriosos)


Reginaldo Fernandes. Crédito: Rede Notícia ES . (Ajustes digitais: Assustadores & Misteriosos)
Mais de 30 anos de perversidade:
E ele estava livre
A captura foi possível após a decretação da prisão temporária de 30 dias pelo juiz André Bijos Dadalto, da 1ª Vara Criminal de São Mateus, que também autorizou a quebra de sigilo dos aparelhos apreendidos. Até o momento desta publicação, são 7 vítimas confirmadas pela Polícia Civil: Reginaldo responde formalmente por 5 inquéritos de estupro já instaurados e segue sendo investigado por mais 2 ataques ou tentativas. Importante lembrar que esses números se referem apenas aos casos oficialmente registrados — sabemos que muitas pessoas não denunciam por medo ou vergonha. Além disso, ele praticou diversos crimes também em Minas Gerais, onde foi condenado 4 vezes e estava em liberdade sem ter cumprido nem um terço das penas impostas. Durante a coletiva de imprensa, o então, delegado-geral José Darcy Arruda destacou que a captura pôs fim a um ciclo de terror que durou mais de três décadas.
Penitenciária Regional de São Mateus ES. Crédito: Divulgação/Sejus-ES



Após a captura e o interrogatório, ele foi encaminhado ao Centro de Triagem e Penitenciária Regional do Norte, em São Mateus, sob gestão da SEJUS-ES, onde aguarda a análise dos inquéritos pelo Ministério Público. Os detalhes específicos dos crimes registrados desde 1994 — como cidades e nomes das vítimas — correm sob Segredo de Justiça, para preservar a privacidade e a segurança das pessoas envolvidas. O histórico dele revela um ciclo perigoso: ele sempre retornava às ruas por progressão de regime, supostamente por “bom comportamento”, e logo voltava a delinquir. Por mais de trinta anos, ele destruiu vidas de mulheres em Minas Gerais e no Espírito Santo.
Hoje, ele segue preso. A polícia cumpriu sua parte; agora, aguardamos pela condenação exemplar.
√ Havendo atualização, deixarei em destaque. Abraços e muito obrigada por estar por aqui em mais um caso. A&M
Fontes Consultadas
•Polícia Civil do Estado do Espírito Santo (PCES) — DEAM de São Mateus• G1 Espírito Santo / TV Gazeta• Folha Vitória / Record TV ES / Sejus-ES / Rede Notícia ES.

Você precisa fazer login para comentar.