Imagem restaurada digitalmente. Crédito: Prime Vídeo.


📍Dewsbury, Inglaterra. 🗓️19 de Fevereiro de 2008. ✔️Caso solucionado.

24 dias sem Shannon

Shannon Matthews.

Em Dewsbury, na Inglaterra, aconteceu uma das maiores buscas por uma criança desaparecida! E o país todo parou para ajudar. Foi uma das maiores buscas que a Inglaterra já viu:

– mais de 250 policiais -60 detetives- milhares de casas revistadas-Mais de 1.500 motoristas foram parados e interrogados -Foi gasto mais de 3 milhões e 200 mil libras com as buscas -O jornal The Sun chegou a oferecer 50 mil libras de recompensa e muito mais.

Tudo começou com uma menina doce, de 9 anos, chamada Shannon Matthews. Ela morava com os 5 irmãos, com a mãe e o padrasto. Ela estudava na escola Westmoor Junior, estava na 4ª série, adorava aulas de natação, brincar com os amigos, era uma criança tranquila, como tantas outras.

Karen Matthews e o companheiro Craig. Imagem: The Guardian.


Shannon morava com a mãe, Karen Matthews, que na época tinha 33 anos, e com o companheiro dela, Craig Meehan, que todos chamavam de padrasto — ele não era pai dela, vivia com Karen há um tempo. Shannon tinha vários irmãos, cada um de um relacionamento diferente da mãe, e a família sempre foi conhecida por ter muita dificuldade de dinheiro e problemas variados.

O pai de Shannon ė um homem chamado Leonard Rose. Mas não morava com ela nem com a mãe, Karen- Separou-se de Karen quando Shannon ainda era muito pequena, e eles não mantinham contato frequente. Ele tinha outros filhos e levava uma vida afastada da família dela.- Trabalhava, levava uma vida simples, sem antecedentes criminais ligados a violência ou algo grave. Se ele era presente na vida da filhaNão, quase nada. Ele não morava com ela, não participava da criação, raramente a via e não pagava pensão regularmente. Para todos os efeitos, Shannon cresceu sem a presença ou a figura do pai por perto. A relação era praticamente inexistente. Até que chegou o dia 19 de fevereiro de 2008 Shannon saiu da escola, como sempre, depois da aula de natação. Foi vista andando pela rua, caminho de casa… e simplesmente não chegou. Ela foi vista pela última vez saindo do Dewsbury Sports Centre após uma excursão escolar para a piscina.

Shannon. Escola Dewsbury Sports Centre. Imagens: The Telegraph.


Às 18h48, Karen ligou desesperada para a polícia, gritando, chorando, dizendo que a filha tinha desaparecido, que devia ter sido levada por alguém, que estavam todos desesperados e . disse que Shannon não chegou em casa… Quem atendeu foi uma atendente de emergência, da central da polícia de West Yorkshire, e a conversa ficou gravada.

A Ligação

Karen falava alto, chorava, gritava:

“Minha filha desapareceu! Ela saiu da escola, da aula de natação, devia ter chegado há horas e não apareceu! Alguém levou ela, tenho certeza! Me ajudem, por favor!”.

Ela dizia que Shannon tinha 9 anos, que usava calça jeans, jaqueta azul, mochila vermelha… dava todos os detalhes…

Uma mãe desesperada

A atendente tentou acalmá-la, perguntou se ela tinha procurado na rua, com os vizinhos, se podia ter ido para a casa de alguma amiga… e Karen respondia tudo muito rápido, dizendo que já tinha olhado tudo, que ninguém tinha visto, que algo ruim tinha acontecido, que ela sabia disso. Mal tinha acabado de desligar o telefone e a polícia já entrou em ação, como manda o protocolo para criança desaparecida. Em menos de 10 minutos, já tinham viaturas na porta da casa dela, na Moorside Road. Dois policiais foram os primeiros a chegar: conversaram com Karen, com o Craig (o companheiro dela), com os irmãos de Shannon, e já começaram a anotar tudo, fazer perguntas, tentar entender o caminho que Shannon fazia todos os dias: saía da escola, passava por ruas movimentadas, atravessava avenidas, um trajeto de uns 15 minutos a pé. Logo na manhã seguinte, a coisa ficou gigante, gente!

A polícia de West Yorkshire declarou alerta geral

Imagem: TheGuardian.

A policia de West Yorkshire declarou alerta geral: chamaram mais de 250 policiais e quase 60 detetives só para esse caso. Foi uma das maiores operações que já se viu na região, comparada a buscas por pessoas perdidas em florestas ou crimes graves. Eles dividiram tudo em setores: um grupo vasculhou cada metro das ruas por onde ela passava, olharam em becos, terrenos baldios, caçambas, parques, dentro de lixeiras, debaixo de pontes, TUDO mesmo. Outro grupo bateu de porta em porta: verificaram mais de 2 mil casas só nas redondezas, perguntaram a todo mundo se tinha visto algo, se tinha visto uma menina sozinha, se tinha visto carro estranho, pessoas desconhecidas… ninguém ficou de fora.Os Vizinhos, a cidade, o país.

Os vizinhos, a cidade e o país

Imagem: Daily Mail

Assim que a notícia espalhou, todo mundo saiu de casa: mães, pais, adolescentes, idosos, até crianças maiores, todos com coletes amarelos, cartazes na mão, procurando, chamando o nome de Shannon, andando de carro, de bicicleta, a pé, por todos os lados. Muitos levavam lanche e água para os policiais, faziam café, ajudavam como podiam. A repercussão foi nacional, gente! Em dois dias, o nome Shannon Matthews estava em todo lugar. Os jornais de Londres, de todo o Reino Unido, estamparam o rosto dela na capa:

“Onde está Shannon?”

“Menina de 9 anos desaparece”

,todo mundo falava disso. Chegaram a comparar o caso com o da Madeleine McCann, que tinha sumido um ano antes — era como se o país todo estivesse segurando a respiração, preocupado, com medo. O jornal The Sun chegou a oferecer logo de cara 20 mil libras de recompensa, e depois aumentou para 50 mil, quem desse qualquer informação que levasse até ela. Durante esses 24 dias de busca, a polícia não parou um minuto. Fizeram buscas com cães farejadores, helicópteros com câmeras, mergulhadores nos rios e córregos da região, revistaram escolas, igrejas, comércios, tudo mesmo.

💰

Gastaram, no total, mais de 3 milhões e 200 mil libras(£3,2 milhões) com toda essa operação — um valor absurdo, e tudo pago com dinheiro público. Vamos converter? R$ 22 milhões!🇧🇷

O Pai… Ajudou?

Sim, mas tardiamente e de forma limitada – Quando ela desapareceu, ele foi avisado e apareceu para ajudar, deu entrevistas pedindo ajuda e dizendo que queria a filha de volta. Participou de algumas buscas, deu depoimentos à polícia e ficou muito abalado, disse que não fazia ideia do que poderia ter acontecido.

Duas amigas & vizinhas

Julie e Natalie. Imagem: ITVX

Houveram vigílias

Karen tinha duas amigas e vizinhas… Julie e Natalie. As duas mergulharam de cabeça nas buscas por Shannon Matthews quando a menina desapareceu em fevereiro de 2008, na Inglaterra. Elas ajudavam a espalhar cartazes, participavam das vigílias, organizavam grupos de busca e davam apoio à Karen, acreditando estar diante de uma mãe desesperada. Julie Bushby era tão próxima de Karen que acabou se tornando uma das pessoas mais conhecidas da campanha para encontrar Shannon. Ela aparecia em entrevistas, ajudava voluntários e fazia de tudo para manter o caso vivo na mídia. Natalie Brown também estava ao lado da família desde o começo. Mas conforme os dias passavam, algumas coisas começaram a parecer estranhas. Natalie contou depois que começou a desconfiar logo após uma das primeiras entrevistas de Karen para a televisão. Segundo ela, a polícia normalmente orienta famílias de crianças desaparecidas a terem muito cuidado com exposição pública no início das investigações. Mesmo assim, Karen parecia confortável demais diante das câmeras. Natalie achou aquilo estranho.Ela adorava tirar fotos, aparecer em tele-jornais, tirar fotos. Essa ė uma delas…bizarro, né. Aquilo mexeu muito com as pessoas próximas. Julie demorou mais para acreditar que pudesse existir algo errado. Ela defendia Karen com unhas e dentes e realmente acreditava que a amiga estava sofrendo. Mas, com o passar do tempo, as contradições começaram a ficar difíceis de ignorar. Todo mundo achava que era uma tragédia, que uma menina inocente tinha sido levada por alguém mau… ninguém imaginava a verdade. A vizinha Natalie Brown, foi uma das que mais ajudou: saía todo dia cedo, voltava só à noite, sempre ao lado de Karen, dando apoio, até que começou a perceber que algo não batia. E Julie, demorou muito para acreditar na verdade!

A Constatação DO BIZARRO E A DESCOBERTA

E o que mais chamou a atenção — e que depois fez toda a diferença — foi o comportamento da Karen durante todo esse tempo: enquanto os policiais se matavam de trabalhar, os vizinhos choravam e se desesperaram, o país inteiro orava por ela… Karen fazia aparições na TV, chorava muito, pedia para a filha voltar, dizia que estava morrendo de saudade. Natalie, vizinha e amiga de Karen, era também, mãe de uma amiga da Shannon, morava bem perto e convivia com ela todos os dias. Desde o início, percebeu algo muito estranho: enquanto todo mundo estava desesperado, procurando e chorando…

Karen Matthews. Imagem: The Yorkshire Post.


Karen agia como se nada estivesse acontecendo. Arrumava a casa, brincava, ria, jogava videogame com Craig e dizia:

“Ah, não se preocupem, ela é famosa agora, está na TV… ela vai voltar, tenho certeza”.

Ninguém mais tinha essa certeza. Só ela. Natalie contou depois aos jornais:

“Meu instinto gritava que tinha algo errado. Ela não parecia uma mãe que perdeu a filha. Parecia alguém que sabia exatamente onde ela estava”.

Ela avisou a polícia, mas no início ninguém acreditou. E quando as câmeras desligavam, ela ria, conversava sobre coisas banais, ia ao mercado, vivia normalmente. Era tudo encenação, gente! Tudo planejado, tudo mentira, desde o primeiro toque do telefone. Até que, dia 14 de março, encontraram Shannon… e aí todo o esforço, toda a comoção, todo esse dinheiro gasto, todo esse choro… virou revolta.

(não gente, não ė IA)
Karen, muito bizarra
Ela adorava tirar fotos, aparecer em jornais.

MONEY, MONEY, MONEY!

Porque nesse caso, não tinha nenhum sequestrador misterioso, nenhum perigo de fora. O perigo, o mal, estava bem dentro da própria casa, na própria família. Até hoje, ela ė odiada por todos o país! Quando a polícia encontrou Shannon escondida viva dentro do apartamento de Michael Donovan — tio do companheiro de Karen — a verdade veio à tona e destruiu completamente a comunidade. Depois, Julie disse que todos tinham sido enganados. As buscas gigantescas, as lágrimas na televisão, os apelos emocionados… tudo fazia parte de uma farsa enquanto Shannon permanecia escondida a dois quilômetros de casa.

Cativeiro que ela submeteu a própria filha
Panfletos e cartazes são jogados fora

Motivo & Prisões

A polícia começou a desconfiar porque várias coisas no comportamento da Karen simplesmente não batiam. Enquanto todo mundo estava destruído emocionalmente, ela parecia calma demais em vários momentos. Além disso, ela fazia comentários estranhos, como dizer que Shannon estava

num lugar quente e confortável”

, era algo muito específico para alguém que supostamente não fazia ideia de onde a filha estava. Outro ponto importante: as versões dela mudavam o tempo todo. Durante os interrogatórios, Karen deu várias histórias contraditórias, tentando culpar outras pessoas da família e mudando detalhes constantemente. Isso chamou muita atenção dos investigadores. A polícia chegou ao cúmplice, Michael Donovan, depois de receber informações e denúncias sobre movimentos estranhos perto do apartamento dele. Vizinhos relataram barulhos suspeitos vindo do local. Então os policiais decidiram entrar à força no apartamento. Quando arrombaram a porta, encontraram Shannon escondida dentro da base de uma cama. Fechada, escondida, apertada. Quando os policiais chegaram e perguntaram

“quem está aí?”

, ela respondeu baixinho, quase sem voz:

“sou eu… Shannon”.

O que descobriram depois foi de arrepiar.

E foi nesse momento que tudo desmoronou.

Michael Donovan. Imagem: Shutterstock.

Assim que Donovan foi preso, ele entrou em pânico e começou a gritar algo como:

“Tragam a Karen pra cá! Nós tínhamos um plano! Íamos dividir o dinheiro!”.

Isso praticamente entregou toda a farsa na hora. Donovan manteve Shannon, aterrorizada , em cativeiro em sua casa sombria por 24 dias, enquanto ele e a mãe dela, Karen Matthews, planejavam seu “desaparecimento” para tentar reivindicar uma recompensa de £ 50.000 por seu retorno em segurança. Depois disso, Karen foi levada para interrogatório e acabou presa. Pelo que foi divulgado, ela inicialmente tentou negar, depois mudou a versão várias vezes. O que ficou mais forte em todo mundo, foi mais o choque quando descobriram que ela era a organizadora de todo o plano. Tem também documentários com imagens reais da investigação e dos interrogatórios dela e do Donovan. O caso chocou muito o Reino Unido porque, durante semanas, o país inteiro acreditou que Shannon era vítima de um sequestrador desconhecido… e no final descobriram que a própria mãe tinha planejado tudo por dinheiro. Eles mantiveram Shannon presa, longe de todo mundo, deram remédios fortes — calmantes, remédios para enjoo — para ela ficar sonolenta, quieta, desorientada. Quando Donovan saía de casa, às vezes até amarrava ela com uma espécie de elástico pendurado no teto para não sair. Era um cativeiro, feito pela própria mãe, só por dinheiro.

E o pai sabia da coisa toda?

Ele não sabia de nada do plano da mãe (que tinha armado o sequestro para ganhar recompensa). Quando descobriu, ficou revoltado e disse que não via a filha há meses. Ele era ausente, mas não criminoso.

E o Craig, O padrasto?

Ele não participou do plano, mas durante a busca, a polícia foi na casa deles, revistou tudo… e descobriu imagens terríveis, ilegais, no computador dele: abuso infantil. Eram muitas fotos e vídeos envolvendo violação de crianças. Ele acabou preso também, entrou para a lista de criminosos sexuais, e provou que naquela casa não havia nada de bom . A infeliz ainda colocou um pedófilo dentro de casa cheia de crianças! – Sim, ela sabia quem ele era e o que gostava. Lembrando: Ela tinha SEIS crianças em casa!

Regras“Rules”

Imagem: Mirror

As Regras que Shannon tinha que obedecer:

“Você não deve fazer nenhum barulho ou bater os pés | Você não deve chegar perto das janelas | Você não deve pegar nada nem fazer nada sem eu estar aqui | Mantenha o volume da TV baixo, no volume 8 ou menos | Você pode jogar os jogos do Super Mario, assistir alguns DVDs e ouvir CDs de música.

”No final está escrito: I.P.U. Essa sigla provavelmente significa algo como “I Promise You” (“Eu prometo a você”) ou alguma abreviação usada por ele. Não parece totalmente claro. É bem perturbador pensar que isso foi entregue para uma criança de 9 anos, sequestrada.

O pré-julgamento e o julgamento

Karen e Donovan . A dupla desse crime bizarro. Imagem: BBC News.


Resumo até aqui.

Quando Shannon Matthews desapareceu, em 19 de fevereiro de 2008, ninguém imaginava que a investigação terminaria dentro de um apartamento a menos de dois quilômetros da casa onde a menina vivia — e muito menos que, no centro de toda aquela história, estaria a própria mãe.Shannon tinha 9 anos quando desapareceu, depois de voltar de uma atividade de natação da escola, em Dewsbury Moor, West Yorkshire. Durante 24 dias, uma enorme operação policial procurou pela menina. Mais de 200 policiais participaram das buscas, e o custo da operação ultrapassou £ 3,2 milhões.A história começou a desmoronar em 14 de março de 2008, quando policiais encontraram Shannon viva dentro do apartamento de Michael Donovan, em Lidgate Gardens, Batley Carr. Ela estava escondida na base de uma cama tipo divã. Donovan, então com 39 anos, foi preso no próprio local.

Quando Shannon Matthews desapareceu, em 19 de fevereiro de 2008, ninguém imaginava que a investigação terminaria dentro de um apartamento a menos de dois quilômetros da casa onde a menina vivia — e muito menos que, no centro de toda aquela história, estaria a própria mãe.Shannon tinha 9 anos quando desapareceu, depois de voltar de uma atividade de natação da escola, em Dewsbury Moor, West Yorkshire. Durante 24 dias, uma enorme operação policial procurou pela menina. Mais de 200 policiais participaram das buscas, e o custo da operação ultrapassou £ 3,2 milhões.A história começou a desmoronar em 14 de março de 2008, quando policiais encontraram Shannon viva dentro do apartamento de Michael Donovan, em Lidgate Gardens, Batley Carr. Ela estava escondida na base de uma cama tipo divã. Donovan, então com 39 anos, foi preso no próprio local.

As mentes por trás do plano e também executores

Michael Donovan

Donovan era tio de Craig Meehan, então companheiro de Karen Matthews e padrasto de Shannon. Ele foi formalmente acusado em 17 de março de 2008 de sequestro, cárcere privado e atos destinados a perverter o curso da justiça. No dia seguinte, 18 de março, compareceu ao Tribunal de Magistrados de Dewsbury e foi mantido sob custódia, sem concessão de fiança. Em 26 de março, Donovan apareceu perante o Tribunal da Coroa de Leeds por videoconferência, diretamente de sua cela na prisão de Armley, em Leeds. O juiz Peter Collier QC, determinou que ele permanecesse preso. O julgamento foi inicialmente marcado para novembro. Enquanto aguardava o julgamento, Donovan tentou suicídio em 6 de abril de 2008, cortando os próprios pulsos quando estava sob custódia.

Karen Matthews

Depois que Shannon foi encontrada, a polícia passou a investigar seriamente a participação da mãe. Karen, que tinha 32 anos na época de sua prisão, foi presa na noite de 6 de abril de 2008, em Dewsbury, inicialmente sob suspeita de perverter o curso da justiça. Em 8 de abril, ela foi formalmente acusada de perverter o curso da justiça e negligência infantil. No dia seguinte, 9 de abril, compareceu ao Tribunal de Magistrados de Dewsbury e foi colocada sob custódia, sem pedido de fiança. Karen foi mantida inicialmente na prisão feminina de New Hall, perto de Wakefield, enquanto aguardava o processo. Em abril, já havia sido determinado que ela enfrentaria julgamento ao lado de Donovan. Mais tarde, as acusações que chegaram ao julgamento foram sequestro, cárcere privado e perverter o curso da justiça, as mesmas pelas quais ela e Donovan acabariam condenados.

Craig Meehan?

Craig Meehan, padrasto de Shannon. Imagem: TheGuardian.


O então companheiro de Karen, Craig Meehan, não foi acusado pelo sequestro de Shannon. Durante a investigação, porém, a polícia apreendeu computadores da residência de Karen e Craig. Em 2 de abril de 2008, Meehan foi preso por suspeita de possuir imagens indecentes de crianças. No dia seguinte, foi colocado sob custódia e acabou acusado de 11 crimes relacionados à posse de imagens de abuso infantil. Ele negou as acusações. Em setembro de 2008, foi condenado por 11 crimes relacionados à posse de aproximadamente 140 imagens abomináveis. Esse processo era separado do julgamento pelo sequestro de Shannon. Duas outras pessoas da família de Meehan, Amanda Hyett, então com 25 anos, e Alice Meehan, de 49, também foram presas durante a investigação por suspeita de participação na tentativa de perverter o curso da justiça, mas posteriormente foram liberadas sob fiança policial e não foram julgadas pelo sequestro.

O julgamento começa

Karen e Donovan foram julgados no Tribunal da Coroa de Leeds. Imagem: Wikipédia.


O julgamento de Karen Matthews e Michael Donovan começou em 11 de novembro de 2008, no Leeds Crown Court, perante um júri formado por sete mulheres e cinco homens. A acusação ficou a cargo do Julian Goose QC, que apresentou ao júri a tese de que o desaparecimento de Shannon não tinha sido um sequestro cometido por um estranho. Segundo a acusação, tratava-se de um plano elaborado pela própria mãe e por Donovan para fazer parecer que Shannon havia sido sequestrada, provocar uma enorme comoção pública e, posteriormente, permitir que Donovan “encontrasse” a menina e recebesse a recompensa oferecida por informações que levassem ao seu retorno.

O objetivo era conseguir £ 50.000.

A ideia, segundo a acusação, era que Donovan libertasse Shannon nas proximidades do Dewsbury Market, desse a impressão de tê-la encontrado por acaso e então a levasse até uma delegacia. O dinheiro da recompensa seria dividido entre ele e Karen. O plano, porém, não chegou nem perto de terminar como os dois haviam imaginado. Shannon permaneceu escondida durante 24 dias no apartamento de Donovan.

Uma criança dopada e mantida presa

Imagem: TheGuardian
Um dos pontos mais graves apresentados durante o julgamento foi a maneira como Shannon teria sido mantida sob controle. O tribunal ouviu que a menina havia recebido temazepam, um poderoso medicamento sedativo, além de melcozine, medicamento contra enjoo que também pode causar sonolência.

O toxicologista forense Dr. Craig Chatterton examinou amostras do cabelo de Shannon e explicou ao júri que havia encontrado vestígios de temazepam em diferentes segmentos do cabelo. A distribuição dos vestígios indicava que a substância havia sido ingerida repetidamente durante um período que remontava a aproximadamente 20 meses antes do desaparecimento. No organismo da menina também foram encontrados vestígios recentes das substâncias, indicando ingestão nas horas ou dias anteriores à coleta. Segundo as evidências apresentadas, o objetivo dos medicamentos era deixá-la sonolenta e facilitar sua contenção.

Uma tira elástica que dava um nó em uma viga do sótão do apartamento de Donovan havia sido amarrada na cintura de Shannon para restringir seus movimentos.POLÍCIA DE WEST YORKSHIRE.


Shannon também teria sido mantida presa com uma espécie de correia ou guia elástica, presa a uma viga do teto. No apartamento, a polícia encontrou ainda aquilo que foi descrito no julgamento como um conjunto de “regras de sequestro”, aparentemente destinado a manter a menina em silêncio. Shannon acabou sendo encontrada escondida na base de uma cama.

A base de uma cama, lugar onde Shannon ficava confinada, foi apresentada como prova pela acusação no julgamento. Imagem: SkyNews.


A polícia começa a desmontar a história

Durante o julgamento, o júri ouviu depoimentos de policiais que haviam participado da investigação. Em 13 de novembro, prestaram depoimento o detetive Mark Cruddace e o detetive-superintendente Andy Brennan, responsável pela investigação.

Cruddace contou algo que chamou a atenção dos jurados: quando a polícia informou Karen de que Shannon havia sido encontrada, ela não perguntou imediatamente onde a filha estava ou como estava sua saúde. Segundo o policial, durante o trajeto até a delegacia, Karen chegou a comentar sobre o toque do celular de um policial, dizendo que gostava da música.

A acusação também explorou o contraste entre a imagem que Karen apresentava publicamente e seu comportamento longe das câmeras. Dr. Julian Goose QC, Promotor(acusação), apresentou ao júri gravações das aparições televisivas de Karen, nas quais ela fazia apelos emocionados pelo retorno da filha. A acusação comparou essas imagens com depoimentos de vizinhos e policiais, que descreveram um comportamento muito menos desesperado fora do alcance das câmeras.

QC

O QC significa Queen’s Counsel — uma designação britânica dada a advogados muito experientes e especializados em casos importantes. Hoje, depois da mudança do título, a designação é KC King’s Counsel.

O depoimento de Michael Donovan

Donovan apresentou sua própria versão dos acontecimentos. Ele afirmou que Karen havia pedido que ele cuidasse de Shannon durante alguns dias e que os dois poderiam ganhar dinheiro com as recompensas oferecidas pela imprensa. Donovan também tentou colocar parte da responsabilidade sobre Karen, dizendo que ela o havia ameaçado com violência

Assim, os dois acusados passaram boa parte do julgamento tentando transferir para o outro a responsabilidade principal pelo plano. A própria investigação policial havia identificado esse conflito entre as versões.

O detetive-superintendente Andy Brennan resumiu a situação de maneira bastante direta: os dois apresentavam versões diferentes e, em vez de assumir responsabilidade, tentavam culpar um ao outro.

Karen no banco das testemunhas

Em 27 de novembro de 2008, chegou a vez de Karen Matthews depor. Ela chorou repetidamente durante o interrogatório e negou ter participado do sequestro. Ela afirmou que não havia planejado o desaparecimento da filha e tentou atribuir a responsabilidade a Craig Meehan, dizendo que ele havia mandado que ela “assumisse a culpa”.

Ela alegou que tinha medo dele.

Durante o contra-interrogatório, porém, o promotor Julian Goose QC confrontou Karen com as diferentes versões que ela havia apresentado à polícia. Segundo a acusação, Karen havia contado cinco versões diferentes dos acontecimentos. O promotor a acusou de simplesmente continuar mentindo quando uma versão deixava de ser sustentável. Karen continuou negando envolvimento. Ela afirmou que quase não conhecia Donovan, que jamais havia visitado seu apartamento e que não sabia que Shannon estava escondida ali. O problema para a defesa era que a acusação já havia apresentado ao júri um conjunto de evidências que apontava para uma participação muito mais direta.

O que o júri ouviu sobre Shannon

Shannon. Imagem: Channel4.

Por trás de todas as acusações, havia uma criança.

Durante o julgamento, a acusação revelou que Shannon apresentava pesadelos frequentes e precisava de sessões de psicoterapia depois da experiência. Embora não tivesse sofrido, segundo o juiz, ferimentos físicos durante os 24 dias em que ficou no apartamento de Donovan, os efeitos psicológicos foram considerados graves. Posteriormente, relatórios descreveram Shannon como traumatizada, assustada e profundamente perturbada pelo que havia acontecido.

4 de dezembro de 2008: o veredicto

A primeira página do Daily Mirror após o veredicto de culpada contra Karen Matthews.


Depois de aproximadamente três semanas de julgamento, o júri se retirou para deliberar. Foram necessárias cerca de seis horas para chegar ao veredicto.

Em 4 de dezembro de 2008, Karen Matthews e Michael Donovan foram considerados culpados das três acusações:

  • sequestro de Shannon Matthews;
  • cárcere privado;
  • perversão/obstrução do curso da justiça.

O júri concluiu, portanto, que não havia sido um desaparecimento espontâneo nem uma simples tentativa de Donovan de “ajudar” Karen. Tratava-se de uma conspiração para manter uma criança escondida e posteriormente produzir uma falsa descoberta, com o objetivo de receber dinheiro de recompensa. Ao ouvir o veredicto, o juiz Mr Justice McCombe informou aos dois que enfrentariam uma pena significativa de prisão. Nenhum dos dois pediu liberdade sob fiança, e ambos foram novamente conduzidos sob custódia.

A Sentença

A cobertura jornalística dos Suns sobre as revelações após o veredicto. The Sun.


Em 23 de janeiro de 2009, Karen Matthews e Michael Donovan retornaram ao Leeds Crown Court para receber a sentença. Os dois tinham então 34 anos e 40 anos, respectivamente.

O juiz Mr Justice McCombe condenou ambos a oito anos de prisão.

Na avaliação do juiz, a responsabilidade dos dois era equivalente. Ele classificou os crimes como “truly despicable”, ou seja, verdadeiramente desprezíveis, e afirmou ser impossível compreender como alguém poderia submeter uma criança àquele tipo de sofrimento.

McCombe também afirmou que Shannon havia sido profundamente afetada pela experiência. Ao mesmo tempo, o juiz observou uma questão bastante curiosa surgida nos relatórios pré-sentença: tanto Karen quanto Donovan apresentavam limitações cognitivas e, segundo os relatórios, seria questionável se os dois teriam capacidade para conceber e executar sozinhos uma operação tão elaborada sem algum tipo de ajuda ou colaboração externa.

Ainda assim, o juiz decidiu que não faria distinção entre os dois na pena. Ambos receberam oito anos.

A prisão e a “saidinha” Rápida

Karen foi enviada para a Foston Hall, uma prisão feminina localizada perto de Derby.

Michael Donovan também recebeu oito anos, mas deixou a prisão antes de Karen.

📌Karen cumpriu aproximadamente metade da pena, considerando também o período que já havia passado presa provisoriamente antes do julgamento. Em 5 de abril de 2012, ela foi libertada da Foston Hall, depois de cumprir cerca de quatro anos. A libertação ocorreu sob licença, com condições impostas pelas autoridades.

Entre as condições estavam a proibição de retornar à região de Dewsbury, onde vivia anteriormente, e a proibição de manter contato com Michael Donovan.

Ela também deveria permanecer no Reino Unido, apresentar-se à supervisão da probation e cumprir outras condições durante o restante do período da sentença.

Em dezembro…

Karen Matthews, que já está fora da prisão, teria reclamado que os cortes nos benefícios sociais tornaram sua vida “horrível” .Ela revelou a uma amiga:

“Eles reduziram completamente meu salário. É uma vida horrível.”

“Depois de pagar as despesas do apartamento, gastar 10 libras a cada duas semanas com eletricidade e comprar um pouco de comida, sobra muito pouco para viver. Tive que vender algumas coisas. Nem crédito tenho no celular.”

Michael Donovan

📌Donovan já havia sido libertado quando Karen deixou a prisão.

​A “Revolucionária” Declaração do Donovan

“Há sempre dois lados da história e, se eu pudesse contar o meu lado, as pessoas entenderiam por que eu tive que cuidar da Shannon. Meu advogado disse que a polícia ou o Ministério Público podem retirar as acusações contra mim porque Karen sabia que eu estava cuidando de Shannon.”🙄 Michael Donovan.

Data da morte, de Donovan: 16 de abril de 2024. Causa: Câncer de gargalo (pode ser na faringe)em estágio 3, morreu no hospital aos 54 anos .

Shannon

A parte mais triste dessa história não terminou quando o júri deu seu veredicto. Depois de ser encontrada, Shannon não simplesmente voltou para casa como se aqueles 24 dias nunca tivessem acontecido. Imediatamente após seu resgate, ela ficou sob proteção policial e aos cuidados dos serviços sociais de Kirklees. A polícia utilizou os poderes previstos na legislação britânica para mantê-la sob proteção durante as primeiras 72 horas. A partir de 17 de março de 2008, Shannon permaneceu sob os cuidados dos Kirklees Family Services.

Shannon também passou por um longo processo de entrevistas especialmente adaptadas para crianças. Os interrogatórios eram realizados em sessões curtas, de aproximadamente dez minutos, em uma sala preparada para crianças, porque os investigadores precisavam descobrir o que havia acontecido sem submetê-la a um interrogatório traumático. Mais tarde, Shannon recebeu uma nova identidade e foi colocada em família acolhedora, justamente para protegê-la e permitir que pudesse reconstruir a própria vida longe da enorme exposição provocada pelo caso.

A mãe que deveria protegê-la havia feito exatamente o contrário. E, enquanto Shannon precisava de tratamento psicológico para lidar com pesadelos, medo e trauma, Karen Matthews já havia transformado o desaparecimento da própria filha em uma história pública — com apelos emocionados diante das câmeras — enquanto, segundo a condenação, sabia onde a menina estava.

No fim, a verdade apareceu. Mas para Shannon, a descoberta da verdade não apagou os 24 dias em que esteve dopada, escondida e privada da própria liberdade. E talvez seja justamente isso que torne esse caso tão perturbador: a pessoa que deveria ser o lugar mais seguro daquela criança foi uma das pessoas responsáveis por colocá-la em perigo.

karen Matthews, a pior mãe da Grã-Bretanha…

Karen Matthews e Paul Saunders. Imagens: LBC.


Ela está noiva de um pedófilo condenado.

📌O que dizer dessa mulher?

Karen Matthews, hoje com aproximadamente 44 anos, foi vista recentemente fazendo compras e chamou a atenção por usar um anel de noivado — que, segundo jornais britânicos, é uma réplica idêntica ao modelo usado pela Duquesa de Cambridge. De acordo com o portal MailOnline, seu novo noivo se chama Paul Sanders, um homem com passagem pela justiça como pedófilo condenado. Os dois se conheceram há apenas seis semanas, quando ele foi contratado para fazer reformas no banheiro da casa dela. Paul Sanders tem 56 anos e foi preso ainda em 2010, após assumir de forma explícita que manteve relações sexuais com uma criança. Na época dos fatos, durante os três anos em que durou o abuso contra a vítima, que ainda era adolescente, ele trabalhava como motorista, prestava serviço para pessoas com deficiência e também para idosos.

Essa mulher ė inacreditável

As mudanças de visual de Karen

Ela tem total conhecimento de que ė odiada por todos. Por isso, usa a criatividade que lhe ė Nata, para tentar mudar o visual. Imagens de Karen e algumas delas com o noivo(Imagens de jornais como: Mirror, Daily Mail, Yahoo News UK, Metro, TheSun, Yorkushire Live, e acervo do Getty Images).

Da uma conferida 🙄

“O nunca está morto. Na verdade, ele nem sequer passou.”

— William Faulkner


Alguns registros das buscas.
Algumas imagens relacionadas ao caso.
Fontes Consultadas

🗞️The Guardian🗞️BBC NewsI📺TV NewsSky News.🗞️The Independent.🗞️The Telegraph.🗞️Daily MailDaily 🗞️Mirror🗞️The Sun.🗞️The TimesYorkshire Post.🗞️Manchester Evening🗞️ NewsWest Yorkshire👨‍✈️ Police.The Crown Prosecution Service (CPS)🗃️Wikipedia em inglês, como apoio para cronologia e nomes.

Resumo do caso. Se você quiser, ative a legenda em português.

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