Marcos Antunes Trigueiro

Montagem digitalizada, por Assustadores & Misteriosos. Crédito: O Globo.
Vítimas da perversidade
📍 Contagem | Minas Gerais | Brasil
🗓️ 2009 – 2010
✔️ Caso solucionado
Ele espreitava o cotidiano, atacando em momentos de vulnerabilidade para render, brutalizar, matar e descartar suas vítimas sem qualquer chance de reação. O impacto dessas perdas é imensurável para suas famílias. Falamos de cinco vidas confirmadas, mas o rastro de sombra pode ser ainda maior.
O nome do agressor merece o ostracismo. O delas, jamais. As histórias, os afetos e a memória dessas mulheres precisam ser lembradas.
VÍTIMAS E DINÂMICA DOS CRIMES
Ana Carolina de Assunção

Ana Carolina Menezes Assunção — Crédito: Globo/Minas.
Foto restaurada digitalmente, com aprimoramento de nitidez, sem alteração dos traços faciais.
Ana Carolina, tinha 27 anos quando tudo aconteceu. Ela tinha uma vida inteira pela frente. Conhecida carinhosamente como Carolina ela era o tipo de pessoa que iluminava qualquer ambiente com seu sorriso fácil. Mãe dedicada, esposa e filha amada, construía sua rotina com trabalho duro e amor. No dia 17 de abril de 2009, essa rotina simples e feliz foi destruída. Carolina saiu de casa no seu carro para buscar a mãe na loja da família. No banco de trás, levava seu maior tesouro: o filho, um bebê de apenas 1 ano e 4 meses. Mas o veículo passou direto pelo destino final. Preocupada com o atraso, a mãe ligou para o celular da filha. Ao atender, a voz de Carolina não era a mesma. Trêmula e tomada pelo medo, ela disse apenas que estava tudo bem, pediu para que não fizessem perguntas e desligou.
Ela já estava sob o domínio de Marcos Trigueiro.
Violentada dentro do próprio veículo, Carolina teve a vida roubada por estrangulamento. Carolina foi estrangulada com um cadarço do próprio tênis. Na fuga, o agressor trancou o carro. O alarme disparou e alertou os vizinhos, que acionaram as autoridades. Ao quebrarem o vidro para acessar o interior do automóvel, os policiais se depararam com uma cena devastadora: o bebê de Carolina estava deitado sobre o corpo da mãe, onde permaneceu por horas até a chegada do resgate.
O celular da Carolina havia sumido.
A dor deixada na família é imensurável, e um garotinho teve o colo de sua mãe tirado precocemente. A partir desse registro — que à primeira vista parecia um fato isolado —, começava a se desenhar a sombra de algo ainda maior.
“A gente só quer justiça.” — Jair Vinicius, irmão de Ana Carolina.
Maria Helena Lopes Aguilar

Maria Helena Lopes Aguilar — Crédito: Globo/Minas.
Foto restaurada digitalmente, com aprimoramento de nitidez, sem alteração dos traços faciais.
Na época, Maria Helena, de 48 anos, era uma empresária dedicada e o pilar de sua família. Mãe presente e muito próxima dos dois filhos, dividia seus dias entre a administração de suas lojas de roupas em Contagem e Belo Horizonte e o afeto que dedicava aos seus. Em um dia comum, ao sair do trabalho, sua rotina foi interrompida no bairro Industrial, em Contagem. Rendida por um homem que simulou um assalto, foi forçada a dirigir até o bairro Califórnia, na capital. No local, sofreu violência sexual e foi morta por estrangulamento com o próprio cinto de segurança.
O filho do demo, levou o celular da vítima.
A tragédia ganhou contornos ainda mais dolorosos quando o próprio filho, Leandro, encontrou o corpo da mãe. A dor da perda logo se somou a um fardo injusto: por mais de um ano, o ex-marido de Maria Helena — apontado pela família como um homem apaixonado por ela — permaneceu como o principal suspeito, sofrendo um impacto devastador. Enquanto a família buscava respostas, o paradeiro do celular de Maria Helena indicava que aquele crime não era um fato isolado, mas parte de algo muito maior.
Edna Cordeiro de Oliveira Freitas

Edna Cordeiro de Oliveira Freitas – Crédito: Globo/Minas. Foto restaurada digitalmente, com aprimoramento de nitidez, sem alteração dos traços faciais.
Edna, de 35 anos, era contadora e dividia seu tempo entre o trabalho e os estudos. Em 11 de novembro de 2009, ao entrar em seu carro após o expediente, em Contagem, foi abordada pelo criminoso sob o falso pretexto de um assalto.
O veículo foi localizado no mesmo dia com os pertences de Edna, exceto seu celular.
O corpo de Edna, foi encontrado no dia seguinte, abandonado em uma estrada de terra no Jardim Canadá, em Nova Lima. A perícia confirmou violência sexual e morte por estrangulamento, com sinais da brutalidade sofrida. A perícia confirmou violência sexual e morte por enforcamento com o colar que ela usava. E com sinais da brutalidade sofrida. Enquanto a família aflita ainda procurava por respostas, o assassino já acompanhava de perto o desespero dos parentes. Anos depois, o irmão da vítima, Éder Cordeiro, resumiu essa perversidade
“A gente chorando lá, sem saber ainda o que tinha acontecido com a minha irmã, e ele olhando para a gente, se divertindo com o nosso sofrimento.”
Durante o julgamento, o promotor Francisco Santiago rebateu o cinismo do réu, que alegava esquecimento e arrependimento para tentar voltar às ruas:
“Acho um pouco tarde para isso, pois esse arrependimento não vai fazer com que famílias que perderam mães possam ter a tranquilidade de viver daqui para frente.”
Ádina Feitor Porto

Adna Feitor Porto — Crédito: Globo/Minas.
Foto restaurada digitalmente, com aprimoramento de nitidez, sem alteração dos traços faciais.
Àdna, de 34 anos, era mãe dedicada de dois filhos e construía uma trajetória batalhadora como comerciante em Belo Horizonte. Querida por todos, fazia de sua rotina simples o porto seguro da família. Em janeiro de 2009, ao sair rapidamente para atender um cliente, sua história foi interrompida. Ádina foi abordada em seu carro e levada para longe. Seu veículo foi abandonado, dando início a uma busca angustiante que durou uma semana, até seu corpo ser localizado em uma área de mata em Sarzedo. Ela sofreu violência sexual e foi morta por asfixia. O desespero da busca deu lugar a uma saudade permanente. Além do impacto devastador na vida dos filhos, o crime trouxe um ponto de virada na investigação.
dina Feitor Porto, de 34 anos, era mãe dedicada de dois filhos e construía uma trajetória batalhadora como comerciante em Belo Horizonte. Querida por todos, fazia de sua rotina simples o porto seguro da família. Em janeiro de 2009, ao sair rapidamente para atender um cliente, sua história foi interrompida. Ádina foi abordada em seu carro e levada para longe. Seu veículo foi abandonado, dando início a uma busca angustiante que durou uma semana, até seu corpo ser localizado em uma área de mata em Sarzedo. Ela sofreu violência sexual e foi morta por asfixia. O desespero da busca deu lugar a uma saudade permanente. Além do impacto devastador na vida dos filhos, o crime trouxe um ponto de virada na investigação.
A promotora Manuela Faria revelou que o assassino costumava guardar os celulares das vítimas como “troféus”. No caso de Ádina, porém, ele cometeu o erro de passar a usar o aparelho dela — falha decisiva para a polícia rastrear seus passos e conectar os crimes diretamente a ele.
Natália Cristina Paiva

Natália Cristina Paiva. Crédito: Globo/Minas.
Foto restaurada digitalmente, com aprimoramento de nitidez, sem alteração dos traços faciais.
Com apenas 27 anos, Natália tinha um futuro promissor. Mãe dedicada de dois meninos, estudava Direito na PUC de Betim com o sonho de oferecer uma vida melhor aos filhos. Em outubro de 2009, ao sair de casa para a faculdade, sua trajetória foi brutalmente interrompida. Rendida no caminho, Natália foi levada para um local isolado, violentada e morta.
A dor da perda transformou-se em indignação diante do descaso oficial. Localizado 22 dias após o crime em uma mata em Ribeirão das Neves, o corpo deu entrada no IML. No entanto, falhas graves na perícia catalogaram Natália sob o rótulo de “sexo indeterminado”, levando-a a ser sepultada como indigente. Durante meses, a família ligou diariamente para o instituto sem obter respostas, até conseguir a exumação após reconhecer as roupas da jovem. Em 2010, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, a tia de Natália, Edilene, deu voz ao sofrimento da família e denunciou a negligência das autoridades:
“Para a polícia, 24 horas pode ser pouco, mas para as famílias é muito.”
O trágico caso de Natália expôs as falhas no sistema e tornou-se peça-chave para alertar a população e a polícia sobre a atuação do serial killer na região.
O celular de Natália Cristina de Almeida Paiva também foi levado após o crime.
O aparelho acabou sendo encontrado queimado na casa de Marcos Antunes Trigueiro. Mesmo danificado, porém, seu número de série permaneceu intacto, permitindo que a polícia comprovasse que o telefone pertencia a Natália. A investigação descobriu ainda que o aparelho havia sido utilizado por Trigueiro durante meses após o assassinato. O telefone foi usado pela última vez em 4 de fevereiro de 2010, quando, segundo a reconstrução da investigação, teria sido queimado.Um pequeno aparelho, aparentemente destruído, acabou deixando para trás uma importante pista da investigação.
Rotas da Crueldade: O Lógico e Frio Itinerário do Medo
O comportamento geográfico de Marcos Antunes Trigueiro seguia uma lógica precisa. As abordagens ocorriam em áreas urbanas de Contagem, enquanto a Via Expressa servia como rota de fuga. O bairro Califórnia tornou-se ponto de localização de veículos e vítimas, ao passo que as áreas isoladas de Sarzedo, Nova Lima e Betim eram escolhidas para a ocultação dos corpos.
O padrão era inegável: abordagem urbana, deslocamento forçado, violência em local isolado e descarte. Nada era por acaso.
Por conhecer profundamente as rotas da região metropolitana, Trigueiro já estava no radar dos investigadores. Contagem vivia sob o pavor da sequência de assassinatos, e os indícios convergiam para o motorista. Contudo, o vínculo definitivo entre ele e cada um dos crimes só seria consolidado ao longo dos inquéritos e julgamentos posteriores.
A Assinatura do Medo: Decodificando o “Maníaco de Contagem”

Ilana Casoy, escritora, roteirista e especialista em criminologia. Crédito: Folha de S.Paulo.
Quando os homicídios começaram em Contagem, a polícia lidava com os fatos de forma isolada. Foi a visão prática da criminóloga Ilana Casoy que mudou o rumo do caso, ao cruzar os detalhes concretos de cada cena de crime.
Na prática, a análise de campo de Ilana funcionou como um trabalho de comparação direta. Ela colocou as fichas dos casos lado a lado e começou a notar coincidências exatas que não podiam ser obra do acaso:
- O Perfil das Vítimas: Todas eram mulheres jovens, atraentes, motoristas e que estavam sozinhas em seus veículos.
- O Ponto de Abordagem: O agressor não agia em locais ermos na largada; ele abordava as vítimas em áreas urbanas movimentadas de Contagem, aproveitando momentos de parada ou redução de velocidade.
- A Dinâmica do Ataque: Ele assumia a direção do próprio carro da vítima, usando o veículo como cativeiro móvel enquanto transitava por rotas de fuga estratégicas, como a Via Expressa.
- A Causa da Morte e o Ritual: As vítimas sofriam violência sexual e eram mortas por asfixia ou estrangulamento — muitas vezes utilizando acessórios da própria vítima, como o cinto de segurança.
- A Assinatura e o “Troféu”: Ele sempre levava os aparelhos celulares das mulheres, mantendo um padrão de comportamento pós-crime.
Ao mapear esses fatos concretos, Ilana mostrou à polícia que aqueles não eram crimes aleatórios. Havia uma metodologia repetida passo a passo. Esse diagnóstico prático foi o ponto de virada para que os investigadores parassem de procurar suspeitos isolados e passassem a caçar um único homem: o serial killer Marcos Trigueiro.

A Anatomia de um Predador
Marcos Antunes Trigueiro nasceu em 29 de maio de 1978, em Brasília de Minas (MG). Relatos apontam uma infância em ambiente de violência doméstica, marcada pela ausência materna e criação paterna ao lado de dois irmãos. Na juventude, mudou-se para a Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde atuou como pintor e motorista de transporte coletivo — ocupação que lhe conferiu conhecimento geográfico detalhado sobre rotas e áreas isoladas.
O histórico criminal antecede os homicídios em série:
- 1997: Registro posterior do primeiro ataque sexual denunciado por uma vítima.
- 2004–2005: Prática de dois latrocínios em Contagem, vitimando o taxista Odilon Eustáquio e o proprietário de uma pizzaria, de onde foram subtraídos R$ 8.000. Cumpriu pena e retornou ao convívio social.
- 2009: Execução da série de estupros e homicídios contra mulheres na região. Três vítimas sobreviventes o reconheceram posteriormente.
A análise técnica do perfil e do modus operandi de Marcos Antunes Trigueiro evidencia uma dinâmica de atuação padronizada.
PRISÃO E DESFECHO | Condenações
As principais falas publicadas e confirmadas de autoridades policiais, do Ministério Público e do Judiciário sobre Marcos Antunes Trigueiro.
Ministério Público e Acusação:
“É uma pessoa fria, calculista, que planeja seus crimes. (…) Nunca teve crise, nunca surtou, mas depois que foi preso alega loucura. O problema é de caráter. E a solução para isso é a cadeia. O sadismo dele era tanto que ele sentia prazer com a morte.”
” Temos que ter clemência é para com a vítima e a família, que ficou oito dia sem notícia do corpo de A., e dos filhos que vão crescer sem mãe”.
— Manuela Lage Xavier / Manuela Faria, Promotora de Justiça (atuante nos julgamentos do réu).
“O que ele disse é para autodefesa. ‘Ah, foi consentido’. A mulher não teve [consentimento], foi tudo na violência… ela permitiu? Ela estando em pânico, ela sabia que ia morrer.”
— Francisco Santiago, Promotor de Justiça (responsável por três dos julgamentos do caso).
Polícia Civil:
“Pelo menos três mulheres conseguiram escapar de Trigueiro.”
— Edson Moreira, Delegado da Polícia Civil (responsável pelas investigações na época da prisão, em fevereiro de 2010).
(Nota: Sobre o interrogatório e o momento da prisão, o ex-delegado Edson Moreira também detalhou publicamente em entrevistas que confrontou o criminoso em uma situação específica, dizendo:
“Vem cá, meu irmão… você peidou?”
ao perceber o cheiro forte vindo da bolsa de colostomia que o assassino usava e que estava cheia no momento da abordagem).
Poder Judiciário
“As circunstâncias do crime são altamente reprováveis, pois o acusado agiu com extrema frieza e desprezo pela vida humana.”
— Trecho da sentença de pronúncia / fundamentação dos Magistrados do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) ao aplicar as condenações que, somadas, ultrapassaram os 100 anos de prisão.
Ao proferir a sentença, o juiz José Honório de Rezende considerou a personalidade “cruel e perversa” do réu ao dosar o tamanho da pena de reclusão.
Ao final, as condenações somaram mais de 200 anos de prisão.
“Uma sentença extensa. Mas incapaz de devolver o que foi perdido.”
Importante: Este conteúdo tem caráter informativo e foi produzido com base em fontes oficiais, incluindo investigações, depoimentos, laudos e decisões judiciais. Todas as informações refletem os registros disponíveis sobre o caso.
“A violência é o último refúgio do incompetente.”— Isaac Asimov
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Fontes consultadas
🚔 Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG)⚖️ Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG)📰 G1 Minas Gerais🗞️ Estado de Minas📰 O Tempo📖 Correio Braziliense🗞️ Diário de Contagem📺 TV Globo / MGTV🔎 Wikipedia (apenas como referência complementar)

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