Oksana Makar. (2012). Acervo pessoal da família. Imagem restaurada digitalmente.
OKSANA MAKAR | Oксана Макар
📍 Mykolayiv, Ucrânia. 🗓️09 de março de 2012. ✔️Caso solucionado
Infância e estrutura famíliar de Oksana
Oksana Serhiivna Makar nasceu em 11 de junho de 1993, uma sexta-feira, no povoado de Luch, na região de Mykolaiv, Ucrânia, poucos anos após a dissolução da União Soviética. O país atravessava um período de profundas dificuldades econômicas e sociais, marcado, entre outros problemas, pelo desemprego.Era filha de Tetiana Surovitska e Serhiy Makar. Segundo relatos publicados pela imprensa local, o relacionamento entre os dois durou pouco, e ambos teriam enfrentado problemas com a Justiça. Tetiana teria sido condenada por roubo e passado um período na prisão; Serhiy também é mencionado em reportagens como alguém envolvido em atividades criminosas e que teria sido preso.
Tetiana Surovitska
Tetiana Surovitska. Crédito: directpress.ru via Kyiv Post . Imagem restaurada digitalmente.
A relação entre Oksana e a mãe parece ter sido complexa, sem caber em uma narrativa simples de “mãe boa” ou “mãe ruim”. As fontes apontam períodos de ausência e falhas na proteção durante a infância. Ainda assim, nos últimos dias de Oksana, em 2012, Tetiana esteve ao lado da filha e tomou atitudes para tentar fazer com que sua voz fosse ouvida.
Diante da ausência dos pais e das dificuldades familiares, Oksana passou parte da infância sob os cuidados dos avós maternos. Depois da separação dos pais e da prisão da mãe, Tetyana Surovitskaya, por roubo, ela foi morar com os avós maternos no povoado de Luch, na região de Mykolaiv. Seu falecido avô materno, Roman Mykhailovych, tinha o título de “Professor Homenageado”. E sua avó, Nina Surovitskayacom quem Oksana tinha um vínculo forte, era Foi lá que deu os primeiros passos na escola primária. As lembranças dos moradores locais sobre essa época se dividem. De um lado, vizinhos e familiares de colegas contavam que Oksana era uma menina alegre, carinhosa e afetuosa — embora lhe faltasse mais atenção e acompanhamento no dia a dia. Por outro lado, surgiram relatos de pequenos problemas de comportamento na escola, como o sumiço de materiais. Vale destacar que esses comentários vieram apenas de conhecidos da região, sem qualquer registro ou conclusão judicial.
O crescimento e o vínculo com a avó
Oksana de vermelho. Credito: Acervo famíliar.
No fim da adolescência, ao deixar o orfanato, a relação com a avó se tornou o ponto de apoio mais constante em sua vida. Já na fase adulta, em um período que antecedeu o crime, Oksana voltou a morar com Nina Surovitskaya [Gazeta.ua]. A avó contou que a neta tinha uma rotina bastante instável e costumava passar muitas noites fora, dormindo na casa de amigas ou em outros lugares. Apesar dessa instabilidade, o laço entre as duas permaneceu como uma das poucas referências familiares sólidas em sua curta trajetória.
A infância de Oksana Makar no internato
Escola-Internato Especial de Shyrokolanivka, Mykolaiv. Crédito:Pivdenna Pravda
Contexto familiar e o encaminhamento à instituição
Em 25 de maio de 2003, quando cursava por volta do 3º ano escolar, Oksana foi transferida para a Escola-Internato Especial de Shyrokolanivka, na região de Mykolaiv. A instituição era destinada a crianças que necessitavam de acompanhamento educacional especializado e, segundo a descrição oficial do governo, atendia crianças com dificuldades intelectuais. A decisão de encaminhá-la teria partido de seu avô, diante das graves dificuldades financeiras da família. Em depoimento posterior, a avó afirmou que a mãe de Oksana não participava adequadamente da criação da filha e que, sem condições de mantê-la sozinha, a transferência para a instituição acabou sendo a alternativa encontrada. Apesar das dificuldades, funcionários lembravam de Oksana como uma menina carinhosa e sociável. Ela participava de apresentações artísticas e atividades coletivas e costumava dividir doces e maçãs com os colegas — pequenos gestos que revelavam sua generosidade e facilidade para criar vínculos.
A convivência no internato
Os relatos dos educadores não apresentam uma imagem única sobre Oksana. Ela era descrita como uma menina de personalidade complexa, impulsiva e emocional, que enfrentava dificuldades de aprendizado e de adaptação às regras. Por diversas vezes, fugiu da instituição e precisou ser levada de volta pelas equipes do local.Ao mesmo tempo, participava ativamente de apresentações artísticas e atividades coletivas. Alguns funcionários também a lembravam como meiga, carinhosa e capaz de criar laços sinceros. Entre as recordações mais frequentes estava o hábito de dividir doces e maçãs com os colegas — um pequeno gesto de generosidade que ajudava a revelar outra faceta de sua personalidade.
Relatos do passado e marcas do trauma
Durante o período em que viveu na instituição, Oksana começou a confidenciar a adultos de confiança histórias dolorosas de sua vida pregressa. Entre os relatos trazidos aos educadores, estavam episódios de abuso sofridos ainda na infância, incluindo um trauma associado à época em que vendia maçãs nas ruas.conforme ressaltou Svetlana Raksha, vice-diretora da área educacional na época, a equipe lidava com uma jovem que acumulava profundas dores emocionais, mas que mantinha viva a necessidade de atenção e acolhimento.
A menina por trás da história
Para além dos fatos tragicamente noticiados anos mais tarde, a passagem de Oksana pelo internato revela a essência de uma criança em busca de proteção e que lidava com o abandono. Em suma, os registros da época mostram uma menina que:
Ela buscava constantemente criar laços de amizade e afeto;
Gostava de compartilhar o pouco que tinha com os colegas;
Envolvia-se com entusiasmo nas atividades coletivas e artísticas;
Alternava momentos de impulsividade comportamental com atitudes de extremo carinho;
Carregava traumas profundos e buscava, à sua maneira, ser ouvida pelos adultos ao seu redor.
A sua vivência em Shyrokolanivka traduz o retrato de uma infância dividida entre a convivência com outras crianças e uma permanente necessidade de segurança, afeto e estabilidade.pelo que notei em minhas pesquisas, Oksana saiu do internato por volta de 2011. E foi sua mãe que assinou sua baixa na instalação. Essa escola recebe crianças de 6 aos 16 anos.
Abusos na Infância
Durante o julgamento dos responsáveis pelos fatos ocorridos com Oksana Makar, em 2012, surgiram relatos sobre um possível episódio de violência sexual sofrido por ela anos antes, quando ainda era menor de idade. Segundo depoimentos de funcionárias do internato onde Oksana estudava, apresentados durante o julgamento, a jovem teria contado que havia sido abusada sexualmente por um homem adulto. As reportagens publicadas na época apresentam divergências sobre a idade mencionada, com relatos que variam entre aproximadamente 10 e 12 anos. Há relatos da vice-diretora do internato, Svetlana Raksha, em que Oksana a procurou algumas vezes para contar sobre os abusos — e ela disse que Oksana já tinha 14 anos quando também relatou os fatos. De acordo com esses depoimentos, o caso teria sido comunicado à mãe de Oksana, Tetiana Surovitska. Posteriormente, em dezembro de 2012, foi aberta uma investigação para apurar denúncias envolvendo possíveis responsabilidades relacionadas a esse episódio, incluindo alegações sobre a conduta da mãe e de um ex-companheiro dela. A investigação foi iniciada após denúncias apresentadas pela defensora de direitos humanos Olena Kabashna. Durante a apuração, as autoridades analisaram as informações disponíveis sobre os relatos de abuso e as circunstâncias envolvendo a família de Oksana. Esse assunto foi amplamente explorado — praticamente todas as reportagens sobre o caso tratam bastante desse suposto abuso anterior. Em janeiro de 2013, foi divulgado que o procedimento contra Tetiana Surovitska havia sido encerrado por falta de elementos que configurassem crime. Posteriormente, houve determinação para uma nova análise e investigação complementar, conforme reportado pela imprensa ucraniana. Até o momento, nas fontes consultadas, não há registro público de condenação referente a esse suposto abuso sofrido por Oksana anos antes.
Fontes consultadas
Ukrinform — 07 de agosto de 2012 (depoimentos de funcionárias do internato durante o julgamento).
Ukrainska Pravda — 07 de agosto de 2012 (relato sobre os depoimentos e divergências de idade).
Ukrinform/Korrespondent.net — dezembro de 2012 e janeiro de 2013 (abertura e andamento da investigação envolvendo a mãe de Oksana).
Observação: As informações acima reúnem relatos de testemunhas, reportagens e registros sobre investigações. Elas devem ser diferenciadas de fatos comprovados judicialmente.
“Ah, ela é só uma garota de má reputação”
Irena Chalupa é uma jornalista de origem polonesa, mas que trabalhou em diversos lugares, já por toda a Europa. Irena conta em uma reportagem que, ao ficar sabendo sobre o que tinha acontecido, ligou para uma amiga que tinha na localidade do acontecimento. Ao perguntar para essa amiga — que também era jornalista, ela perguntou: E então — “O que aconteceu? Como é que está o desenvolvimento dessa história?”, essa amiga, que Irena considerava uma mulher inteligente e compassiva, respondeu: “Ah, ela é só uma garota de má reputação”. Essa foi a resposta. Do outro lado da linha estava Irena, que ficou muda. Ela não sabia qual resposta dar a essa fala da amiga, porque, como jornalista, o que ela esperava era uma resposta investigativa, curiosa — algo parecido com:
“Ah, estamos atrás, vamos atrás, não vamos deixar isso barato, vamos procurar os culpados, saber qual responsabilidade vai ser atribuída a eles e correr atrás da justiça”
e tal. Mas não: a única resposta da amiga de Irena foi
“Ah, é só uma garota de má reputação”.
Dessa forma, tanto Irena quanto eu, que estou fazendo esse relato para vocês, percebemos ao longo da pesquisa sobre esse caso: Oksana foi cruel e desumanamente julgada, por parte da população, por ter sido vítima. Ela foi julgada justamente por ter sido vítima. Vemos isso quase no mundo todo. Aqui mesmo no nosso próprio país, o Brasil. Mas o que chama a atenção não é isso — não é o fato de as pessoas terem pensamentos diferentes, às vezes cruéis, e às vezes condenarem as próprias vítimas. Não é isso que eu estou levantando aqui agora. O que eu quero dizer é que não se tratava de uma conversa com pessoas, vamos dizer assim, alheias sobre a gravidade do que aconteceu. Irena estava conversando com uma amiga jornalista, que ela descreveu ser uma mulher inteligente e compassiva. E a resposta dessa jornalista, foi que ela era “uma garota de má reputação”. Só isso. Ela, mulher e jornalista conseguiu resumir nessa frase, toda a tortura que Oksana passou. Então é assim que nós vamos começar esse caso.
Na noite de 9 de março de 2012, uma sexta-feira, entre as 22 e 23 horas, o centro de Mykolaiv vivia o clima festivo do Dia Internacional da Mulher — data de grande importância cultural na Ucrânia e em todos os países do antigo espaço soviético, celebrada com encontros familiares, reuniões e festas. Foi nesse clima que Oksana, de 18 anos, saiu do vilarejo de Luch, onde morava, e foi até o centro de Mykolaiv participar das comemorações. Ela era uma jovem lindíssima e muito estilosa — não de roupas caras, mas de estilo, de saber ser linda e autêntica com o que tinha. Definitivamente, não era o tipo que passa despercebido. Oksana entrou no pub Rybka, na Rua Dzerzhynskogo. Pediu uma latinha de bebida — algumas fontes dizem cerveja, outras não confirmam — e uma caixinha de suco. Sentou-se sozinha, bebendo tranquilamente, sem conversar com ninguém. Era só uma garota de dezoito anos, vivendo e curtindo a noite.
O Plano e a Armadilha
A Chegada do Trio e o 1° Relato da Atendente
Pouco tempo depois, entraram no bar Maksym Prisyazhnyuk, Artem Pogosyan e Yevgeny Krasnoshchyok. Pediram bebidas alcoólicas e se sentaram próximo de Oksana. A atendente Natália — que é importante lembrar: seu próximo relato seria totalmente diferente desse — disse, em sua primeira declaração, que os três convidaram Oksana para se juntar a eles. Ela aceitou porque já conhecia Maksym há algum tempo, e sentiu segurança. Não conhecia os outros dois.
Minutos depois, Natália percebeu algo alarmante: Oksana estava tonta, desorientada, parecia bêbada — mas não tinha bebido quase nada, só tomou uma dose pequena com eles. Não havia explicação para estar assim. A atendente suspeitou, desde logo, que a bebida dela havia sido adulterada ou drogada. O grupo pediu mais bebidas e Oksana ficou visivelmente muito embriagada. E foi assim que, pouco depois, os três se levantaram, a apoiaram neles, a levaram pelo braço e praticamente a carregaram para fora do bar — segurando, arrastando, levando-a dali. Disseram que a acompanhariam até a casa dela, se ela quisesse, mas que a levariam antes para uma “festa” no apartamento de um deles, para que ela conhecesse uma amiga dos três.
Para compreender os bastidores daquela aproximação no bar, é preciso olhar para o histórico e o perfil dos três indivíduos que cruzaram o caminho de Oksana.
Sua trajetória sempre foi marcada pela instabilidade e pela marginalidade. Concluiu a 9ª série da escola básica e realizou um curso técnico de soldador elétrico na Escola Profissionalizante Nº 1 de Mykolaiv. Krasnoshchok saiu de casa muito cedo, aos 17 anos, e desde então perambulou por diversos empregos de baixa qualificação e trabalhos braçais informais (como pedreiro, carregador de mercadorias em supermercado e assentador de azulejos). Na época, aos 23 anos, ele era casado, tinha uma filha de apenas dois anos de idade e morava com a família em um albergue. Sem as conexões políticas ou os recursos dos outros dois, trazia o perfil mais agressivo e prático para o plano que executariam — e, após ser preso no decorrer das investigações (no dia 11 de março de 2012), permaneceu ininterruptamente sob custódia policial. (Ainda preso e 08/ 2026, pelo que confirmei.)
Aparentemente, Prysyazhnyuk ocupava o extremo oposto na escala social. Formado em História e Direito pela Universidade Nacional de Mykolaiv Sukhomlynsky (onde obteve o diploma em 2011), trabalhava como advogado no Departamento de Cultura da Câmara Municipal de Mykolaiv. Sua mãe adotiva, Lyudmila (Lyuda), era uma figura de destaque na região, tendo atuado como chefe da Administração do Distrito de Yelanetsky até se aposentar em 2009. Lyudmila se dedicou de corpo e alma à criação do filho adotivo, alimentando o sonho de torná-lo um homem de sucesso. Prysyazhnyuk também mantinha conexões políticas: integrou a ala jovem do Partido das Regiões até 2010 e depois atuou como voluntário em campanhas de outras siglas. Ele morava em um apartamento alugado no centro de Mykolaiv — local que se tornaria a base do plano.
📌Quem convivia com Prysyazhnyuk o descrevia como uma pessoa imatura e egocêntrica — “como uma criança caprichosa” que perdia a paciência e reagia com raiva e descontrole quando algo não saía como ele queria. Em suas relações pessoais, agia como um caçador, mantendo um histórico de tratar as mulheres como brinquedos descartáveis: cortejava-as por longo tempo e, assim que conseguia o que queria, as abandonava. Conhecidos relatam que uma de suas ex-namoradas chegou a realizar um aborto por causa dele, enquanto outra decidiu ter o filho.
O mais jovem do grupo, com 21 anos, Pohosian concluiu os estudos básicos e atuava como serralheiro na fábrica industrial Zorya – Mashproekt em Mykolaiv. Ele vivia com a mãe, que trabalhava como bibliotecária. Seu pai, que atuava como operário braçal, havia falecido recentemente, em janeiro de 2012. Inicialmente, cogitava-se que Pohosian possuía parentes de alto escalão na promotoria distrital, mas as apurações confirmaram sua origem mais humilde. Ainda assim, alinhou-se perfeitamente aos outros dois para a ação que executariam.
A Tríade do Sadismo
Esses indivíduos foram para um apartamento alugado por Maksym — que era advogado, trabalhava para um órgão do governo e tinha uma obsessão por Oksana. Era um apartamento normal no centro da cidade, padrão de um rapaz solteiro que morava ali para ficar mais perto do trabalho. Antes de irem para lá, eles passaram em uma conveniência e compraram uma garrafa de vodka (em algumas fontes, um deles teria dito que também compraram camisinhas).
Os três levaram Oksana para o apartamento, chegando por volta das onze horas da noite. Seja pelo álcool ou por alguma substância que colocaram em sua bebida, a jovem ficou inconsciente e foi estuprada por todos eles, que se revezavam na brutalidade. Por cerca de cinco horas seguidas, o abuso não parou. Nos momentos em que Oksana recuperava a consciência, ela gritava:
“Não, não, não! Sai de cima de mim! Me tira daqui! Eu quero ir embora!”. «Ні, ні, ні! Злізли з мене! Заберіть мене звідси! Я хочу піти!»
Nota
No ucraniano original, a expressão transmite um desespero físico ainda mais visceral — com verbos específicos que indicam o peso de estar sendo imobilizado e a urgência de ser retirado do local —, algo que a tradução em português sintetiza para “sai de cima” e “me tira daqui”.
E eles não paravam: espancavam-na para calar a boca e tampavam seu rosto, mas ela continuava gritando toda vez que acordava.(Se você se perguntou em como a imprensa descobriu e noticiou os pedidos de socorro de Oksana, você vai ficar chocado.)
Os Vizinhos Ignoraram totalmente os pedidos de ajuda de Oksana:
todos os gritos, todos os pedidos de socorro foram ouvidos pelos vizinhos do prédio — e nenhum deles ligou para a polícia. Ninguém. Todos ficaram quietos em suas casas enquanto ouviam uma jovem ser brutalizada ali do lado, a poucos metros.
Por volta das três horas da madrugada, a substância parecia estar perdendo o efeito. Oksana estava mais “forte“, e ela conseguia gritar, tentava sair do quarto e ameaçou ir à polícia. Percebendo que o estupro coletivo os levaria para a cadeia, os indivíduos decidiram matá-la. Yevhen começou a espancá-la e tentou enforcá-la com as próprias mãos, mas ela continuou reagindo. Ele pegou então um fio — que podia ser de carregador de celular ou de ventilador, não foi específicado—, enrolou no pescoço dela e apertou até que ela desmaiasse.
Achando que Oksana estava morta, os três saíram do quarto e foram para a sala. Enquanto Maksym e Artem foram procurar um lugar para desovar o corpo, Yevhen Krasnoshchyok se ofereceu para garantir a morte da vítima. Mas o corpo inerte de Oksana reacendeu a perversidade na mente perturbada do maldito e ele decidiu estuprá-la, pela última vez.
Quando os amigos voltaram para o quarto, perceberam que Oksana ainda respirava e gemia. Segundo eles, ela voltou a dizer que contaria tudo à polícia. Yevhen voltou a apertar o pescoço dela usando toda a força que tinha por vários minutos, até que ela parasse de se mexer. E ela parou.
Novamente achando que ela estava sem vida, enrolaram-na em um cobertor e nos lençóis do próprio apartamento e a levaram para fora. Ali perto havia uma obra inacabada de uma clínica que acabou virando um lixão, cheio de entulho. E lembrem-se: estamos na Ucrânia, no mês de março, com temperaturas abaixo de zero grau.
Jogaram Oksana no meio daquele lixo e, para apagar qualquer vestígio e garantir que ninguém a reconhecesse, cobriram o corpo com entulho e atearam fogo. Mais tarde, eles diriam à polícia que não tiveram a intenção de atear fogo nela, que teriam apenas jogado um pano queimando por cima. Mas não foi isso, não. Como se constatou depois, Oksana ainda estava viva quando foi jogada no fogo. Os médicos foram diretos quando afirmaram que ela foi queimada viva, com o fogo no corpo e mais focado na região pélvica, na vagina e no reto. Os escombros da construção queimaram lentamente, consumindo seu corpo centímetro por centímetro.
Depois disso, simplesmente viraram as costas, voltaram para casa, tomaram banho, dormiram e seguiram com suas vidas normalmente no dia seguinte, como se nada tivesse acontecido.
Uma Noite de Tortura e Abandono
OKSANA MAKAR FOI ABANDONADA PARA MORRER, NUMA VALA NO LIXÃO
Na manhã fria de 10 de março de 2012, em Mykolaiv, na Ucrânia, um homem chamado Oleg, de 50 anos, morador da casa número 40 da Avenida Lenina, seguia a pé pela rua. O frio era intenso — naquela manhã fazia -2°C e ele não conseguiu ligar o carro, um Zhiguli-7, para ir visitar um parente. A rua já começava a se movimentar: pessoas indo para o trabalho, para a escola, fazendo compras. Uma manhã comum, como tantas outras. Até que ele parou. Um som muito baixo, quase imperceptível, chegou aos seus ouvidos. Era um gemido fraco, sofrido, um lamento que parecia vir de um pesadelo. Oleg se aproximou, aflito. O som ficou um pouco mais audível — um pedido de socorro tão suave, tão esgotado, que quase se perdia no vento gelado. Alguém estava ali, jogada no escuro, pedindo ajuda com a última força que lhe restava. Ele não desceu. Algo lhe dizia que o que iria encontrar ali era algo terrível. Não era filme — era a realidade. Ele chamou a polícia. Os patrulheiros chegaram rapidamente. O policial mais jovem desceu ao porão e voltou imediatamente, pálido, abalado — como se tivesse sentido o próprio inferno. Com a voz trêmula, disse apenas: — Tem uma menina lá, dentro de uma vala no meio do lixão. Nua. Queimada. Ali, abandonada como se não tivesse nenhum valor, jogada entre entulho, frio e escuridão, estava Oksana Makar. Dezoito anos. Ela não havia sido “apenas” agredida. Haviam estuprado, espancado, estrangulado. E para apagar todo rastro do que fizeram, cobriram seu corpo ainda vivo e atearam fogo. Deixaram-na ali, no frio congelante, para queimá-la até o fim — como se fosse lixo. Como se uma vida de 18 anos pudesse ser destruída e jogada fora sem que ninguém nunca mais a encontrasse. Oksana ainda respirava. Lutando com uma força que ninguém imaginava, contra uma dor impossível de descrever, ela estava ali. Viva. E pedindo socorro.
Oksana foi levada às pressas para o hospital e, após ser examinada rapidamente, foi direto para a UTI, onde foi colocada em respiração mecânica. Oksana ficou cerca de dez horas ali, exposta ao frio congelante e ao fogo.
A combinação de hipotermia com o calor extremo foi devastadora: destruiu tecidos profundos e provocou queimaduras graves de terceiro e quarto graus em aproximadamente 55% do seu corpo, atingindo de forma trágica a região pélvica, reto e a parte interna das coxas.
Nos dias seguintes no hospital, a luta pela vida virou um pesadelo cirúrgico.
Para tentar conter a gangrena e evitar que a infecção se espalhasse, os médicos precisaram amputar o braço direito e ambos os pés, que já estavam necrosados.
Mas não era “só” isso: o tempo de exposição foi tão extremo que seus órgãos internos sofreram danos irreversíveis — o médico disse que seus rins literalmente cozinharam dentro do próprio corpo.
“A mão direita de Oksan foi amputada”, conta sua mãe, Tetyana Surovitskaya, de 41 anos . “Estava completamente carbonizada.
“Ontem à noite, os médicos disseram que o fígado falhou e os rins pararam de funcionar”, acrescenta Tetyana Surovitska. “Eles estão monitorando o coração, porque a intoxicação é grave. Quando os médicos fizeram a bandagem, os rins ficaram visíveis.”
Mesmo em um estado tão grave, ao recuperar a consciência no hospital, Oksana encontrou forças e contou aos detetives em detalhes tudo o que havia acontecido.
21 dias de Dores Inimagináveis
OKSANA trouxe em seu corpo, todas as marcas da selvageria que esses três fizeram. Crédito das imagens: UNIAN. Montagem pela autora. (Não vou postar as imagens explícitas, não entendo ser necessário para o entendimento do caso.)
Por três longas semanas, Oksana resistiu com uma força que parecia impossível. Lutou com cada respiração, cada movimento, cada segundo. Submeteu-se a procedimentos dolorosos, profundos, feitos sem poupá-la — porque cada tentativa de salvá-la trazia consigo uma dor que nem se pode mensurar. Seu corpo, já destroçado pela violência, era submetido a mais sofrimento, na esperança de mantê-la viva.
Seu estado era desesperador. Os pulmões, queimados por horas de inalação de fumaça tóxica, finalmente cederam — colapsaram, e uma hemorragia pulmonar terrível tomou conta. O quadro se agravou de forma brutal. O corpo, que havia sobrevivido à noite mais horrível de sua vida, não suportou mais. E ela partiu.
O advogado da família Makar, V. Vasilyuk, revelou posteriormente no tribunal, a frieza por trás de tudo:
“O fogo foi ateado de propósito, direto na região das nádegas. Eles escolheram queimar ali de forma calculada — unicamente para destruir qualquer prova de que ela havia sido violentada.”
EXPOSED NO LEITO DE DOR
Oksana Makar em agonia extrema. Crédito: I AM (YouTube).
A Espiral do Sensacionalismo: Quando a Câmera Atropela a Dor
O vídeo gravado no leito do Hospital Central de Mykolaiv não apenas chocou a Ucrânia ao revelar o estado terrível de Oksana — ele também gerou forte polêmica e profunda repulsa em relação à própria gravação. A opinião pública se dividiu: enquanto muitos sentiam raiva pelo crime, outros ficaram perturbados com a conduta de Tetiana, a mãe da jovem. Grande parte da população e da imprensa passou a ver aquele registro não como o desespero de uma mãe, mas como algo cruel e expositivo: como se o sofrimento da filha estivesse sendo usado apenas para chamar atenção. Pressão diante da câmera. Nas imagens, Oksana está visivelmente abatida, sob efeito de remédios fortes e sofrendo dores terríveis. Mesmo assim, a mãe insiste para que ela mostre à câmera o que restou de sua mão — amputada e queimada.
Para muitos, isso foi uma violação da sua dignidade:
Oksana estava tão frágil, tão doente, e mesmo assim foi pressionada a se expor. Comoção em vez de respeito O diálogo entre as duas revela algo profundamente doloroso. Enquanto Oksana só pede para descansar, dizendo que está com muita dor, Tetiana insiste repetidamente para que ela fale palavras fortes, peça vingança e mande mensagens para todo o país. Para quem assistiu, a dor verdadeira da filha foi usada de propósito — transformada em espetáculo para comover o público e ganhar repercussão.
Quando a Tragédia Vira Negócio:
A repercussão negativa só cresceu quando o caso ganhou manchetes e surgiram dúvidas sobre como a família conduziu tudo.
Exposta sem poder dizer não. Muitos questionaram:
era certo filmar e divulgar uma jovem sofrendo daquela forma? Ela não tinha condições de consentir, sem apoio psicológico, sem privacidade, ali no meio de um quarto de hospital.
A dor transformada em mercadoria
A indignação inicial se transformou em desconfiança quando surgiram acusações sobre o destino das doações enviadas para o tratamento de Oksana. O vídeo que parecia, no começo, um grito desesperado por justiça, passou a ser visto por muitos como o primeiro passo de uma exploração: o momento em que a própria mãe começou a usar a dor da filha em busca de dinheiro e visibilidade. Aquela gravação ficou marcada para sempre na memória como algo profundamente perturbador: o instante em que a vontade de aparecer foi maior do que respeitar o sofrimento de uma filha agonizante.
Prisões e Interrogatórios
Na manhã de 9 de março de 2012, quando Oksana Makar foi resgatada no canteiro de obras em Mykolaiv, a contagem regressiva para capturar os responsáveis começou. Mesmo gravemente ferida, a jovem conseguiu dar a primeira pista crucial aos policiais: lembrou que havia sido levada para o apartamento de um rapaz na noite anterior. Mesmo naquela condução inacreditável, Oksana contou cada minuto de tortura que passou. Com essa informação, a polícia chegou ao local no dia 11 de março e prendeu o primeiro suspeito: Maksym, de 24 anos, filho adotivo de uma ex-chefe do conselho distrital local. Ele não tentou proteger os cúmplices e entregou imediatamente o paradeiro de Yevhen, 23 anos, e Artem, 22 anos — que foram localizados e detidos poucas horas depois.
Nos interrogatórios, cada um contou uma versão diferente
Um diz que no caminho sugeriram que ela fizesse sexo com os três, que ela teria aceitado e até brincado que “aguentava três de uma vez”. Outro diz que não se meteu em nada, que não fez proposta nenhuma, não participou de nada, só estava ali. E o terceiro falou que ele só “sugeriu” que ficassem juntos, que ela aceitou e que tudo foi consensual. Mas lembrem-se: Oksana, segundo relatos, estava semiconsciente, sem força para reagir, fugir ou sequer se defender. Ela ia e voltava da consciência — quando acordava, via o que estava acontecendo e gritava muito pedindo ajuda. Na delegacia, o comportamento dos suspeitos revelou uma brutal divisão de estratégias. Yevhen, o executor principal, demonstrou uma frieza aterrorizante: em gravações vazadas do interrogatório, ele apareceu algemado, fumando e detalhando sem remorso como estrangulou a jovem com um cabo elétrico e ateou fogo ao corpo com uma manta para apagar as digitais. Por outro lado, Maksym e Artem adotaram uma postura covarde, jogando toda a culpa em Yevhen e alegando que “apenas” ajudaram a carregar o corpo até a obra abandonada por acreditarem que Oksana já estava morta.
Eles Ignoraram 2 Coisas
Que Oksana Sobreviveria e a Perícia Forence
No caso de Oksana Makar, o trabalho da perícia forense guiado pela prova do DNA foi fundamental por duas razões principais: confirmaram o envolvimento dos três acusados através das amostras biológicas colhidas na vítima e no local do crime; e desmentiram as versões dos réus. Maksym e Artem tentaram transferir toda a culpa do enforcamento e da brutalidade para Yevhen, alegando que apenas “participaram de forma passiva” ou que não queriam matá-la. Os laudos médicos e materiais forenses provaram a participação direta de todos na agressão e no estupro coletivo. Além do DNA, o próprio depoimento que Oksana deu aos investigadores no hospital antes de falecer serviu como prova crucial para o processo.
A SOLTURA — DUAS HORAS DEPOIS
– Poucas horas depois de serem detidos, Maksym Prisyazhnyuk e Artem Pogosyan foram soltos. Apenas Yevhen Krasnoshchok ficou preso.
– A polícia alegou oficialmente: “falta de provas” e disse que os dois eram apenas “testemunhas”, não suspeitos. A porta-voz da promotoria de Mykolaiv, Nataliya Abramova, confirmou:
“Não tínhamos elementos para mantê-los detidos”.
Ao pesquisar sobre o caso, notei que quase todas as fontes citam que Artem e Maksym teriam fortes conexões políticas devido à influência familiar. Embora eu não tenha encontrado provas concretas dessas relações, uma busca rápida em noticiários locais mostra que essa afirmação é recorrente. Este é um dos pontos centrais da repercussão: praticamente todas as fontes locais apontam esse contexto político como a causa por trás dessa investigação e de condenações tão vergonhosas.
“Infelizmente, essa situação é típica da maioria dos países pós-soviéticos, onde se utilizam conexões ou corrupção: um funcionário de alto escalão faz uma ligação ou se paga dinheiro a um alto funcionário da polícia, e uma pessoa que cometeu um crime grave é libertada. O mesmo acontece com frequência na Rússia e em outros países da antiga União Soviética.”
— Volodymyr Fesenko, analista político.
Protestos: Parte da População Exigiu Justiça por Oksana
O ministro do Interior, Vitaly Zakharchenko, confirmou que os pais de dois dos suspeitos eram ex-funcionários do governo na região de Mykolaiv. A mãe da Sra. Makar, Tetyana Surovitska, acusou a polícia de libertá-las devido às conexões de seus pais.(Credito:scotsman.com)
12 de março — A Revolta Começa nas Redes: Criou-se um grupo no VKontakte e no Facebook para organizar manifestações. Uma comissão de moradores de Mykolaiv passou a noite inteira fazendo cartazes e um boneco representando os agressores. A fúria já estava crescendo. 13 de março — A Fúria Ganha as Ruas e o Governo Reage. Manhã: Dezenas de pessoas se reuniram em frente à Delegacia Central de Mykolaiv, onde queimaram e “castraram” simbolicamente o boneco dos agressores. Em seguida, a manifestação seguiu para a Procuradoria Regional. Tarde: Milhares de pessoas foram às ruas em Mykolaiv e, em seguida, em Kyiv, Odessa, Kharkiv e Lviv, exigindo a prisão de todos os envolvidos e a exoneração dos policiais que haviam solto os suspeitos.
As fotos dos três indivíduos, a princípio, ficaram protegidas. Mas, logo que parte da população descobriu quem eram, seus nomes e rostos ganharam as ruas. Crédito: UNIAN.
Desdobramentos Imediatos:
A pressão popular foi tão forte que o presidente Viktor Yanukovych interferiu, ordenando que uma equipe especial de Kyiv fosse até Mykolaiv para assumir a investigação. Artem e Maksym foram presos novamente — desta vez, sem privilégios, sem influência, sem soltura. Pelo menos quatro autoridades de segurança foram demitidas: o chefe da unidade de investigação distrital, o delegado da delegacia, o promotor distrital e o promotor adjunto. O investigador de 23 anos que conduziu o caso inicialmente recebeu uma advertência.
Protesto em apoio a Oksana Makar em 15 de março de 2012 em Mykolaiv. Crédito: Wikipedia.
15 de março — O Maior Protesto em Mykolaiv Local: antiga Praça Lenin, em Mykolaiv. O ato reuniu entre 1.500 e 2.000 pessoas — com algumas fontes citando até 10 mil — consolidando-se como o maior protesto de todo o movimento. Tensão: Houve disputa de palco com a juventude do Partido das Regiões, que tentou se apropriar do evento e usar a situação para ganhar pontos políticos. O povo não deixou. Nacional: No mesmo dia, protestos simultâneos ocorreram em Kyiv, Odessa e Kharkiv. O país inteiro estava de olho.
16 de março – Protesto em frente ao Prédio da Procuradoria Regional de Lviv. Credito:https: unian.net.
16 de março — Novas cidades aderiram ao movimento: Sumy e Lviv. Em Lviv, o ato em frente à Procuradoria Regional foi intitulado:
“Os filhos dos ricos estão matando, e a polícia está acobertando!”
Cerca de 40 jovens participaram da manifestação, gritando “Vergonha!” enquanto exibiam cartazes com slogans como:
“A tirania não ficará impune!”
“Não à ilegalidade!”
“Exigimos punição justa!”
19 de março — O Protesto do Grupo Femen em Kyiv
Ativistas do grupo FEMEN protestam por justiça para Oksana Makar. 19 de março de 2012 | Kyiv.
As ativistas do grupo Femen realizaram um ato em frente à Procuradoria-Geral da Ucrânia, com cartazes que diziam:
“Morte aos sádicos!”, ” Fim da ilegalidade” e “Executem os bastardos!”.
29 de março — O Ato Final em Mykolaiv: Manifestantes voltaram às ruas pela última vez, sob o tema:
“Contra a impunidade do poder e em apoio a Oksana Makar”
Foi o povo, nas ruas, que devolveu a justiça. Sem esses protestos, os responsáveis provavelmente estariam livres até hoje.
*Sobre o Partido das Regiões
O Partido das Regiões era, na época (2012), o partido político no poder na Ucrânia. Era liderado por Viktor Yanukovych, que era o presidente da Ucrânia. Era um partido de orientação pró-Rússia, muito forte no leste e sul do país — exatamente onde fica Mykolaiv. INTERESSANTE: Maksym Prisyazhnyuk — um dos três acusados — era ativista da juventude do Partido das Regiões, chamado “Jovens Regiões”. Ele fazia parte da estrutura do partido em Mykolaiv.
O Linchamento Virtual de uma Vítima
Entre depoimentos comprados, mentiras em redes sociais e misoginia estrutural, como a sociedade tentou absolver três monstros e condenar uma jovem à morte moral.
1. A Armadilha no Bar Rybka
Natalia Koval,bar Rybka. Crédito: NikVest
e a Testemunha Comprada
Na noite de 8 de março de 2012, no bar Rybka, em Mykolaiv, Oksana Makar, de apenas 18 anos, entrou no estabelecimento comunicativa e cheia de vida. Pouco depois, Maksym , Yevhen e Artem se aproximaram. O que aconteceu a seguir foi o preâmbulo de um pesadelo perfeitamente articulado. A primeira testemunha a falar sobre a cena foi Natalia Koval, a atendente do bar.
📌PRIMEIRO DEPOIMENTO de Natália no julgamento
Em suas declarações iniciais aos jornalistas e à polícia, prestadas entre 10 e 11 de março, o relato era estarrecedor pela sua clareza:
“Ela entrou bonita, animada. Pediu uma bebida. Uma latinha de refrigerante e uma caixinha de suco. Ela se sentou sozinha com suasbebidas. Depois os três chegaram. Em poucos minutos, vi o estado dela mudar de forma impossível. Fica sonolenta, mole, sem forças. A cabeça caía para a frente. Mal tinha bebido, era bizarro! Em seguida, dois deles a pegaram pelos braços, praticamente a carregando para fora. Ela não conseguia andar sozinha.”
A constatação era inequívoca:
Oksana havia sido drogada. Incapaz de reagir, foi levada como uma presa indefesa. No entanto, à medida que o crime ganhava repercussão nacional e a influência da família de Maksym — cujo pai adotivo era um influente ex-militar e ex-funcionário do governo — começou a operar nos bastidores, a narrativa mudou drasticamente. Semanas depois, e mais tarde reafirmado em tribunal em 12 de julho de 2012:
📌SEGUNDO DEPOIMENTO de Natália no julgamento
“Nós, a equipe do bar Rybka, sempre dissemos que ela ia acabar mal. Ela estava bem, riu, bebeu e se ofereceu para ir com eles. Saiu andando por conta própria.”
A virada não foi mero acaso. Em abril de 2012, portais de imprensa revelaram que Natalia Koval era amiga próxima de Inga Slavinska — a esposa do assassino Yevhen Krasnoshchok. O depoimento claramente forjado para salvar os estupradores foi rechaçado pelo juiz e denunciado pelo advogado assistente Nikolai Katerynchuk, mas o dano social já estava feito.Sem
2. A Tática dos Sem Escrúpulos
Nos interrogatórios e no banco dos réus, os três criminosos uniram-se em uma tática sórdida e covarde: desacreditar o caráter de Oksana para legitimar a brutalidade monstruosa.
Yevhen Krasnoshchok:
“Se ela não tivesse ido com a gente, nada teria acontecido. Ela procurou isso.”
“Ela não recusou no começo. Até brincou. Depois mudou de ideia quando viu que eram três.”
“Se não tivesse gritado e ameaçado denunciar, eu não teria feito nada.”
“Ela estava bêbada, provocou a gente. Não foi tudo culpa minha.”
Maksym Prisyazhnyuk:
“Ela aceitou ir ao apartamento. Sabia o que estava fazendo. Não foi arrastada.”
“No começo participava, depois se arrependeu e gritou estupro.”
“Ela me conhecia, confiava em mim. Se não quisesse, não teria vindo.”
“Mulheres dizem uma coisa e fazem outra. Ela provocou tudo.”
Artem Pogosyan:
“Ela estava rindo, bebendo, conversando. Não parecia forçada.”
“Se estava em perigo, por que não gritou quando entrou no apartamento? Por que esperou?”
A estratégia era calculada e cruel: transformar a luta de uma mulher dilacerada e prestes a morrer em “provocação”. Fazer da sua dor a desculpa perfeita para o que já tinham decidido fazer: queimá-la viva, abandoná-la nas trevas e sumir como se nada tivesse acontecido.
3. A falta de compaixão inimaginável
nas Redes Sociais e na Imprensa
Lutando por três semanas contra a falência múltipla de órgãos — com queimaduras de terceiro e quarto grau em 55% do corpo, com os rins literalmente cozidos, com o reto exposto e dilacerado, com as nádegas tão queimadas e os ossos da pelve expostos, sentindo dores inimagináveis, com o braço e os dois pés amputados — um tribunal paralelo e cruel se instalava nas redes sociais.
Fóruns de discussão no VKontakte, Facebook e seções de comentários em sites de notícias inundaram a internet com mentiras deslavadas. Inventaram que Oksana era garota de programa e que inventou a acusação de estupro após um desacordo financeiro — uma mentira absoluta, prontamente desmentida por laudos periciais, pela polícia e pela família.
O VKontakte, um grupo criado em tese para acompanhar o caso foi dominado pelo moderador Ilya P., da região de Donetsk. Ele escreveu abertamente:
“Estou do lado deles! Eles são heróis! Dezenove anos e perambulando por bares, a vadia! Fato! Bem feito para a vagabunda! Libertem os rapazes!”
A imprensa tradicional não ficou imune ao machismo incrustado.
O colunista do jornal Komsomolskaya Pravda, jornalista Dmitry Smirnov (Дмитрий Смирнов).
opinou abertamente que:
“uma jovem devia saber dos riscos de andar à noite”.
Na época, a sua coluna gerou forte indignação,(mas também foi muito apoiada, inclusive por milhares de MULHERES), ao sugerir que Oksana tinha parcela de culpa por estar em um bar à noite com homens desconhecidos, e consequentemente ter sido estuprada por 3 indivíduos, espancada, brutalizada sexualmente, queimada viva e abandonada no lixo.
Fóruns de grandes jornais permitiram tópicos ativos intitulados
“O que Oksana fez de errado”,
enquanto vozes anônimas acusavam uma mulher à beira da morte de:
“querer se promover para ganhar dinheiro na TV”.
Mesmo nas ruas de Mykolaiv, o público repetiu o discurso de culpabilização:
“Claro que sinto pena, mas uma menina sabe que não deve ir com três homens.“
“Bebia demais. Os pais deviam ter cuidado.”
‘Não, Oksana não bebia demais. No exame toxicológico, foi encontrado o equivalente a uma latinha pequena de cerveja. E havia em seu organismo uma substância semelhante à clofelina (clonidina) — a principal suspeita.’
4. A Engrenagem da Impunidade
Quando o Poder Tenta Apagar um Crime
Para além das mentiras contadas sobre Oksana, havia uma engrenagem ainda mais sombria operando nos bastidores para abafar o crime: a influência política e a corrupção sistêmica. Maksym não era um cidadão comum. Como filho adotivo de uma ex-autoridade governamental local, ele representava a elite protegida pelo sistema. Logo nas primeiras horas após o crime, a polícia de Mykolaiv chegou a soltar os suspeitos sob fiança e alegações superficiais — um movimento que só foi revertido após a população revoltada tomar as ruas em protestos massivos. A postura das autoridades e a tentativa inicial de abafar o caso não foram um fato isolado, mas o reflexo de uma prática enraizada.
Analisando o cenário, o analista político Volodymyr Fesenko destacou a engrenagem que quase garantiu a liberdade dos criminosos:
“Infelizmente, essa situação é típica da maioria dos países pós-soviéticos, onde se utilizam conexões ou corrupção: um funcionário de alto escalão faz uma ligação ou se paga dinheiro a um alto funcionário da polícia, e uma pessoa que cometeu um crime grave é libertada. O mesmo acontece com frequência na Rússia e em outros países da antiga União Soviética.”
5. A Destruição da Narrativa Falsa no Tribunal
Apesar do esforço orquestrado pela defesa dos acusados em rotular Oksana como uma jovem inconsequente para mitigar os crimes, a perícia e o magistrado impuseram a verdade factual. A acusação demonstrou que o teor alcoólico no sangue de Oksana era irrisório — correspondente a no máximo duas doses —, o que confirmou que sua incapacidade motora no bar decorria de dopagem, e não de embriaguez.
O juiz rejeitou sumariamente as manobras defensivas, registrando na sentença uma dura repressão à culpabilização da vítima:
“Aceitar sentar e beber com alguém não é concordância com estupro. Sorrir em um bar não é consentimento para ser violentada, queimada e abandonada para morrer.
6. Mesmo Depois de Morta, Continuaram a Culpá-la
Em 29 de março de 2012, após três semanas de agonia indescritível e múltiplas cirurgias de amputação, Oksana Makar parou de respirar. Contudo, para uma parcela perversa da sociedade, a morte não foi suficiente para cessar o linchamento. Mesmo após o óbito, comentários e fóruns arquivados continuavam a perpetuar as falsidades de que ela:
“não havia dito ‘não’ com firmeza suficiente” ou que “havia buscado o próprio destino”.
A tragédia do Caso Oksana Makar revela uma verdade incômoda e revoltante: para muitos, é mais fácil desacreditar a virtude de uma jovem de 18 anos brutalizada do que encarar a existência de monstros capazes de estuprar, queimar e descartar uma vida humana sem qualquer remorso.
“não havia dito ‘NÃO‘ com firmeza SUFICIENTE” ou que
“havia buscado o próprio destino”.
Ė, algo que vemos mais do que gostaríamos: a grande maioria dos julgadores, eram mulheres.
A Premeditação
A investigação policial e fontes internas de Mykolaiv confirmaram algo aterrador: aquela noite jamais foi um acidente. Não foi um encontro casual. Foi uma emboscada, armada com dias de antecedência. Mandados de busca cumpridos nas casas dos três acusados revelaram o que eles tentaram esconder a todo custo: conversas arquivadas nos celulares e computadores, combinados detalhados, horários marcados, plano pronto. Nada foi ao acaso. Foi uma armadilha. Tudo arquitetado nos mínimos detalhes.
O autor intelectual?
Maksym . Movido por um ódio doentio, alimentado pela rejeição que ele jamais aceitou. E não agiu sozinho: Yevhen e Artem não foram meros espectadores — foram cúmplices ativos, dispostos e participantes de cada passo do plano. O apartamento que ele alugou não era um endereço qualquer. Foi escolhido a dedo, preparado com antecedência, transformado em cativeiro. Um local calculado para o silêncio — onde ninguém interferiria.
E o mais cruel de tudo: ela conhecia ele. Oksana conhecia Maksym há muito tempo. E foi exatamente essa confiança, essa falsa sensação de segurança, que ele usou como arma contra ela. Ela baixou a guarda. Entrou sem desconfiar de nada. Caminhou com passos leves direto para o inferno que ele já havia montado, esperando por ela.
O Julgamento
Julgamento em jaula de ferro na Ucrânia. Crédito: UNIAN.
Concluída a investigação, os três acusados — Yevhen Krasnoshchok, Maksym Prisyazhnyuk e Artem Pohosyan — foram levados a julgamento, acusados de estuprar e assassinar Oksana Makar.
Após a morte dela, o caso deixou de ser tratado como tentativa de homicídio e foi reclassificado: passou a ser enquadrado como homicídio intencional, com todo o peso da crueldade premeditada. As acusações também incluíam estupro coletivo; no caso de Yevhen, pesava ainda uma acusação adicional de ato sexual violento. O primeiro julgamento começou em 12 de junho de 2012, no Tribunal Distrital Central de Mykolaiv, na Ucrânia. O processo foi conduzido por um colegiado de juízes, presidido por Olena Selivanova.
Desde as primeiras audiências, os três já demonstraram que não havia solidariedade entre eles — apenas o egoísmo de quem tenta se safar a qualquer custo. Yevhen e Maksym reconheceram parcialmente a culpa, numa tentativa de abrandar a pena; Artem, por sua vez, negou tudo, como se não tivesse posto um pé naquele inferno que ajudou a construir.
A acusação provou com clareza aterradora: ao perceberem que Oksana estava gravemente ferida, com marcas profundas de estrangulamento no pescoço, os três não sentiram um pingo de compaixão. Não socorreram. Não ligaram para ninguém. Ao invés disso, decidiram apagar a prova com frieza calculada: enrolaram o corpo ainda vivo em um cobertor, arrastaram-no para um terreno abandonado e atearam fogo — na tentativa covarde de destruir qualquer rastro, qualquer identidade, qualquer vestígio do que tinham feito.
O Desenrolar no Julgamento
Questionado pela juíza se prestaria depoimento, Yevhen respondeu com uma frieza calculada:
“Como a senhora considerar necessário. Eu não entendo nada disso.”
A partir daquele momento, o processo revelou algo que se repetiria por meses: nenhuma versão deles era verdadeira, nenhuma era firme. Tudo mudava conforme a conveniência. Ao longo das audiências, cada um procurava encobrir a própria participação, minimizar o que fez e, sempre que possível, jogar sobre os outros a responsabilidade pelos atos mais cruéis e imperdoáveis. O tribunal passou então a ouvir testemunhas, peritos e os próprios acusados. Algumas audiências foram realizadas com portas fechadas — especialmente quando eram discutidos os detalhes mais íntimos, mais brutais e mais dolorosos da violência que Oksana sofreu. Por isso, parte do que chegou ao conhecimento público veio por meio dos advogados que acompanhavam o processo. Em 19 de julho, durante uma audiência, a máscara caiu: os próprios réus começaram a se acusar diretamente. Questionado sobre o fogo que atearam nela, Artem disse friamente que não viu quem acendeu, mas jogou a culpa: acreditava que Yevhen tinha sido o responsável. Na mesma fase, Yevhen passou a defender uma versão absurda e descaradamente falsa: negou até o fim o estupro. Em plena audiência, gritou:
“Não houve estupro!”
(Hum… Se não houvesse estupro, se Oksana tivesse consentido como eles querem fazer crer… por que precisaram espancá-la até não poder mais? Por que precisaram queimá-la viva para apagar tudo? 🤔)
As Artimanhas dos Covardes
Crédito da imagem: UNIAN.
Aquela declaração fazia parte de sua estratégia calculada: apresentar o horror que cometeram como se fosse um ato consensual, tentando assim destruir a acusação e transformar a vítima em culpada. Mas nem ele mesmo conseguia sustentar a própria mentira. Sua versão se desmontou em cada audiência. Em agosto, as contradições ficaram ainda mais escancaradas. Yevhen primeiro admitiu que apertou o pescoço de Oksana — mas mentiu dizendo que teria feito isso para
“impedir que os outros dois a matassem”.
Dias depois, Yevhen mudou tudo mais uma vez: passou a jogar a culpa inteira em Maksym, atribuindo a ele sozinho o estrangulamento. Alegou ainda que só havia assumido qualquer responsabilidade antes porque estava “com medo e sob pressão”.
Em setembro, inventou mais uma desculpa: declarou que teria sido ameaçado para assumir a autoria do crime. Disse que receberam ameaças contra a sua própria família e chegou a afirmar que Artem lhe teria dito friamente: “Você entende que, se acontecer alguma coisa, vai ter que assumir tudo!” Essas declarações deixaram ainda mais evidente o que já ficava claro desde o início: não havia lealdade nenhuma entre eles — apenas covardia. Cada um só pensava em se salvar, mesmo que fosse jogando o outro para a condenação. A tensão chegou a tal ponto que Yevhen e Artem chegaram a se agredir fisicamente dentro do tribunal — ali, diante de todos, mostrando quem realmente eram: três predadores unidos pela crueldade e separados pelo medo.
A imprensa e a família de Oksana observavam cada movimento com atenção crescente. Em 11 de outubro de 2012, o tribunal encerrou a fase de instrução processual e marcou para o fim daquele mês os debates finais. O momento da verdade se aproximava.
Em 30 de outubro, começaram as alegações finais
Juíza Olena (Elena) Selivanova/ Олена Селіванова. Credito: UNIAN.
Três Monstros, Uma Vida Destruída, Penas Surreais:
A Sentença que Não Paga o Preço da Dor
O Ministério Público pediu penas que variavam de 14 anos de prisão a prisão perpétua, diante da participação comprovada dos três em cada crime brutal praticado contra Oksana.
Encerrados os debates, chegou a hora das últimas palavras — o momento em que qualquer ser humano com um pingo de dignidade teria se curvado diante da verdade e do sofrimento que causaram. Mas eles não o fizeram.
Maksym ousou dizer, com a maior desfaçatez:
“Eu não sou estuprador nem assassino.”
(O DNA dele encontrado no corpo de Oksana conta uma história muito diferente, não é mesmo?)
E ainda completou, fingindo humildade que não tinha:
“Reconheço apenas que fui fraco e tive medo. Lamento muito por isso.”
(Fraqueza? Medo? Quem ateia fogo em uma mulher indefesa não é fraco — é covarde e cruel. E a biologia não mente: o DNA dele estava lá.)
Artem, por sua vez, manteve a farsa até o fim:
“Não reconheço minha culpa. Eu me arrependeria, mas não tenho do que me arrepender. Nem sequer toquei um dedo em Oksana.”
(Que cínico! O DNA dos três foi encontrado nas partes íntimas e por todo o corpo de Oksana. Todos estavam lá. Todos participaram.)
Após essas declarações vazias e mentirosas, o tribunal marcou a leitura da sentença. A princípio marcada para 20 de novembro de 2012, foi adiada para o dia 27 do mesmo mês. Naquela data, o Tribunal Distrital Central de Mykolaiv finalmente proferiu o veredicto:
Yevhen — condenado à prisão perpétua Maksym — condenado a 15 anos de prisão Artem — condenado a 14 anos de prisão
Os três foram declarados culpados pelo estupro coletivo e pelo assassinato brutal de Oksana Makar. Ao ser perguntado por um jornalista se considerava a decisão justa, Maksym respondeu:
“Não!”
(Esse mesmo Maksym foi o cérebro de tudo. O homem que não aceitou um “não” como resposta e armou toda aquela emboscada vingativa, transformando uma rejeição em tortura, estupro e fogo.)
Yevhen também demonstrou discordância, balançando a cabeça como se fosse ele a vítima. Já Artem permaneceu em silêncio — talvez porque nem ele mesmo acreditasse nas próprias mentiras que disse por meses.
E do lado de quem realmente importava? Tetiana, a mãe de, também não aceitou aquela sentença como suficiente. Recorreu, lutando para que a justiça fosse plena e severa com todos os responsáveis pela destruição da vida de sua filha.
Apelação — os réus tentam mudar suas penas
Maksim, Yevhen e Artem. Na jaula, no trubunal. Crédito: News.PN.
Após a prolação da sentença em 27 de novembro de 2012, os três condenados interpuseram recurso de apelação. A defesa de Yevhen , Maksym e Artem contestou a decisão proferida em primeiro grau. Paralelamente, a representação legal da família de Oksana Makar também recorreu, buscando a aplicação de penas mais severas para os dois réus que não haviam sido condenados à prisão perpétua. Durante o processo de apelação, as versões apresentadas pelos réus mantiveram-se divergentes entre si. Yevhen, condenado à prisão perpétua, voltou a atribuir a Maksym a responsabilidade pelo homicídio e negou a prática de estupro. Embora admitisse ter participado dos fatos, buscou delimitar a sua própria participação e reduzir a sua responsabilidade penal. Por sua vez, Maksym e Artem procuraram eximir-se da responsabilidade tanto pelo estupro quanto pelo homicídio. Ambos sustentaram que não deveriam responder pelos crimes com a mesma gravidade imputada a Yevhen e requereram a revisão de suas respectivas condenações. Por outro lado, a família de Oksana Makar considerou as penas aplicadas insuficientes. A defesa técnica de Tetiana Surovitska pleiteou a condenação de Maksym e Artem também à prisão perpétua, argumentando que os três teriam participado de forma conjunta dos fatos delituosos. Em 30 de maio de 2013, o Tribunal de Apelação da Região de Mykolaiv apreciou os recursos interpostos e decidiu manter integralmente a sentença de primeira instância.
Desta forma, restaram confirmadas as penas: Yevhen — prisão perpétua; Maksym — 15 anos de reclusão;Artem — 14 anos de reclusão. Maksym e Artem, já estão nas ruas, desde 2024/2025.
Nem os condenados lograram êxito em reduzir suas penas, nem a família de Oksana Makar obteve aumento das reprimendas aplicadas. A sentença permaneceu inalterada. Contudo, anos posteriormente, Yevhen retornaria ao tribunal.
O confronto entre Tetiana e Yevhen
Tetiana Surovitska e Yevhen KrasnoshchokMontagem da autora com imagens do Murderpedia.
A tentativa de revisão da condenação
Em 6 de agosto de 2019, durante uma audiência em que Yevhen Krasnoshchok tentava rever sua condenação à prisão perpétua, Tetiana Surovitska, mãe de Oksana, dirigiu-se diretamente a ele. O diálogo entre os dois foi registrado pela imprensa.
Tetiana perguntou:
“Ela apareceu em seus sonhos alguma vez nesses sete anos? Pelo menos reze por ela, acenda uma vela, não se esqueça: 29 de março.”
Yevhen Krasnoshchok respondeu:
“Eu não acredito em Deus. E isso não é meu pecado.”
Tetiana então perguntou por que ele havia assumido toda a culpa no julgamento, já que outras pessoas também estavam envolvidas.
Yevhen respondeu:
“Eu não tive escolha.”
Quando a mãe de Oksana afirmou que ele havia sido transformado em um “bode expiatório”,
Yevhen respondeu ironicamente:
“E então, eu uso barba à toa? Bode é bode até na África.”
O diálogo se tornou ainda mais tenso.
Tetiana disse:
“Você também tem uma filha! Pense nisso! Você provavelmente a despedaçaria!”
Yevhen respondeu:
“Sim. Exatamente assim.”
Mais tarde, Tetiana afirmou que, quando soube do que havia acontecido com a filha, chegou a pensar em matá-lo. Mas disse que não conseguiu, porque, para ela, matar uma pessoa era algo muito difícil.
Foi então que Yevhen dirigiu a acusação diretamente à mãe de Oksana:
“Você não a protegeu! Não sou eu o culpado! A culpa é sua! Você é a mãe, era sua filha.”
Em seguida, acrescentou:
“E agora eu consigo conversar com a senhora, agora vejo uma mãe, mas naquela época não havia mãe! Tente me compreender como ser humano; eu não sou uma fera, também sou uma pessoa e também tenho filhos.”
O diálogo ocorreu sete anos após o crime, durante a audiência em que Yevhen tentava obter a revisão de sua condenação.
Depois desse confronto, os jornalistas foram retirados da sala a pedido dos advogados da defesa (por isso não sabemos se houve mais diálogos).
O tribunal rejeitou o pedido de Yevhen e manteve a condenação.
Vamos relembrar o que este ser disse lá atrás?
“Eu a estuprei. Ela não se acalmou, e decidi estrangulá-la.” – Yevhen Krasnoshchok
TETIANA, a Mãe que não existiu
até 10 de março de 2012.
Tetiana cresceu em família estruturada em Luch: pai professor homenageado, mãe dedicada. Mas seguiu o caminho oposto. Segundo a própria mãe dela, Nina, Tetiana bebia compulsivamente e era alcoólatra. Suas visitas aos pais não eram para vê-los nem para ver Oksana — era para roubar a aposentadoria dos idosos e comprar bebida.
Por causa do alcoolismo, das prisões e da desestrutura, Oksana cresceu com os avós e em internatos, saindo só aos 17 anos com autorização da mãe. Tetiana vivia em Kiev, centenas de quilômetros distante. Não a criou, não a sustentou, não a levou à escola, não morou com ela. O orfanato não tem registro de uma única visita ou carta da mãe — as cartas vinham só da avó. Oksana cresceu sem mãe. Aos 13 anos, a negligência virou horror. Com a assinatura de Tetiana autorizando, um amigo dela levou a menina do internato. Esse homem a estuprou por dias e a abandonou na rua. O caso se repetiu. Sem proteção nenhuma, Oksana terminou envolvida em prostituição juvenil — consequência direta do abandono total.
Ausente 18 anos. Nenhuma visita, nenhum real, nenhuma palavra. E foi justamente quando a filha estava entre a vida e a morte, destruída, que Tetiana reapareceu de forma intensa e pública — como se tivesse virado “mãe” da noite para o dia.
A Vida de Infrações Antes e Depois da Tragédia
Tetiana Surovitska já tinha pelo menos três condenações oficiais por furto e roubo qualificado — cumpriu cerca de 3 anos em colônia penal. O pai biológico e o padrasto de Oksana também tinham condenações por tráfico de drogas. O ambiente nunca foi seguro. Tanto que até no funeral da filha, o padrasto precisou de autorização judicial e escolta prisional para comparecer. E não melhorou depois que Oksana morreu. Em 2013, Tetiana foi pega furtando roupas infantis — não tinha outra criança, era para revenda. Depois roubou um casaco de pele vison, usou em eventos públicos e até no enterro do prefeito. Condenada, voltou à prisão. O julgamento pelo roubo das roupas infantis aconteceu em 2015.
As Doações que Chegaram
— e o Tratamento que Não Custou Nada
A comoção nacional foi enorme. Tetiana abriu conta pessoal e arrecadou entre 700 mil e mais de 1 milhão de hryvnias (US$ 85 mil a US$ 125 mil). Mas a verdade veio à tona: todo o tratamento de Oksana — cirurgias, internação, transporte aéreo — foi pago integralmente pela Fundação Renat Akhmetov e pelo hospital de Donetsk. Nenhum centavo das doações foi usado com a filha. Médicos e jornalistas relataram que Tetiana bebia álcool dentro do hospital e tentou hospedar um acompanhante no quarto onde Oksana lutava pela vida.
Após a Morte de Oksana: O Dinheiro e as Polêmicas
Oksana não resistiu e faleceu em 29 de março de 2012, aos 18 anos. Sem despesas médicas para cobrir, Tetiana usou o dinheiro doado para comprar um apartamento em Mykolaiv — cerca de US$ 32 mil, como ela mesma admitiu em entrevista de TV em 17 de dezembro de 2012. Também foi acusada de adquirir um salão de beleza e guardar o restante em poupança. Havia prometido doar o que sobrasse a Alexandra Popova, outra vítima em coma. Repassou apenas US$ 3.700 — uma fração mínima do total. Ativistas pediram investigação sobre o paradeiro dos valores. Em 2015, Tetiana foi condenada a 1 ano de liberdade condicional por furtar roupas infantis; também enfrentou acusações de roubo de alimentos e de um casaco de pele. Tetiana ainda hoje, 2026, concede entrevistas, e a imprensa ucraniana não descansa: eles estão sempre cobrando — onde está o dinheiro das doações?
“A crença em uma fonte sobrenatural do mal não é necessária.O homem, por si só, é capaz de toda maldade.” (Joseph Conrad)
Oksana Serhiivna Makar 🕊️
Oksana, rezo para que você esteja em paz. Sinto imensamente por você ter passado por tudo isso. Todo o meu respeito a você!
Oi, gente! Espero que vocês estejam bem. Eu demorei quase um mês para concluir e postar este caso para vocês. E por que demorou tanto? Primeiro, porque há muito conteúdo. Por ter sido amplamente coberto no mundo inteiro, existe todo tipo de material que vocês puderem imaginar. Fica complicado montar a publicação no site porque precisamos ter cuidado com o que postar, especialmente na seleção das fotos. Há muitas imagens fortes e que considero desnecessárias para a compreensão do caso. Mas, caso vocês queiram ver, basta pesquisar o nome completo da Oksana — inclusive em ucraniano e em russo — que vocês terão acesso a fotos e vídeos. Tem de tudo no TikTok e em todo lugar. A segunda coisa que dificultou a finalização foi o quanto esse caso é doloroso de pesquisar e escrever. A Oksana foi extremamente negligenciada desde o nascimento; foi abandonada ao Deus dará. O pouco tempo em que esteve amparada — e quando digo pouco, é pouco mesmo — foi por volta dos três ou quatro anos de idade, quando morou com os avós. Digo que não foi muito porque ela era pequena quando foi para a casa deles (tinha cerca de dois anos e meio) e saiu de lá após a primeira série, por volta dos sete ou oito anos. A partir daí, foi mandada para internatos e passou de um para outro. Ela não era uma criança que recebia visitas. No Dia das Mães ou no Dia dos Pais, quando todas as crianças faziam festinhas, apresentações, desenhos e presentes para entregar aos pais na frente da escola, a Oksana não tinha isso. Ela não tem fotos de Natais felizes em família, nem registros com amigos ou registros de visitas nos orfanatos por onde passou — e todos eram governamentais, ou seja, havia registro de tudo. Para a Oksana, não consta nada: nem avó, nem avô, tia, padrasto, pai biológico ou mãe. Sei que vocês vão sentir uma ausência imensa sobre o pai biológico no relato que preparei, mas não foi intencional. Realmente não existem dados ou informações sobre ele; é como se esse homem só tivesse participado da concepção. Existe um vazio imenso em relação a ele. Ao ler o relato, você pode ter pensado que talvez eu tivesse omitido essas informações de propósito para julgar a mãe ausente. De forma alguma eu faria isso, até porque o dever de criar um filho não é só da mãe: é 50% da mãe e 50% do pai. Portanto, esse homem é tão responsável por tudo o que aconteceu com a Oksana quanto a mãe. Quanto aos avós, em momento algum vou culpá-los por qualquer coisa. Eles eram idosos, aposentados, viviam de uma aposentadoria precária em um lugar simples, com uma vida difícil e sem nenhuma ajuda da filha — muito pelo contrário. Montar este caso foi uma missão muito difícil. Passei quase uma semana inteira só pensando em como construir a narrativa, pois é uma história que envolveu muito ódio. Quis poupar vocês um pouco durante a leitura, mas a verdade é que a Oksana foi julgada por grande parte da população ucraniana. Homens e mulheres de todas as idades a tratavam com ofensas, dizendo que a culpa do que aconteceu era dela: questionavam o que ela estava fazendo na rua à noite, por que se sentou para beber com três homens ou por que estava tão bonita e arrumada. Mesmo diante de toda a atrocidade que aqueles três covardes cometeram, a Oksana foi julgada enquanto agonizava no hospital e mesmo depois de morta. Essa parte podre e dolorosa eu não quis trazer na íntegra para vocês, pois seria como pisar em cima dela novamente. A memória que quero guardar é a desse rosto lindo e angelical de uma menina que esteve desprotegida durante toda a sua curta vida de apenas 18 anos. Não houve nada de feliz em sua infância, adolescência ou início de juventude, e isso é de partir o coração. Sou grata pela multidão que foi às ruas exigir justiça. Houve justiça? Para mim, não. A única justiça satisfatória aqui, para mim, seria fazer com eles exatamente o que fizeram com a Oksana. Nem mais, nem menos. Agradeço a todos que leram e participaram desta caminhada para conhecer a história da Oksana. Peço que, independentemente da sua religião ou crença, você eleve seus pensamentos para que ela esteja em paz e para que aqueles que a amaram de verdade encontrem conforto. Um grande abraço e vejo vocês no próximo caso.
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