Montagem digital a partir de imagem original. Crédito da imagem base: Notícias R7


16–24 minutos

📍Local: Contagem e região metropolitana de Belo Horizonte — Minas Gerais, Brasil
🗓️Data: 2009–2010 ✔️Caso: Solucionado

Ana Carolina de Assunção

Ana Carolina — Crédito: Globo/Minas. Restauração digital: Assustadores & Mistériosos. Aprimoramento de nitidez, sem alterações na fisionomia original.


Esse caso começa com Ana Carolina de Assunção, 27 anos. Era empresária, casada, mãe, filha, irmã, neta, sobrinha, prima e amiga. Jovem mãe de classe média, trabalhadora e muito querida por todos que conviviam com ela. Era vista como alguém com vida organizada e estável, cercada pela família e pela rotina que construía ao lado de quem amava. Entre as lembranças mais marcantes que deixou, destaca-se o seu sorriso, frequentemente lembrado como uma de suas principais características. Sua vida foi interrompida de forma brutal em 17 de abril de 2009, na Região Metropolitana. Naquele dia, Ana Carolina saiu de casa com o filho, um bebê de pouco mais de 1 ano e 4 meses, com destino à loja da família, onde também buscaria a mãe. Ao notar o carro passar direto sem parar, a mãe entrou em contato por telefone. Ana atendeu com voz tensa, disse apenas que estava bem, pediu que não fizessem perguntas e desligou rapidamente — já sob domínio de Marcos Antunes Trigueiro. Ana foi vítima de violência sexual dentro do veículo. Posteriormente, ela foi assassinada por estrangulamento com o cadarço do próprio calçado. O laudo confirmou asfixia e trauma cervical severo. Seu corpo foi encontrado no interior do próprio carro. Ao tentar fugir, o autor trancou o veículo pelo lado externo, acionando o alarme. O som chamou atenção da vizinhança e da polícia, que precisou quebrar o vidro para o resgate.

O bebê de Ana, foi encontrado vivo, deitado sobre o corpo da mãe, onde permaneceu por horas até ser resgatado

O celular de Ana, não estava no local.

A partida dela devastou toda sua família e amigos. Seu filho teve que crescer sem o amor e cuidado da mãe.

“… a gente só quer justiça.” – Jair Vinicius, irmão de Ana.

Tudo começou a partir do registro de uma ocorrência que parecia isolada, mas não era

Maria Helena Lopes Aguilar

Maria Helena — Crédito: Globo/Minas. Restauração digital: Assustadores & Mistériosos. Aprimoramento de nitidez, sem alterações na fisionomia original.


Com apenas 48 anos, Maria Helena , era empresária do ramo de vestuário e administrava lojas em Contagem e Belo Horizonte. Era descrita como uma mulher trabalhadora, dedicada à família e aos negócios. Presumo que Maria Helena tenha dois filhos. Pelo que observei assistindo a entrevistas. Em um dia comum, ela saiu do trabalho dirigindo seu próprio carro quando foi abordada na região do bairro Industrial, em Contagem. Segundo a investigação, o autor simulou um assalto e entrou no veículo, obrigando-a a dirigir até o bairro Califórnia, em Belo Horizonte. O carro foi posteriormente encontrado nessa região, onde o desfecho foi confirmado. Maria Helena foi vítima de violência sexual e assassinada por estrangulamento com o cinto de segurança do próprio veículo. O caso ganhou forte repercussão por causa da forma como foi descoberto: quem encontrou o corpo foi o próprio filho, Leandro Lopes Aguilar. Maria Helena era muito ligada ao Filho, eram muito próximos. Inicialmente, o ex-marido chegou a ser investigado, permanecendo como suspeito por mais de um ano, o que gerou grande sofrimento familiar e social. Leandro Aguilar contou ao Beto Ribeiro, que seu pai era muito apaixonado por sua mãe. E ser considerado suspeito do crime, foi devastador.

O celular de Maria Helena, havia sido levado.

A cidade se deparou com um caso que mudaria o rumo da investigação policial.

Edna Cordeiro de Oliveira Freitas

Edna— Crédito: Globo/Minas. Restauração digital: Assustadores & Misteriosos. Aprimoramento de nitidez, sem alterações na fisionomia original.


Edna de 35 anos, era contadora e dividia seu tempo entre o trabalho e os estudos. Em 11 de novembro de 2009, ao entrar em seu carro após o expediente, em Contagem, foi abordada pelo criminoso sob o falso pretexto de um assalto.

O veículo foi localizado no mesmo dia com os pertences de Edna, exceto seu celular.

O corpo foi encontrado no dia seguinte, abandonado em uma estrada de terra no Jardim Canadá, em Nova Lima. A perícia confirmou violência sexual e morte por estrangulamento, com sinais da brutalidade sofrida. Enquanto a família aflita ainda procurava por respostas, o assassino já acompanhava de perto o desespero dos parentes. Anos depois, o irmão da vítima, Éder Cordeiro, resumiu essa perversidade:

“A gente chorando lá, sem saber ainda o que tinha acontecido com a minha irmã, e ele olhando para a gente, se divertindo com o nosso sofrimento.”

Durante o julgamento, o promotor Francisco Santiago rebateu o cinismo do réu, que alegava esquecimento e arrependimento para tentar voltar às ruas:

“Acho um pouco tarde para isso, pois esse arrependimento não vai fazer com que famílias que perderam mães possam ter a tranquilidade de viver daqui para frente.

Ádna Feitor Porto

Adna — Crédito: Globo/Minas. Restauração digital: Assustadores & Mistériosos. Aprimoramento de nitidez, sem alterações na fisionomia original.


Com 34 anos, Adna era mãe dedicada de dois filhos e construía uma trajetória batalhadora como comerciante em Belo Horizonte. Querida por todos, fazia de sua rotina simples o porto seguro da família. Em janeiro de 2009, ao sair rapidamente para atender um cliente, sua história foi interrompida. Ádna foi abordada em seu carro e levada para longe. Seu veículo foi abandonado, dando início a uma busca angustiante que durou uma semana, até seu corpo ser localizado em uma área de mata em Sarzedo. Ela sofreu violência sexual e foi morta por asfixia.

​O desespero da busca deu lugar a uma saudade permanente. Além do impacto devastador na vida dos filhos, o crime trouxe um ponto de virada na investigação. A promotora Manuela Faria revelou que o assassino costumava guardar os celulares das vítimas como “troféus”.

No caso de Ádna, porém, ele cometeu o erro de passar a usar o aparelho dela — falha decisiva para a polícia rastrear seus passos e conectar os crimes diretamente a ele.

Natália Cristina Paiva

Natália Cristina— Crédito: Globo/Minas. Restauração digital: Assustadores & Mistérios. Aprimoramento de nitidez, sem alterações na fisionomia original.


Natália tinha apenas 27 anos, tinha um futuro promissor. Mãe dedicada de dois meninos, estudava Direito na PUC de Betim com o sonho de oferecer uma vida melhor aos filhos. Em outubro de 2009, ao sair de casa para a faculdade, sua trajetória foi brutalmente interrompida. Rendida no caminho, Natália foi levada para um local isolado, violentada e morta.

​A dor da perda transformou-se em indignação diante do descaso oficial. Localizado 22 dias após o crime em uma mata em Ribeirão das Neves, o corpo deu entrada no IML. No entanto, falhas graves na perícia catalogaram Natália sob o rótulo de “sexo indeterminado”, levando-a a ser sepultada como indigente. Durante meses, a família ligou diariamente para o instituto sem obter respostas, até conseguir a exumação após reconhecer as roupas da jovem. Em 2010, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, a tia de Natália, Edilene, deu voz ao sofrimento da família e denunciou a negligência das autoridades:

“Para a polícia, 24 horas pode ser pouco, mas para as famílias é muito.”

​O trágico caso de Natália expôs as falhas no sistema e tornou-se peça-chave para alertar a população e a polícia sobre a atuação do serial killer na região.

O celular de Natália também foi levado após o crime

O aparelho acabou sendo encontrado queimado na casa de Marcos Antunes Trigueiro. Mesmo danificado, porém, seu número de série permaneceu intacto, permitindo que a polícia comprovasse que o telefone pertencia a Natália. A investigação descobriu ainda que o aparelho havia sido utilizado por Trigueiro durante meses após o assassinato. O telefone foi usado pela última vez em 4 de fevereiro de 2010, quando, segundo a reconstrução da investigação, teria sido queimado. Um pequeno aparelho, aparentemente destruído, acabou deixando para trás uma importante pista da investigação.

Anatomia de um SK

Marcos Antunes Trigueiro. Crédito: Estado de Minas.


Apatia Desde o Início: Os Primeiros Passos de Marcos Trigueiro

Antes de virar um dos nomes mais temidos de Minas Gerais, Marcos Antunes Trigueiro era um mineiro de Brasília de Minas, no norte do estado, onde nasceu em 29 de maio de 1978. Mas saber como foi a sua infância é difícil — é como andar no escuro: quase tudo o que se sabe vem de histórias soltas, porque a família quase não falava sobre isso. O pouco que se conta é que ele cresceu numa casa onde havia muita violência. A mãe teria ido embora por causa das agressões, deixando Marcos — o mais velho de três irmãos — com o pai. Não há registros sobre como ele estudava ou se convivia com outras crianças; o que se sabe vem só de quem o conhecia naquela época. Nos relatórios da polícia, uma descrição aparece sempre: um menino calado, fechado, quase invisível. Falava pouco, não se aproximava de ninguém, não chamava atenção. Muito antes de aparecer nos jornais como criminoso, Trigueiro já vivia sozinho — um menino afastado do mundo, e isso parecia anunciar o que viria a ser mais tarde.

A Geografia da Perversão: O Conhecimento Cirúrgico das Ruas

Anos depois, Trigueiro foi morar na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Fingindo ter uma vida comum, trabalhou em serviços manuais: foi pintor — inclusive de carros — e motorista de ônibus. E foi justamente assim que ele criou o seu maior perigo: conhecia cada cantinho da cidade como ninguém. Não era só dirigir pelas ruas; ele estudava tudo. Anotava caminhos, rotas para fugir, lugares escondidos e terrenos afastados. Sabia a cidade inteira de cor, por dentro e por fora — e usava isso tudo para fazer o mal.

Fora do trabalho, continuava o mesmo: frio e sem sentimentos. Não tinha amigos de verdade, nem vínculos com ninguém, passava muito tempo sozinho em casa. Parecia uma pessoa normal, quase invisível — mas por trás disso, não sentia remorso nenhum e usava a própria rotina para se esconder bem ali, na frente de todo mundo.

A Falsa Normalidade e o Laudo da Frieza

​ Na vida dele, tudo era uma fachada montada de propósito. Dizem que Trigueiro se casou duas vezes e teve cinco filhos. Enquanto cometia os crimes, vivia com a esposa — que chegou a ser presa no começo das investigações, mas foi logo liberada, porque a polícia viu que ela não fazia a menor ideia do que o marido fazia de errado. Depois que ele foi preso, exames e avaliações mostraram de vez quem ele era: não tinha nenhuma doença ou problema mental que o impedisse de saber o que fazia. Ele sabia perfeitamente cada atitude. Os laudos definiram o seu perfil: um predador de verdade. Frio, organizado, que queria controlar tudo e fazia cada coisa com consciência — sem agir por impulso e sem sentir o menor remorso.

A Escalada da Crueldade

​Antes de espalhar pavor por toda a Região Metropolitana, a vida de Marcos Antunes Trigueiro já era marcada por violência e por não ligar nem um pouco para a vida das pessoas. Entre 2004 e 2005, ele matou por dinheiro e maldade em dois crimes terríveis: assassinou o taxista Odilon Eustáquio e matou de forma covarde o dono de uma pizzaria em Contagem. Nesse caso, depois de roubar mais de R$ 8 mil, ele atirou friamente no homem e fugiu — mostrando que não tinha nenhum pingo de compaixão.

​Esse senhor, já era uma ameaça cruel à espreita. Depois que apareceu na televisão, a proteção que ele achava ter começou a cair: mulheres que sobreviveram ao que ele fez perderam o medo e resolveram falar. Duas delas contaram que foram levadas e violentadas por ele; uma terceira conseguiu fugir por sorte, quando ele tentou se aproximar dela no trânsito. Anos depois, descobriram que ele já fazia isso desde 1997. Mesmo tendo sido preso por esses crimes terríveis, o sistema errou e o soltou de volta para a sociedade. Livre, Trigueiro voltou a agir — e não apenas repetiu o que fazia: agora era ainda mais perigoso e calculista.

A Metodologia Sádica: O Protocolo da Morte

Na sua fase mais letal, Trigueiro transformou o crime em método. Ele agia sob uma disciplina cínica e repetitiva, convertendo cada abordagem em um cerco sem escapatória e sem qualquer traço de compaixão.

A Abordagem: Ele se aproximava sem ser visto, no fim da tarde ou começo da noite, e pegava as vítimas quando estavam mais desprotegidas, na hora de entrar ou sair de casa ou do trabalho.

Domínio Pelo Terror: Ele obrigava a vítima a obedecer, apontando uma arma ou fazendo ameaças claras, e a prendia dentro do próprio carro.

A Viagem do Medo: Condução forçada rumo a rotas ermas e rodovias escuras, longe de qualquer possibilidade de resgate.

A Farsa do Alívio: O controle não era apenas físico, mas psicológico. Trigueiro prometia libertar a vítima assim que ela se vestisse após os abusos. A promessa de vida era mentira; era apenas o passo final do seu plano para atacar sem dar chance de defesa.

O Ataque Implacável: A execução letal perpetrada de forma covarde no exato instante em que a vítima acreditava na promessa de vida.

O Roubo e o Abandono: Ele levava o celular — e depois deixava o corpo e o carro abandonados.

A regularidade que assombrava não era sorte nem acaso: era o plano calculado de um assassino que sabia exatamente o que fazia — e aperfeiçoou a arte de matar sem hesitar.

🔍 Quem era a vítima perfeita para ele?

Nas investigações da Polícia Civil de Minas Gerais e nas análises de perfil do caso, uma coisa ficou muito clara: não existia um padrão físico. Ele não escolhia por cor de cabelo, altura, tom de pele nem tipo de roupa. O “tipo” de Trigueiro não estava na aparência — estava em quem aquela mulher era e o que fazia.

Os investigadores e especialistas descobriram o que realmente definia o alvo:


As vítimas tinham algo em comum
: a aparência de mulheres de classe média, bem-arrumadas, com boa postura e, principalmente, dirigindo o próprio carro. Não importava se era loira ou morena, alta ou baixa — ele buscava mulheres que pareciam donas de si, instruídas e ativas.

O Verdadeiro Gatilho
O que realmente acionava o ataque era uma mulher sozinha no banco do motorista, ao fim da tarde. Se ela estivesse ali, sozinha, no trânsito ou estacionando — pronto, já era alvo. Naquele instante, não importava mais nenhum detalhe físico: a vulnerabilidade estava posta, e ele agia.

Por que exatamente esse perfil?
Os especialistas explicam: não era ódio aleatório. Era poder. Dominar uma mulher que demonstrava ter vida própria, dinheiro, autonomia e elegância — isso alimentava a mente dele. Destruir alguém que parecia ter tudo sob controle era exatamente o que ele queria. Cada vitória sobre elas era uma forma de se sentir maior.

A construção do perfil do monstro

A criminóloga Ilana Casoy foi a peça-chave que ligou os pontos. Ela mergulhou em cada detalhe dos autos e comparou tudo, um por um:

As vítimas: mulheres de classe média, bem-arrumadas, profissionais independentes — todas dirigindo o próprio carro. Idades diferentes, mas o mesmo perfil de vida: autônomas, ativas, com rotina de trabalho. A hora e o lugar: sempre fim de tarde ou início da noite, saindo ou chegando do trabalho, na região do Bairro Industrial, em Contagem.

Como agia: aproximava-se apontando uma arma → obrigava a vítima a seguir viagem → levava para local deserto e escuro. Sempre dentro do próprio carro da vítima. O que fazia: estuprava e depois estrangulava — cadarço de tênis, cinto de segurança, o que tivesse à mão. Depois pedia que se vestissem, como se fosse soltá-las… e matava. Como deixava a cena: roubava sempre o celular → deixava o corpo e o carro em estradas afastadas, no breu total.

Cada detalhe parecia à toa sozinho. Junto, era a mesma assinatura em todos os crimes. Foi isso que Ilana mostrou à polícia: não eram casos separados. Era um único homem, repetindo e aperfeiçoando cada passo. E isso deu à polícia o que faltava: um alvo definido e um método para caçá-lo.

O Deslize Tecnológico

Trigueiro cometia os crimes com rigoroso cálculo, mas mantinha um hábito predatório: subtraía os aparelhos celulares de suas vítimas como “troféus” ou para revenda. A virada na investigação ocorreu quando a ex-esposa de Trigueiro começou a utilizar o telefone celular de uma das vítimas (no qual ele havia trocado o chip). Com auxílio de peritos e o rastreamento das ERBs (antenas de telefonia), a Polícia Civil cruzou o código de identificação do aparelho (IMEI) com a nova linha cadastrada no nome da mulher. Ao levantarem os dados da titular da linha, os investigadores identificaram o marido: Marcos Antunes Trigueiro.

A Prisão

🗓️Data e Dia da Semana: Sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010. 🕕 Horário: Início da manhã, por volta das 06h00. 📍Bairro Lindéia (na divisa com o Bairro Industrial), em Contagem / Região Metropolitana de Belo Horizonte.

​Cerca de 15 policiais civis cercaram a residência de Trigueiro para cumprir o mandado de prisão temporária. É fato consumado: ele tentou se esconder debaixo da cama. Ao entrarem no imóvel e realizarem a varredura, os agentes o encontraram escondido embaixo da cama. No interior da casa, os policiais localizaram os aparelhos celulares de três vítimas, o que serviu como prova material incontestável do seu vínculo com os latrocínios e assassinatos.

A bolsa de colostomia

  1. A Abordagem na Casa: Quando foi puxado de baixo da cama, Trigueiro pediu calma aos policiais alegando que usava uma bolsa de colostomia que havia vazado. Ao revistá-lo, os agentes notaram o forte odor de fezes e perceberam que a bolsa realmente estava rompida. Esse detalhe biológico foi uma pista fundamental, pois ligou o suspeito diretamente à cena do crime: o carro da vítima Edna Cordeiro havia sido abandonado com as mesmas marcas e odores idênticos.
  2. O Cheiro na Delegacia: Durante o interrogatório, o odor tomou conta da sala de oitiva. Incomodado com o cheiro insuportável no ambiente fechado, o delegado responsável questionou de forma direta se o suspeito havia se descuidado ou “se peidado” ali mesmo. Trigueiro permaneceu acuado e calado, momento em que os agentes perceberam que o vazamento da bolsa tinha se intensificado com o estresse da prisão.

​A confirmação definitiva veio no mesmo dia: o material genético (DNA) recolhido de Trigueiro foi confrontado com o sêmen colhido nas cenas dos crimes. O resultado deu positivo, fechando oficialmente a caçada ao Maníaco de Contagem.

A esposa dele também ė presa

Rose PTC. Crédito: O Tempo.

Seis dias após ser presa ao lado do marido, Rose P. T.C. 27 anos, deixou a Penitenciária Feminina Estevão Pinto, em Belo Horizonte, na noite de 17 de fevereiro de 2010. Manicure e esposa de Marcos Antunes Trigueiro, ela havia sido detida após ser encontrada com o celular de uma das vítimas.

Antes de ser libertada, Rose reencontrou o marido no Departamento de Investigação. O encontro durou cerca de dez minutos e foi marcado por choro, pedidos de perdão e declarações de amor. Em seguida, ela prestou novo depoimento, afirmando que Trigueiro lhe dissera ter recebido os aparelhos como pagamento por serviços.

Rose declarou ainda que jamais imaginara que o próprio marido pudesse ser o homem procurado pelos assassinatos e disse acreditar na inocência dele, apesar das suspeitas que já existiam. O delegado Frederico Abelha considerou seu depoimento convincente e a Polícia Civil concordou com sua libertação. Ao sair da penitenciária, acompanhada pelo pastor da família, Rose afirmou estar profundamente abalada.

“A mesma dor que as famílias das vítimas estão sentindo eu também estou”.

– Uma tentativa de equiparação que soa quase como um afronta. Não, senhora: a sua dor não chega nem perto da devastação enfrentada pelas mães, pais, irmãos e filhos que perderam quem amavam. A manicure afirmou ainda que nunca imaginou que o marido pudesse ser o maníaco do bairro Industrial.

“Peço perdão às famílias das vítimas”,

finalizou. O primeiro encontro entre ela e o marido aconteceu uma dia antes de ela ser liberada. O momento entre os dois — ocorrido em uma sala do Departamento de Investigação (DI) — durou cerca de dez minutos e foi marcado por muito choro, dela, e pedidos de perdão e declarações de amor, por parte dele.

A Conta Chega na Justiça

Depois de ser capturado e desmascarado pelas provas de DNA e pelos celulares das vítimas, Marcos Antunes Trigueiro não teve como mentir: ele confessou os assassinatos. A partir daí, a Justiça começou a julgar caso por caso. O resultado foi uma sequência de condenações pesadas que escancararam a crueldade dos seus atos.

​Ao todo, ele enfrentou pelo menos cinco julgamentos no Tribunal do Júri e somou mais de 200 anos de prisão.

​ ✔️Vale lembrar uma coisa importante sobre a nossa lei: mesmo que a soma das penas passe dos 200 anos, na época dos julgamentos o limite máximo que alguém podia passar de fato atrás das grades no Brasil era de 30 anos (regra que mais tarde mudou para 40 anos).

As Condenações Caso a Caso

​Confira como a Justiça puniu o serial killer por cada uma das vidas que ele destruiu:

  • Ana Carolina Menezes Assunção: Condenado a 34 anos e 5 meses por homicídio qualificado, estupro, furto e por ter colocado a vida do filho pequeno da vítima em risco.
  • Edna Cordeiro de Oliveira Freitas: Condenado a 36 anos e 9 meses por homicídio triplamente qualificado, estupro e furto.
  • Natália Cristina de Almeida Paiva: Condenado a 31 anos, 8 meses e 10 dias por homicídio triplamente qualificado, duplo estupro e furto.
  • Ádina Feitor Porto: Condenado a 30 anos e 5 meses por homicídio qualificado, estupro, ocultação de cadáver e furto.
  • Maria Helena Lopes Aguilar: Condenado a 28 anos por homicídio qualificado, estupro e furto.

​As decisões da Justiça fecharam a conta de um dos capítulos mais sombrios da história de Minas Gerais, garantindo que o predador ficasse trancado e isolado da sociedade.

“Estou procurando uma mulher”.

​E é impressionante como essa atração irracional que algumas mulheres sentem por psicopatas e serial killers acontece no mundo todo, né? Sério, não dá para entender! E, claro, aqui no Brasil a história não é diferente.

​Mas o mais inacreditável é que, mesmo condenado por crimes terríveis contra mulheres, o Marcos recebe milhares de cartas de pessoas querendo namorar com ele. Após uma entrevista à repórter Thais Furlan, ele pediu ajuda para arrumar uma namorada, dizendo:

“Estou procurando uma mulher”.

Pois é, ele tem muitas namoradas que vão lá, viu? E isso, e além das milhares de cartas. É… Ah, e a fila é tão grande que ele tem que terminar logo com uma para ficar com outra. Sem comentários.

Um grande abraço, e até o próximo caso! A&M


Fontes Consultadas

🚔 Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG)⚖️ Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG)📰 G1 Minas Gerais🗞️ Estado de Minas📰 O Tempo📖 Correio Braziliense🗞️ Diário de Contagem📺 TV Globo / MGTV🔎 Wikipedia (apenas como referência complementar)

“A humanidade não pode suportar muita realidade.”

T. S. Eliot

Entrevista
error: Content is protected !!

Descubra mais sobre ASSUSTADORES & MISTERIOSOS

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo