Imagem da residência dos Columbo, restaurada digitalmente. 55 Brantwood Avenue, Elk Grove Village, I60007, Crédito:Daily Herald.
📍Chicago, Illinois | EUA
Oi gente, como vocês estão? Eu espero que estejam bem.
Importante: Este conteúdo tem caráter informativo e foi produzido com base em fontes oficiais, incluindo investigações, depoimentos, laudos e decisões judiciais. Todas as informações refletem os registros disponíveis sobre o caso.
“As coisas nem sempre são o que parecem.”
— Phaedr
21 de junho de 1956 | Infância e adolescência
Patrícia Columbo, é filha de Frank e Mary Columbo. Frank — trabalhava muito para sustentar a família. Patrícia, até então crescia Como filha única do casal. Frank era um homem conservador, à moda antiga. Daqueles que que a mulher deveria ficar em casa, cuidando dos filhos, da casa e das refeições, enquanto o homem saía para trabalhar e sustentar o lar. Esse era o pensamento dele — o que não o tornava um homem ruim. Nesses aspectos. Patrícia nasceu em uma família estruturada, organizada e simples. O pai, um italiano, um homem muito trabalhador. Ele trabalhava no ramo de auto peças. E Patty, era o xodózinho da família. A princesinha da casa. Antes de engravidar de Patrícia, sua mãe, Mary, trabalhava como enfermeira. Mas, com a gravidez, ela e o marido conversaram e decidiram que seria melhor que ela ficasse em casa, dedicada à criação da filha.
Ela era uma criança muito querida e extremamente inteligente. Como os pais evitavam que ela brincasse na rua com outras crianças — por medo. Tinha medo que algo ruim pudesse acontecer — ela convivia muito mais com adultos. Ela passava tempo com tios, avós, amigos dos pais que frequentavam a casa… almoços, reuniões… esse era o ambiente dela. E isso teve um efeito direto: Patrícia desenvolveu uma maturidade acima do normal para a idade. Em coisas práticas do dia a dia — formas de falar, entender situações, até conhecimentos que normalmente crianças não têm — Patrícia já dominava. Desde pequena, ela demonstrava essa maturidade. Ela demorou um pouco para ir à escola. Na época, na região onde moravam, havia basicamente escolas católicas, conhecidas por serem muito rígidas. Frank, que havia estudado em uma, sabia como era e não queria isso para sua filha — sua “princesinha”.
Por isso, manteve Patrícia em casa por mais tempo. Quando finalmente começou a estudar, foi um período de grandes descobertas: ela pôde fazer amizades com crianças da mesma idade, conhecer professores com quem se identificava e, acima de tudo, exercitar ainda mais sua facilidade de comunicação — algo que já trazia de sua convivência com adultos. E ao contrário do que muitos poderiam imaginar por saber mais do que a média para a sua idade, Patrícia não era arrogante. Muito pelo contrário: aprendia com facilidade e usava esse dom para ajudar os colegas — explicava conteúdos, compartilhava o que sabia e auxiliava em matérias como matemática, geografia e história. Era querida por todos: professores, direção e funcionários da escola. Em casa, a rotina era simples, mas tranquila e feliz.
Eles moravam em um apartamento alugado, que pertencia a duas irmãs. Janet e Marilyn Grower. Essas irmãs se tornaram muito próximas do casal, especialmente de Mary. Passavam bastante tempo juntas — trocando receitas, conversando, tomando café… criando uma amizade muito forte no dia a dia. Quando souberam da gravidez, ficaram extremamente felizes.
Ficou bem óbvio que com toda essa proximidade, uma delas já imaginava que seria convidada para ser madrinha da bebê que estava por vir. E foi isso o que aconteceu. Uma das irmãs se tornou madrinha de Patrícia, e o padrinho foi um grande amigo de Frank. A vida, então, seguiu. Patrícia nasceu, e Mary… mesmo tendo, no fundo, o desejo de continuar sua carreira como enfermeira… aceitou a decisão que havia sido tomada junto com o Marido. Patrícia amava ser filha única. Ela tinha toda a atenção dos pais voltada para ela — exclusivamente para ela. E, para Patty, estava perfeito assim. Certa vez, chegou a dizer para a mãe:
“Se você ficar grávida de novo, mamãe… eu prefiro que seja uma menina.”
E isso tinha uma explicação. Patrícia dizia para todo mundo — familiares, amigos dos pais, e até para os próprios pais — que meninos eram sujos, fedorentos e chatos. Era assim que ela enxergava.nNa cabeça dela, os meninos da escola eram bagunceiros, desorganizados… e isso fazia com que ela criasse essa visão. Já as meninas, não. Ela via as meninas como sempre cheirosinhas, com os cabelos arrumados, roupas bem passadas, limpas, educadas… “boazinhas”, como ela mesma dizia. Então, na lógica dela, se um dia tivesse um irmão…teria que ser uma menina. E tinha até escolhido o nome. Suzy. 📍Agora vamos olhar para outro membro sombrio dessa família. Patrícia tinha um tio… lembra que eu comentei que ela cresceu cercada por adultos? Tios, avós, sempre muita convivência com pessoas mais velhas.Como muitas crianças, ela tinha um tio preferido — aquele “tio legal”, que traz presentes, lembrancinhas, pega no colo e leva para passear. Esse tio se chamava Gus. Ele era um homem de meia-idade, não muito velho, e trabalhava vendendo doces, fazendo entregas em uma espécie de caminhonete, sempre em lugares diferentes: um bairro hoje, outro amanhã, às vezes até cidades vizinhas. Nessa época, a mãe de Patrícia, Mary, estava grávida do segundo filho, Michael. A chegada desse bebê iria mexer bastante com a dinâmica da casa e com a vida de Patrícia. Mary não esperava uma menina — era um menino. Gus era visto como um homem correto, querido pela família e pelos vizinhos, alguém de confiança. Como Mary estava grávida, cansada e sobrecarregada com a rotina da casa, Gus passou a levar Patrícia com mais frequência nas entregas. Ele já fazia isso em alguns momentos.
Para Patrícia, aquilo era muito divertido: conhecer lugares novos, ver pessoas diferentes, e ainda estar na caminhonete cheia de doces. Quando o tio aparecia para buscá-la, era sempre motivo de grande alegria. Por um tempo, ele foi visto como esse tio presente e aparentemente cuidadoso. E, aos olhos de Mary, isso também ajudava — já que ela conseguia algum tempo para descansar.Nesse período, a gravidez já estava no final. Mary sentia muito cansaço, inchaço nos pés, dores nas pernas e desconforto abdominal. O parto se aproximava, e a rotina da casa ficava ainda mais difícil. Aos poucos, esses passeios com Gus se tornaram mais frequentes. Por volta dos sete anos, de Patrícia, o irmão nasceu. Michael chegou no dia 10 de abril de 1963. E, de forma inesperada, ela reagiu de um jeito confuso: no dia seguinte, foi para a escola e contou a colegas e professores que sua “irmãzinha” havia nascido e que se chamava Suzy — exatamente como ela gostaria. A escola chegou a comunicar os pais, e Patrícia foi repreendida de forma mais rígida. Na época, isso foi interpretado apenas como ciúmes por ter deixado de ser filha única, e o assunto não foi aprofundado. Nesse período, Gus influenciava a forma como ela percebia a situação, dizendo que era melhor ter nascido um menino, porque assim não precisaria dividir a atenção com outra menina. Essas falas foram se acumulando na mente da criança. Com o tempo, Patrícia mudou de atitude. Passou a aceitar melhor a chegada do irmão, aproximou-se de Michael, começou a brincar com ele e a ajudar a mãe nos cuidados com o bebê, desenvolvendo carinho por ele. E a rotina com o tio continuava. Enquanto a família se organizava com o novo bebê, Gus se aproximava ainda mais. Mary estava cada vez mais ocupada, e ele reforçava para Patrícia que ela era especial, bonita e querida. Os passeios aumentaram: milkshakes, sorvetes, presentes e doces passaram a fazer parte dessa rotina. Em determinado momento, ele passou a reforçar novamente a ideia de que era “melhor” que o bebê fosse um menino, para que ele não precisasse dividir a atenção com outra menina, dizendo que Patrícia continuaria sendo “só dele”. Para uma criança, isso soava como atenção e exclusividade.
Foi em um desses trajetos de trabalho, em um local mais isolado, que ele parou o carro sob o pretexto de uma pausa para descansar. A partir daí, passou a ultrapassar limites graves de confiança e segurança. Ele abusou de Patrícia pela primeira vez. Esse comportamento se repetiu ao longo dos anos. Patrícia, ainda criança, não tinha compreensão do que estava acontecendo e não tinha com quem conversar sobre isso. Ele reforçava o segredo, dizendo que era algo entre os dois. E ela, tentando não desagradar aquele tio que sempre foi “legal”, permanecia em silêncio. Essa sequência de abusos, duraram cerca de seis anos. Até que a família se mudou — Frank, Mary, Patrícia e Michael, que já tinha por volta de seis anos, foram para outra cidade.
📍 55 Brantwood Avenue, Elk Grove Village, I60007, subúrbio de Chicago, Illinois | EUA
Dessa vez, passaram a viver em uma casa própria, maior, com mais espaço, quintal e melhores condições. Nova casa era grande, confortável, com um quintal amplo na frente — aquele estilo bem comum em algumas regiões dos Estados Unidos, sem muros, tudo aberto, gramado bem cuidado. Era uma vida aparentemente tranquila. O pai mais estável financeiramente, a mãe cuidando da casa, o irmão crescendo… e Patrícia sendo, aos olhos de todos, uma irmã dedicada, carinhosa, presente. E agora, longe daquele tio… A vida parecia, finalmente, entrar nos trilhos. Mas a gente sabe…As coisas mudam, e as vezes não mudam para melhor. Agora, então, estamos nessa nova cidade. Patrícia agora com 14 anos. Uma adolescente — muito bonita, vaidosa, inteligente… e bastante comunicativa. Ela conversava com todo mundo, tinha facilidade social, e levava uma vida que, aparentemente, era muito boa. Afinal, a família agora estava mais estável. Frank, o pai, começou a chegar do trabalho sempre muito exaltado. Cansado, irritado, nervoso. Todos os dias. Eles estarem bem financeiramente agora, tem um preço: Frank trabalha muito. Ele chegava reclamando de alguma coisa, batia na mesa, demonstrava frustração… Mas é importante dizer: não era diretamente com a família.
Nem com Mary, nem com Patrícia, nem com Michael. Nem como cachorrinho da família. Era o estresse do trabalho. Só que esse estresse… ele trazia para dentro de casa. E isso começou a pesar. Qualquer coisa parecia motivo para irritação. Até coisas pequenas — como um jogo de futebol que não saía como ele queria. Era uma casa grande, de dois andares, com quatro quartos, banheiros e bastante espaço. A rotina da família seguia normal, dentro do possível. Agora, sobre a divisão da casa: No andar de cima, ficavam dois quartos. Um deles era o quarto do casal — Frank e Mary — com suíte. No outro quarto, ficava Michael, que ainda era pequeno. Seis anos. Já Patrícia…Ficava no andar de baixo. Sozinha. Ela tinha um quarto grande, espaçoso, bem decorado — um espaço só dela. Bom… sendo uma casa grande — alguns diriam até uma pequena mansão — tinha um detalhe importante. Porque, depois que o pai chegava do trabalho, cansado, e a mãe, exausta do dia, subiam para dormir… Michael, ainda criança, também ia cedo para o quarto.
Então você pode até imaginar: “Ela ficou com medo? Assustada? Insegura?” Mas não. Ela adorou. Simplesmente amou a ideia de ter o andar de baixo inteiro só para ela. Aquele espaço, aquele silêncio… aquela liberdade. Tudo aquilo era dela. Podia leve as amigas para ouvirem músicas , dançar, fazer as , fofocar e comer besteiras. Cerca de dois anos depois de já estarem naquela nova casa — e já distante do tio — ela começou a ter pesadelos.
Ela esta com 14 anos. Pesadelos relacionados ao que viveu na infância. Mesmo tendo ficado anos sem aquilo… as lembranças começaram a voltar. E, agora adolescente, dormindo sozinha no andar de baixo, isso começou a afetar muito ela. No inicio ela amou que seu quarto fosse em outro andar. Ela podia ouvir suas músicas, levar amigas. Mas isso só dura 2 anos. Agora… Ela acordava várias vezes durante a noite.
Sentia medo. Então, passou a dormir no quarto do irmão, Michael. No início, Frank e Mary acharam que era apenas uma fase. Algo passageiro — medo de dormir sozinha em um espaço tão grande. Eles não faziam ideia do que ela tinha vivido. Não sabiam de absolutamente nada. Patrícia nunca contou… e não pretendia contar. Porque, como você lembra, o tio sempre reforçava que aquilo era um “segredo” entre eles. E ela cresceu carregando isso sozinha. Com o tempo, os pais perceberam que ela não queria mais voltar para o quarto dela no andar de baixo. Preferia dormir no andar de cima, perto do irmão. E, pensando também na própria dinâmica da casa… Frank e Mary decidiram fazer uma mudança. Como casal — trouxe mais privacidade. A gora, olhando para a trajetória da Patrícia, dá pra perceber um padrão importante. Desde pequena, ela sempre recebeu muita atenção. Era filha única, o centro da família, querida por todos. Na escola, conquistava os colegas ajudando, ensinando — e recebia reconhecimento por isso. Os professores gostavam dela. Ela era vista como inteligente, gentil. Mesmo quando algo poderia ter se tornado um problema — como o nascimento do irmão — aquilo foi “reorganizado” na cabeça dela. E ela passou a amar o irmão, cuidar dele, ser presente. Agora, nesse novo momento… Patrícia estava com todos os momentos, anos de abusos, guardados dentro de sua memória. Ainda havia muita coisa não resolvida. Patrícia entra em uma nova fase. Agora dormindo no andar de cima, ela se sentia mais protegida, mais segura. Aos poucos, os pesadelos começaram a diminuir.
Imagem ilustrativa*
Ela foi recuperando a confiança. E, como toda adolescente, passou a ter uma vida social mais agitada. O lugar preferido dela? A piscina pública. Era ali que ela se sentia bem. Onde podia se distrair, conversar… e também observar os garotos mais velhos. E foi lá que ela se interessou por um em especial. Jack. Um rapaz que jogava no time júnior de futebol. Ele era só um ano mais velho que ela… mas, para Patrícia, parecia bem mais maduro. E isso chamou a atenção dela. Então ela começou a frequentar a piscina com mais frequência.
O Primeiro Namoradinho
Sempre de olho nele. E não demorou muito… Jack também começou a notar Patrícia. Achou ela bonita, simpática… e os dois acabaram se aproximando. Começaram um namoro. Mas um namoro secreto. Por um ano inteiro, Patrícia não contou nada aos pais. Quem descobriu? O irmão mais novo, Michael. De 8 anos. E, como irmão mais novo costuma implicar, ser chato. Mas, nesse caso, foi além. Ele passou a fazer pequenas chantagens — coisas de criança, mas que colocavam Patrícia em uma situação complicada. Dizia que contaria aos pais se ela não desse alguma coisa em troca… um objeto, um agrado, parte da mesada. E ela, com medo de ser descoberta, acabava cedendo. Michael se divertia com aquilo. E Patrícia foi vivendo essa fase dividida: Enquanto isso, os pais não desconfiavam de nada. Achavam que ela vivia apenas a rotina comum da idade — escola, amigos, piscina. Era um namoro típico de adolescente. Havia carinho, proximidade… beijos, abraços… mas não passou disso. Tinha sim a famosa “mão boba”, mas apenas isso. E isso tinha um motivo. Patrícia carregava traumas da infância. Quando a relação começava a avançar, ela travava. Sentia medo. Adiava. Se afastava desses momentos. Até que, depois de um ano… Cansada da situação — do segredo, das chantagens do irmão — ela decidiu dar um basta. E contou para o pai. Disse que estava namorando… que o nome dele era Jack… e que aquilo já vinha acontecendo há algum tempo.
Com o passar do tempo, a situação na família de Patrícia parecia, enfim, esclarecida. Os pais já sabiam sobre o relacionamento dela com Jack e, embora inicialmente discreto, o namoro já não era mais um segredo. Em um determinado dia, Mary convidou Patrícia para acompanhá-la ao shopping, pois o irmão mais novo precisava de uma calça. A marca que ele gostava só era encontrada em uma loja específica, que ficava um pouco distante de casa. Como Mary não queria ir sozinha, chamou Patrícia para fazer companhia e ajudá-la na escolha. As duas foram juntas, fizeram as compras e levaram a peça para o irmão. Na saída da loja, enquanto caminhavam em direção à praça de alimentação… Patrícia viu Jack sentado em um banco de madeira dentro do shopping, em um encontro romântico com outra menina. E quem já passou pela adolescência, sabe o quanto é dolorido.
A cena foi devastadora para ela. Jack era seu primeiro amor: o primeiro crush, o primeiro beijo, o primeiro relacionamento. Após cerca de um ano de namoro com Jack, Patrícia acreditava que aquele sentimento era verdadeiro. Por isso, vê-lo com outra garota foi profundamente doloroso. Elas foram embora, e ao chegar em casa, Patrícia ficou muito abalada. Chorou bastante e perdeu o interesse em atividades do dia a dia, como ir com os pais, assistir filmes ou participar da rotina escolar. Nos dias seguintes, ela aguardava que Jack entrasse em contato para pedir desculpas, demonstrar arrependimento e tentar reatar o relacionamento. No entanto, essa ligação nunca aconteceu. Pelo contrário, Jack procurou Patrícia apenas para propor um acordo: ele sugeriu que poderiam voltar a namorar, desde que ambos tivessem liberdade para se relacionar com outras pessoas. Patrícia recusou imediatamente, pois ainda tinha sentimentos por ele e desejava um namoro somente entre eles. A partir disso, seu estado emocional piorou. Ela passou a se sentir mais triste e desmotivada, vivendo uma espécie de sofrimento emocional intenso ligado à sua primeira desilusão amorosa. Ela só tinha 14 anos. Sem muita liberdade para expressar seus sentimentos em casa, já que os pais eram mais conservadores, Patrícia conversava apenas com amigas da escola. Com o tempo, começou a apresentar queda no rendimento escolar e perda de interesse nas atividades, algo que antes não acontecia, já que era uma aluna dedicada, com boas notas e comportamento exemplar.
Em um determinado dia, Jack passou a levar a situação a um nível ainda mais cruel: começou a passar de carro em frente à casa de Patrícia com a nova namorada ao lado. A cena era repetida, proposital e visível da janela do quarto dela. Isso a deixou muito abalada. Patrícia, então, se trancou no quarto e teve uma crise de choro intensa, completamente desestabilizada emocionalmente. Ela chorava de forma descontrolada Era o fim do que ela acreditava ser seu primeiro amor. O pai, ao perceber a situação, foi até o quarto e bateu à porta exigindo explicações. Patrícia abriu e, em meio ao choro, ela contou o que estava acontecendo: a traição de Jack e a forma como ele a estava humilhando. Sem esperar a filha terminar seu desabafo… o pai a agrediu fisicamente com um tapa muito forte no rosto. O impacto foi tão forte que Patrícia caiu sobre a cama. A mãe ficou em choque, assim como a própria Patrícia. O pai saiu do quarto imediatamente, e a mãe tentou contê-lo. Patricia permaneceu sozinha, em estado de confusão e tristeza , agora lidando não apenas com a dor da desilusão amorosa, mas também com a violência dentro de casa. O tapa deixou um hematoma visível em seu rosto, o que a impediu de frequentar a escola por cerca de uma semana. Nesse momento, Patrícia passa a viver um profundo abalo emocional, marcado pela desilusão amorosa adolescente e pela violência do pai. Então, naquele momento, que o pai entra a questionando do motivo daquele choro, ela conta tudo. Na cabeça dela, ela estava desabafando com o pai e com a mãe. Ela só buscava carinho, um abraço. Só isso. Mas a reação do pai… Porque, ao invés de sentar com ela, na beirada da cama, e dizer algo como: “Minha filha, você é linda, inteligente, vai aparecer alguém melhor, esquece esse menino.”
Não. Nada disso. Frank simplesmente reage daquela forma. E nem Mary — a mãe, que estava ali — consegue reagir. Ela também fica espantada. Naquele momento… parece que tudo congela. Ninguém esperava aquela reação…Totalmente desproporcional. Talvez ele tenha visto o sofrimento da filha como fraqueza, como algo sem importância. Mas, independente disso… Aquilo marcou Patty. Embora Mary fosse uma boa mãe — cuidadosa, presente, protetora — ela não era exatamente aquela mãe “melhor amiga”. Ela era mais distante. Não chegava a ser fria… mas mantinha uma certa barreira. Ela ocupava o papel de mãe — não de confidente.
Algo muda dentro de Patrícia. Ela começa a se questionar: “Será que meus pais me amam mesmo?” E a partir disso, ela começa a revisitar tudo. As lembranças da infância voltam. E, mesmo sabendo — no fundo — que os pais não tinham conhecimento do que aconteceu com o tio… Ela não conseguia evitar o pensamento.
E os questionamentos só aumentavam:
“Eles realmente se importam comigo? Eles estiveram do meu lado quando eu precisei? por que eles não me protegeram?”Como eles não perceberam?”
Na cabeça dela, como pais… eles deveriam ter visto. Deveriam ter desconfiado. Deveriam ter evitado. E isso começa a gerar uma mágoa profunda. Uma ferida. Ao mesmo tempo… Patricia passa aquele tempo trancada em casa… se recuperando. E, quando voltou à escola…Todos perceberam. Ela não era mais a mesma. Antes, estava triste por causa do fim do namoro. Agora… era muito mais do que isso. Era um acúmulo. As lembranças dos abusos. A decepção com Jack. O término…o tapa na cara. Tudo isso junto. Ela começa a se fechar. Perde o interesse pela escola. Se isola. Quase não come. Vive cansada. Mal dorme. Os pesadelos voltam. É um turbilhão de sentimentos. E o mais difícil… Ninguém percebe. E, aos poucos, até o vínculo com Michael muda. Não por maldade. Michael Começou a crescer, fazer amigos, brincar na rua, na casa dos colegas… E, naturalmente, foi se afastando. Enquanto isso…
Confusão. Dor.Raiva do tio.Raiva do pai. E… Mágoa dos pais. É exatamente nesse ponto da vida da Patrícia que acontece aquilo que a gente costuma dizer: “Daqui pra frente… é só ladeira abaixo.”
E, como se não fosse suficiente…As amigas estão em outro momento de suas vidas… A vida social dela também começa a desmoronar. As amigas — aquele grupinho da escola, da piscina, dos lanchinhos de tarde — todas começam a namorar. Primeiros namoros. Primeiras experiências. E, naturalmente, passam a priorizar os namorados. Não por maldade com Patrícia… mas porque estavam vivendo aquela fase. E Patrícia havia passado por isso também. Ė um isolamento que só aumenta. Até que, um dia, ela vê um aviso na escola. Um curso de verão voltado para o primeiro emprego — algo para inserir adolescentes no mercado de trabalho. E ela decide participar. E ela consegue uma vaga. Patrícia estava em busca de algo que preenchesse aquela fase de decepção e solitária em que se encontrava. Patrícia se interessa por ele. Todos os dias, DeLuca ia até a lanchonete. Sentava sempre na mesma mesa. Fazia quase sempre o mesmo pedido. E, aos poucos… Ela começa a observar mais. Patrícia achou ele bonito… interessante… diferente. E, de certa forma… Aquilo tira ela daquele lugar escuro onde ela estava. Porque agora ela tem algo para focar. Um interesse novo. Um “crush”. Então ela começa a se aproximar dele. Sempre que ele chegava, fazia questão de atender a mesa dele. Passava na frente das outras funcionárias.
E ele percebe. E começa a corresponder. As conversas começam pequenas… simples:
“Oi, tudo bem?” “Hoje tá quente…” “Acho que vai chover amanhã…”
aquele papinho sem muito tempo. Coisas rápidas. Mas constantes. E claro, Patrícia estava se dedicando aos flertes, pois estava interessada. Ela fica encantada por ele. Até que, um dia… Ele a convida para sair. Ele já tinha percebido o interesse dela. E, além disso, ele gostava de atenção. Algo que os dois tinham em comum. E, nesse dia, depois do trabalho. Ela aceita. Ele vai buscá-la de carro. E eles saem juntos pela primeira vez. Então, nesse primeiro encontro… E ele a leva para em um lugar mais afastado — conhecido na região como um ponto onde casais costumavam ir para ficar mais íntimos, dentro do carro. Ali, eles começam a conversar mais demoradamente. Ele pergunta a idade dela. E Patrícia mente. Diz que tem 18 anos. Mas nós sabemos… ela tinha 15. Ele, por sua vez, diz que tem 28. E, a partir dali, eles iniciam um envolvimento basicamente sexual constante e intenso. Sem “eu te amos” “saudades”… Era sexual. Assustador quando você se lembra que ela só tem 15 anos aqui.
Depois disso, algo muda completamente dentro dela. Patrícia passa a pensar nele o tempo todo. Ela mesma diria, mais tarde, que nunca tinha sentido algo tão intenso por alguém. Aquele sentimento que ela teve por Jack…era pequeno perto disso. Agora, na cabeça dela, DeLuca era “diferente. ” Um homem mais velho, mais experiente, mais “maduro” — tudo aquilo que ela acreditava que faltava no primeiro relacionamento. Ela passa a se entregar totalmente a ele. E eles começam a se encontrar com mais frequência. Até que, em determinado momento, ele diz que não quer mais ficar se encontrando dentro do carro. Ele quer ficar com ela num local mais confortável. Eles pensam em alternativas. Na casa dela não dava. Na casa dele também não, pois ele contou a ela que morava com a irmã. Então passaram a se encontrar em um hotel.
Aqui a situação, o relacionamento sexual deles dá um passo para “novos Horizontes”. Em um desses encontros, Deluca diz que quer “apresentar um amigo, André ”. Ela, sem entender muito, acha que é algo simples. Normal a gente conhecer os amigos dos namorados e vice-versa, né! Mas não era. Ele propõe incluir outra pessoa na relação sexual, deles. E isso deixa Patrícia completamente desconcertada.(ela só teve um namorinho nada íntimo e aqui ela tem 15 anos)
Ela não queria. Ela disse que não se sentia confortável com isso. Mas ele começa a pressionar. A mexer com a insegurança dela. Diz que ela é inexperiente… que prefere mulheres mais “soltas”… mais “experientes”.
Ela tinha medo de perder ele…Ela cede. Mesmo sem querer. Mesmo deixando claro que não gostava. A partir daí, a situação passa a se repetir. E aquilo que já era um relacionamento complicado… fica ainda mais desequilibrado. Porque deixa de ser algo entre dois — e passa a ser algo que ela não controla. E isso se tornou uma coisa comum era o normal pra ela e ele, porque era o que ele queria. Gente, todo dia era uma novidade sexual tá? Em algumas reportagens, eles são chamados de ninfomaníacos. Mais ele do que ela.
Patrícia continua trabalhando na cafetaria. Após alguns meses, surge uma oportunidade de trabalhar num lugar maior, ganhar um pouco mais . Uma vaga na loja onde DeLuca trabalhava como gerente . Patrícia se candidata, preenche o formulário de vaga e tal.
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Claro que DeLuca ajuda no processo de contratação de Patrícia. Ela é contratada. E agora, além do relacionamento, eram colegas de empresa. DeLuca diz a Patrícia que não pode namorar com funcionária, então a relação era um segredo. O tio também pediu segredo lembra? Eles passam a trabalhar no mesmo lugar. Então agora passam além de parte das noites, também passam o dia todo Juntos. Patrícia chega em casa e conta a novidade aos pais: ela vai sair da cafeteria, pois conseguiu um emprego melhor. Frank não gostou disso… Porque nesse momento ela estava voltando para o período de estudar de manhã e trabalhar à tarde, o que já era muito pesado. Ela continua aquela menina de 15 anos, só que agora vive uma vida meio que de adulta. Ela trabalha fora, está se relacionando com esse homem, e acabou inserida numa realidade de um relacionamento sexual com essa pessoa que ela não faz ideia de quem seja. E que ela não queria, mas no qual foi sendo colocada e manipulada aos poucos. (será mesmo? DeLuca começa a falar pra ela naquela linha de pensamento de que ela é nova, não tem muita experiência, e que ele estaria ajudando ela a “entender a vida” e amadurecer.
Ele se coloca como um homem experiente, que sabe o que está fazendo, e que estaria tornando ela “mais madura” através da relação deles. E ela está completamente apaixonada por ele, então claro que acaba aceitando muita. Aqui gente, Patrícia tem 15 anos, ele, tem mais, e década de 70. ‘Se eu acredito que ela era ingênua?’De jeito nenhum. E nessa nova vaga ela trabalharia ainda mais. Ela conversa isso com o pai. O pai não gosta da ideia e fala com ela:
“Patrícia, você pode ficar nesse emprego, mas eu quero que você mantenha suas notas altas na escola e seu desempenho. E também quero que você melhore sua atitude dentro de casa.”
Ela concorda. Com o passar dos dias, ela começa a mentir muito para os pais. Diz que está trabalhando até mais tarde, que está fazendo hora extra, que precisa se dedicar mais, por isso chega tarde em casa. E o pai começa até a respeitar isso, acreditando que ela realmente está dedicada. Só que, na verdade, ela está numa rede de mentiras. Vamos analisar um pouco: Ela mentiu sobre a idade para o namorado. Não contou para a família que o novo emprego foi conseguido por esse novo namorado, a família nem sabia que ela estava namorando. E mente sobre os horários, dizendo que está trabalhando, quando na verdade está em encontros com ele.
Então ali ela já está num emaranhado de mentiras que parece não ter mais saída. E você pensa: não tem como piorar. Mas tem. Esse homem chegou na vida da Patrícia justamente para piorar o que já era ruim. Só que ela não enxerga assim. Ela enxerga ele como alguém experiente, diferente, que está ensinando ela a ser uma mulher madura. Trabalhando com ele na farmácia Walgreens, ela começa a perceber coisas. Um dia, chega uma cliente, ele atende, e ele acompanha essa cliente até a saída da loja, e a beija no rosto. Patricia pergunta por que ele fez aquilo. Ele responde que é uma cliente especial. Que aquela era sua irmã, a que ele disse que mora na casa dela lembra?
Ela percebe algo estranho, mas está apaixonada e tenta acreditar. Algum tempo depois, a mesma cliente volta e ela vê a cena: agora, a mulher beija ele na boca. Ali ela entende que aquilo não era apenas uma irmã . E ela acaba descobrindo que ele é casado! Quando ela confronta ele depois do trabalho, durante o próximo encontro, ela pede para conversar sozinha com ele. Ela questiona. E ele confirma. Ele fala tudo. Diz que é casado, que tem uma família e 5 filhos, e que não queria esconder isso dela. Diz a ela que se apaixonou loucamente por ela e pra nao perder ela, mentiu. Também revelou a idade real: 35 anos. Ou seja, um homem casado, com 5 filhos, 20 anos mais velho que ela.
Então, nesse ponto, eles estão frente a frente e ela questiona sobre tudo. Ele responde. Sabe, tudo as claras? E claro, ele solta aquela famosa frase: que mentiu porque se apaixonou por ela à primeira vista, que não queria perder a chance de conhecê-la, e que se dissesse que era casado, pai de cinco filhos e a idade real dele, ela não o aceitaria.
E Ela então vira pra ele e fala:
“Pois é, lá atrás, quando a gente começou a se envolver, eu tinha 15 anos. Eu menti pra você que tinha 18.”
E Ele nesse momento, leva as mãos à cabeça e solta um palavrão, em choque.
E ela continua:
“Se eu falar agora, se eu contar pras pessoas sobre o nosso relacionamento, você vai preso, né? Porque eu era menor de idade. Isso é crime aqui no nosso estado. E se meu pai souber… ele vai te matar. Mas você tem sorte, porque sou apaixonada por você e não vou contar nada pra ninguém.”
Patrícia e DeLuca
Fica aquele clima pesado entre os dois. E, de certa forma, ela acaba virando o jogo ali, quase como uma forma de proteção emocional e também de controle da situação. Mesmo assim, ela não se afasta. Ela está envolvida demais, já muito dentro desse ciclo, sem conseguir enxergar aquilo como algo abusivo ou tóxico.
Ela sabe que é errado, tanto que reconhece a idade e a ilegalidade, mas não tem maturidade emocional(?) para sair disso. O relacionamento continua, agora sem segredos entre eles. Mas os pais dela ainda não sabem de nada, e a esposa dele também não. Ele ainda sustenta a narrativa de que o casamento “não existe mais como antes”, que eles vivem apenas como amigos pelos filhos. Claro que isso não é verdade — é mais uma das manipulações dele para manter tudo do jeito que lhe convém. Patrícia e DeLuca continuam com aquele relacionamento, agora com tudo às claras entre os dois. Eles seguem nessa dinâmica cada vez mais complicada e destrutiva. Agora ela está com 16 para 17 anos e cada vez mais envolvida nesse relacionamento.
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Certo dia, ela chega em casa e encontra um clima pesado: o pai e a mãe de cabeça baixa, o pai chorando. Eles a chamam para conversar e contam que a mãe está muito doente, com um câncer agressivo. Mas dizem que preferem não contar isso ao Michael, que ainda era menor, e que ele seria informado apenas de que a mãe precisaria passar por uma cirurgia de apendicite, para não assusta-lo. Patrícia fica devastada. Ela não era distante da mãe, não eram melhores amigas, mas havia amor ali, e a notícia a abala profundamente. Nesse momento da vida, ela ainda dormia no andar de cima da casa. Os dois quartos superiores eram ocupados pela família, e Michael ficava no quarto ao lado do dela. O menino, sensível à situação, começa a ter o sono agitado e pesadelos, provavelmente pela preocupação com a mãe. Acredita-se que Michael sabia que era sério. Patrícia, então, várias vezes precisa se levantar durante a noite para acalmar o irmão e ajudá-lo a voltar a dormir. Em uma dessas noites, a mãe Mary está no hospital, para uma cirurgia de remoção do câncer. Ao descer as escadas, Patrícia percebe a luz da sala acesa. Ao se aproximar, encontra o pai sentado, sozinho, em silêncio, olhando para o lugar onde a mãe costumava ficar quando estava em casa. Ele estava profundamente abatido. Patrícia se aproxima com cuidado, num gesto simples de carinho e apoio, tentando confortá-lo, dizendo que tudo ficaria bem, que a mãe iria melhorar. E, do nada, Frank, seu pai, se levanta — de maneira totalmente inusitada, como lá atrás, lembra do tapa na cara? — e dá um beijo na filha. Não, você não leu errado. Frank beija a filha.
Na boca. E naquele momento, algo dentro daquela casa muda de novo de forma intensa, deixando tudo ainda mais pesado e confuso para ela. Mais uma vez, a dinâmica familiar se transforma de maneira difícil de compreender para alguém da idade dela. Diante daquela situação totalmente inimaginável, Patrícia fica travada. Em choque, apenas se vira, sobe as escadas e vai para o quarto. Ela fica deitada, em silêncio, tentando entender o que tinha acontecido. Patrícia conta que já carregava há muito tempo uma sensação confusa, algo que ela não conseguia explicar. Desde pequena, às vezes tinha pensamentos e desconfortos estranhos em relação ao pai — sentia que ele a olhava de forma “diferente”. Mas sempre tentava afastar isso da mente, como se fosse algo que ela não devesse pensar. E naquela noite, tudo isso volta com força.
A cena na sala mexe profundamente com ela, e ela passa a interpretar aquilo dentro da confusão emocional que já carregava há anos. Nesse ponto, a vida dela já está completamente desorganizada por dentro. A mãe está doente, em tratamento por um câncer agressivo. Ela vive um relacionamento com um homem cheio de mentiras e manipulações, mas do qual ainda não consegue se afastar. E agora, mais uma vez, o ambiente familiar se torna emocionalmente pesado e confuso. Se alguém olhar de fora, percebe um acúmulo de situações difíceis ao mesmo tempo: uma pessoa sem estabilidade emocional, sem um ambiente seguro consistente, lidando com perdas, medo e relações complicadas. Ela não consegue organizar aquilo dentro da própria cabeça.
Na visão dela, naquele momento, o mundo inteiro parece instável. O único lugar seguro que ela vê é o DeLuca.
Passam-se alguns dias, e a mãe volta para casa. A cirurgia é considerada um sucesso, e os médicos informam que o câncer havia sido removido. A rotina começa a tentar se reorganizar. Mesmo assim, o ambiente já não é o mesmo. Michael, embora tenha sido informado de forma simplificada sobre a situação da mãe, sente que há algo mais sério acontecendo. Isso se reflete no comportamento dele, com noites mais agitadas e pesadelos. A mãe de Patrícia, Mary, volta para casa, mas precisa ficar ainda umas semanas em repouso absoluto. E o pai, Frank, age como se nada tivesse acontecido — como se aquele episódio na sala nunca tivesse existido.
Patrícia fica completamente sem entender. Não houve conversa, não houve pedido de desculpas, nem qualquer tentativa de explicação. Nada. Assim como aconteceu no episódio do tapa, também agora tudo é simplesmente ignorado. Os dias vão passando, e a situação dentro de casa vai ficando cada vez mais pesada para ela.
Mary permanece em recuperação por semanas após a cirurgia complexa de retirada do câncer. Nesse período, Patrícia começa a assumir responsabilidades cada vez maiores. Antes, ela já dividia a vida entre escola, trabalho e um relacionamento complicado com DeLuca. Agora, tudo isso se soma a uma rotina dentro de casa que se torna exaustiva. Com a mãe acamada, ela passa a fazer todas as tarefas domésticas: lavar roupas, cozinhar, limpar a casa, cuidar do quintal, ajudar Michael, levar e buscar ele na escola, preparar refeições para o pai e o irmão e também levar comida para a mãe no quarto. A rotina se torna tão pesada que ela mal tem tempo para cuidar de si mesma. Diante disso, Patrícia toma uma decisão importante: abandona a escola. Não consegue mais conciliar tudo. E, sem alternativas naquele momento, segue apenas com o trabalho na farmácia, onde continua trabalhando com DeLuca. O relacionamento entre os dois, que já era problemático, se intensifica ainda mais, com dinâmicas cada vez mais confusas e pressionadas por ele.
Em casa, ela continua enfrentando o pai em silêncio e carregando sozinha toda a responsabilidade da casa, enquanto também lida com um ambiente emocionalmente desgastante.
A vida segue assim — pesada, sem espaço de respiro, e cada vez mais difícil de sustentar. A situação em casa era muito complexa, porque Frank não achava que deveria ajudar em nada nas tarefas domésticas. Coisas como limpar o quintal, lavar louça ou ajudar em qualquer atividade da casa não faziam parte da visão dele. Ele era um homem conservador, como já havia sido descrito, e para ele o papel dele era apenas prover financeiramente: levar dinheiro para casa, pagar as contas e manter tudo funcionando nesse aspecto.
Além disso, trabalhava e ainda mantinha o relacionamento desgastante com DeLuca. Ela sabia que aquilo era errado, sabia que era uma situação doentia, Deluca inclua mais e mais pessoas na relação íntima dos dois, mas mas ela já estava completamente exausta, para resolver qualquer coisa. Em um dia de extremo cansaço, Patrícia para e reflete sobre tudo o que está vivendo. Em meio ao esgotamento físico e emocional, ela chega a pensar que como “férias” se passasse um tempo na cadeia — como se até isso fosse melhor do que a vida que estava levando. Nesse estado mental, ela tem uma ideia impulsiva: roubar cartões de crédito de duas amigas da loja onde trabalha. Ela pega os cartões e vai ao shopping. E, em um ato de desespero, leva Michael com ela, acreditando que isso a faria “ficar mais tempo presa” caso fosse descoberta.
Ela usa os cartões e, em seguida, espera que a polícia apareça e a prenda. Para ela, aquilo parecia uma forma de escapar de tudo: da casa, da família, do relacionamento, do trabalho, de toda a pressão. Mas o plano não acontece como ela imaginava. O caso é considerado pequeno. As amigas não levam adiante a denúncia, e tudo se resolve rapidamente. Patrícia passa apenas algumas horas detida, e o pai paga a fiança, levando-a de volta para casa no mesmo dia. Ao sair, ela é procurada por DeLuca, que lhe propõe uma ideia. Ele diz que Patricia está vivendo um caos na casa dela, e sugere que ela vá morar com ele. Para ela, ele explica que já havia conversado com a esposa, Marilyn DeLuca, e que ela teria aceitado a situação, com a condição de que não houvesse demonstrações de intimidade dentro da casa, por causa dos filhos. Mesmo assim, ele insiste que seria melhor para Patrícia sair daquele ambiente em que estava sobrecarregada, com tantas responsabilidades e conflitos. Ela havia desabafado com ele sobre tudo: a falta de ajuda do pai, a exigência constante da mãe, a sobrecarga em casa, e também o quanto se sentia pressionada no relacionamento. Diante desse cenário de exaustão, e sem ver alternativas, Patrícia acaba aceitando a proposta de morar com DeLuca e a família dele.
Então, Patrícia vai morar com o DeLuca e acaba se inserindo naquele ambiente junto com a família dele. Esposa e 5 filhos. Quando ela volta, tenta retomar o trabalho na farmácia onde já havia trabalhado antes — lugar onde tinha acontecido a situação dos cartões de crédito. Só que ela se sente muito envergonhada, constrangida, porque tinha a sensação de que todos sabiam o que ela havia feito. Então ela decide pedir demissão. Como ela já estava morando no bairro do DeLuca, na casa dele com a família dele, ela consegue uma vaga em uma loja de departamento próxima dali. Mas não dura muito. Um dia, uma cliente entra na loja e reconhece ela — lembra do episódio dos cartões de crédito na farmácia e comenta o que aconteceu. Isso se espalha, e ela acaba sendo demitida.
Os pais de Patrícia ficam decepcionados ao saber que a filha estava vivendo com um homem casado, com filhos, e em uma situação tão confusa.. Nesse meio tempo, a esposa do DeLuca, Marilyn, liga para a mãe de Patrícia e fala de forma dura e ofensiva sobre a filha. Ela diz que Patrícia não vale nada, que aquilo não era novidade para ela, porque o marido já tinha feito isso antes com outras meninas mais novas, e que, quando ele se cansasse, faria o mesmo com Patrícia.
A mãe escuta tudo em silêncio, sem reação imediata. Marilyn continua, dizendo que Patrícia não tinha nada a oferecer além da aparência jovem, e que seria descartada como as outras já tinham sido. Mary fica sem palavras, ouvindo tudo aquilo. Enquanto isso, Patrícia segue trabalhando em outro lugar, agora mais afastada e no fundo da loja, justamente para evitar ser reconhecida e perder mais um emprego.
Andrew
Em um dia, o chefe pede que ela leve uma encomenda a um hotel. Ela vai até lá, entrega o pacote e, ao sair, encontra um rapaz jovem, bonito, bem vestido e aparentemente, próximo da idade dela. Eles trocam algumas palavras. Ele se apresenta como Andrew, estudante de medicina, 24 anos, e diz que gostou de conhecê-la, gostou do papo deles. Ele a convida para tomar um café no dia seguinte, e ela aceita. Patrícia também gostou do rapaz. No dia seguinte, durante o horário de almoço, eles se encontram novamente. O relacionamento entre eles, naquele início, é apenas conversa: conhecer um ao outro, falar sobre a vida, estudos, trabalho e sonhos. Nada além disso. Andrew conta sobre a faculdade, e Patrícia fala sobre sua rotina e família. Aos poucos, eles criam uma conexão leve e tranquila. Ela decide, então, apresentar Andrew à família.
imagem meramente ilustrativa
Nessa época, Patrícia já está com 17/18 anos. E Andrew era um cara tranquilo, tem de uma família estruturada, é educado, gentil, respeitoso e dedicado aos estudos. O pai dela aceita conhecê-lo, e Andrew vai jantar na casa da família. O clima é positivo. Frank e Mary ficam encantados com Andrew! Eles tem muitos assuntos e a conversa flui num clima muito alegre! A família Columbo, gosta de Andrew, e ele transmite uma boa impressão. O irmão mais novo, Michael, ainda está distante de Patrícia, mais fechado por conta da saída dela de casa e de toda a confusão anterior. Michael gostou bastante de Andrew. Conversaram bastante sobre filmes e jogos. O relacionamento entre Patrícia e Andrew começa a evoluir de forma leve e saudável. Nesse ponto, pela primeira vez em muito tempo, parecia que a história poderia tomar um rumo mais estável. Como se pudesse existir uma chance de recomeço. A história poderia acabar aqui né? Mas quem conhece a trajetória dela já entende que essa sensação de “estabilidade” não costuma durar muito.
Com isso, o pai de Patrícia sugere ajudá-la a sair daquela situação anterior, oferecendo apoio para que ela tenha um recomeço mais organizado, com mais independência. Frank fica tranquilo, que a filha estava trabalhando, conheceu um rapaz estudioso e respeitoso e queria ajudar a filha, a sair de onde estava. Ela aceita. Diz que isso era exatamente o que queria há muito tempo: sair daquele ambiente da casa de DeLuca e esposa e filhos. O pai aluga um apartamento para ela em uma boa localização e ainda providencia melhorias antes da mudança. Ela então se muda. A princípio, a ideia era que ela morasse sozinha, trabalhasse, retomasse a própria vida e mantivesse o relacionamento com Andrew de forma sadia. Era acordo entre Patrícia e os pais.
DeLuca — | Infância, formação e trajetória até conhecer Patrícia Columbo
Frankie DeLuca nasceu em uma família estruturada, com pai, mãe e irmãos. Um ambiente considerado estável, onde todos trabalhavam e estudavam, cada um cumprindo suas responsabilidades. E quem os conheceu, disseram que eles eram uma família comum, sem histórico de brigas, por exemplo. Só uma vida comum. • Na juventude, DeLuca trabalhava na construção civil, fazendo serviços como pintura, pequenos reparos, encanamento e atividades de pedreiro. Por volta dos 19 anos, ele soube de uma oportunidade de bolsa de estudos ligada a uma rede de farmácias — em um curso de Farmácia, com possibilidade também de atividades esportivas dentro da faculdade, algo que chamava a atenção dele. Ele chegou a ingressar na faculdade, mas permaneceu apenas dois semestres. As razões não ficam claras — há quem diga que ele não se adaptou ao ambiente esportivo ou acadêmico. Ele acaba retornando para casa e volta a trabalhar na construção civil. Depois disso, ele inicia um curso técnico na área de farmácia e consegue um emprego como estoquista na rede Walgreens.
A partir daí, sua trajetória profissional começa a crescer. Ele é visto como alguém extremamente responsável, disciplinado e comprometido. Deluca Constrói uma imagem de funcionário confiável, alguém de família, esforçado e focado. Curiosamente, o pai dele também se chamava Frank, assim como o pai da Patrícia e como o próprio DeLuca — algo comum naquela região e época. Com o tempo, ele vai sendo promovido dentro da empresa, acompanhando sua evolução profissional. Casa-se por volta dos 20 anos com Marilyn, e os dois constroem uma família, com filhos, dentro de uma estrutura considerada tradicional. Anos depois, já na casa dos 22, ele tem uma nova oportunidade de crescimento dentro da própria rede Wallgreens. Ele faz faculdade de farmácia e conclui seus estudos. Em seguida, é contratado oficialmente pela empresa e continua sua ascensão até chegar ao cargo de gerente. É nesse ponto que ele conhece a Patrícia. Ou seja, apesar de todo o comportamento destrutivo que ele apresenta na relação com ela e com a esposa, o histórico dele é o de alguém funcional, trabalhador, reconhecido profissionalmente e visto como exemplo de responsabilidade.
‘ Mas isso cria justamente um contraste: a mesma pessoa que, no ambiente social e profissional, é vista como confiável e bem-sucedida, na vida íntima desenvolve relações profundamente disfuncionais e manipuladoras.‘
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Nesse momento da história, DeLuca já sabe do novo relacionamento da Patrícia com Andrew e também sabe que o pai dela alugou um apartamento para ela. Paralelamente, a Patrícia já tinha encerrado o relacionamento com DeLuca e tentava reorganizar a própria vida. Ela estava em um namoro mais saudável com Andrew, retomando contato com a família — mesmo com um pai mais frio e distante e uma mãe tentando manter a aproximação entre todos.
📍 Predios de apartamentos onde Frank aluga e paga o aluguel para a filha. Endereco: endereço 2015 Finley Road, Lombard, IL 60148.
E é nesse cenário que, em uma tarde comum, enquanto estava em casa de folga, Patrícia assistia televisão, aguardando se encontrar com Andrew mais tarde para jantar… a campainha toca e Patrícia vai a porta e Deluca estava lá em sua frente… Mesmo quando ela tentava seguir outros caminhos, uma parte emocional dela ainda permanecia ligada a ele. Não porque fosse uma escolha simples, mas porque havia uma dependência afetiva e uma dificuldade real de se afastar desse padrão que foi sendo construído ao longo dos anos. Quando ela está no apartamento, DeLuca aparece, dizendo que largou a família e que quer casar com ela. (É isso sempre foi o que ela sonhou ouvir…). Patrícia, por sua vez, começa a se sentir cada vez mais insegura sobre si mesma. Ela passa a acreditar que sua vida está “danificada”, que não seria suficiente para alguém como o Andrew, e que talvez ninguém conseguiria aceitá-la de verdade. Ela acha que se contasse para o Andrew tudo o que ela passou, ele sentiria nojo dela.
Apesar de ela já ter sido clara antes sobre querer seguir em frente e reconstruir a própria vida sem ele, aquele retorno mexeu profundamente com ela. Nesse momento, ela está fragilizada, cansada de tantas pressões e confusões emocionais, e acaba cedendo novamente à presença dele. Ele volta a fazer parte da rotina dela, agora de forma ainda mais intensa e invasiva, ultrapassando limites, e o controle emocional da situação. Aqui, ela já faz swings, orgias, tudo o que DeLuca diz à ela que daria prazer a ele. Vi relatos de pessoas que conheceram ela na época, e contam que como ele fotografava e filmava os atos, muita gente acabou vendo algumas das fotos.
Enquanto isso, a família dela já percebe que eles voltam, e que essa decisão não é saudável e se afasta ainda mais.
Isso faz com que ela mesma abandone a possibilidade de um caminho mais leve e saudável, com Andrew, e volte a se prender ao que já é familiar. Patrícia conta ao pai que DeLuca terminou o casamento, e que ele vai morar no apartamento com ela. Lembrando que o pai dela pagava o aluguel. A família dela já sabe que eles ficariam juntos. Nesse contexto, o pai dela decide que quer ter uma conversa com o DeLuca. Ele liga para Deluca e diz que precisa falar pessoalmente com ele. DeLuca já tinha consciência de que o pai da Patrícia era capaz de mata-lo, e que havia um histórico de conflitos entre eles. Ele também sabia que aquela conversa não seria simples, então se prepara emocionalmente para um confronto. Ele decide levar Patrícia nesse encontro, acreditando que a presença dela acalmaria os ânimos. O encontro acontece no estacionamento do prédio onde a Patrícia morava.
A tensão entre os dois é imediata: de um lado, um pai profundamente enfurecido e tomado pela raiva, do outro lado, um homem que sabia exatamente o que estava fazendo à filha desse homem. E bem ali no meio, Patrícia. A discussão entre eles se torna intensa, e a situação foge do controle. Frank dá uma surra em Deluca, usando o cabo de seu rifle. E não só isso, a cada “Paulada”, em Deluca, Frank dizia que se ele não largasse a filha dele em paz ele o mataria e também mataria a Patrícia. O caos estava só piorando. E Patrícia, denúncia o pai pela surra em Deluca e tudo termina com a intervenção da polícia.
O caos, está instalado. Patrícia denunciou o pai. Isso cria um rompimento profundo dentro da família, já que até então ele era também quem sustentava parte da estrutura da casa da filha e ajudava em momentos difíceis. A partir desse ponto, a família entra em colapso emocional. O pai está preso, a mãe abalada, o irmão confuso e distanteExatamente nesse cenário de ruptura total que a história entra numa fase ainda mais crítica, porque o equilíbrio de todos os envolvidos já está completamente quebrado. Nesse ponto da história, o que volta com força não são os “fetiches” de Deluca, em si. Nesse ponto da relação para ele, Patrícia não era mais adolescente, já era uma mulher. Então os fetiches multiplicaram em constância e variações, se é que vocês me entendem. Várias pessoas, homens, mulheres, tudo junto, ele participando ou observando. E Patrícia só queria fazer Deluca “feliz”. Patrícia aceitava essas situações que a deixam desconfortável, sempre sob a lógica de agradar ele e evitar conflitos. Ao longo do tempo, isso vai se consolidando como um ciclo: ele exige, manipula emocionalmente e ela cede, não por desejo genuíno, mas por medo de perda, exaustão emocional e dependência afetiva. Paralelo a isso o clima externo está completamente colapsado: o pai dela sai da prisão após a retirada da denúncia, mas o vínculo familiar já está profundamente abalado. Frank diz pra todo Mundo que jamais perdoaria a filha pela denúncia. Afinal, quando ela foi presa foi ele que pagou a fiança.
Existe ressentimento, culpa e afastamento entre todos os lados. DeLuca, por sua vez, intensifica discursos de ódio contra o pai dela, o que aumenta ainda mais a tensão e o risco de escalada para algo irreversível. Patrícia, nesse momento, fica no centro de duas forças destrutivas: de um lado, uma relação afetiva marcada por controle e pressão; do outro, uma família fragmentada, emocionalmente ferida e instável, para ela. E é nesse ambiente de instabilidade total que ela vai ficando cada vez mais sem chão emocional — tentando evitar explosões maiores, mas ao custo de se anular cada vez mais dentro da própria vida. É bom frisar que Patrícia acaba retirando a queixa contra o pai como uma tentativa de acalmar os ânimos. De um lado, a família já estava extremamente desgastada com toda a situação e distante dela; de outro, o clima entre o DeLuca e o pai dela estava cada vez mais hostil, com trocas de acusações e ameaças indiretas circulando entre ambos.
Mesmo com essa tentativa de “baixar a temperatura”, o efeito é o oposto. DeLuca passa a viver em constante estado de paranoia, com medo de ser morto por Frank. Esse medo começa a influenciar diretamente o comportamento dele no dia a dia, incluindo mudanças de rotina e desconfiança crescente em relação a tudo ao redor. Ao mesmo tempo, circulam comentários dentro do ambiente familiar e social de que o pai da Patrícia estaria tomando decisões mais duras em relação ao patrimônio familiar, decidindo que mexeria no testamento e deixaria tudo apenas para o filho Michael. Patrícia percebe que a situação só piora a cada dia e decide ir até a casa dos pais para tentar uma última conversa. Quando chega, encontra resistência: o pai evita o contato direto e se fecha no quarto, enquanto a mãe tenta fazer a mediação entre os dois.
Mary tenta intervir e promete à filha que vai tentar convencer Frank a conversar de forma mais calma, na esperança de reconstruir algum tipo de vínculo familiar. Patrícia então volta ao apartamento, mas o ambiente emocional já está extremamente carregado. Alguns dias depois, ela retorna à casa dos pais. Dessa vez, Frank aceita falar com ela. Ele propõe uma reconciliação apenas com ela sob uma condição clara: que ela se afaste completamente do De Luca e retome a vida dentro da estrutura familiar.
Sobre a proposta do pai: Mais do que a proposta em si, o que a atinge é o peso emocional acumulado de tudo o que viveu naquela casa: os conflitos antigos, as situações mal resolvidas e a ausência de reparação entre eles ao longo do tempo. Ela relembra momentos marcantes de ruptura, de dor e de silêncio dentro da família… Veio a tona em sua mente, o beijo na boca, o tapa na cara quando ele só precisava de apoio, e também ela achava que os pais deveriam ter protegido ela do tio. De um lado, ela está presa a um relacionamento que, na cabeça dela, é a única forma de amor que ela acredita que pode ter. Do outro, a família está rompida: o pai distante e duro, a mãe fria, o irmão afastado. Quando o pai impõe a condição de que ela só seria aceita de volta se rompesse definitivamente com o DeLuca, isso não soa para ela como proteção — soa como perda total.
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Escolhas Sem Volta
Na mente dela, o pai deixa de ser alguém que tenta ajudá-la e passa a ser visto como um obstáculo à única coisa que ela acredita ter. Esse é o ponto-chave da virada: não é mais só conflito externo, é uma mudança interna na forma como ela enxerga as pessoas ao redor. Sentindo-se sem saída, incompreendida e pressionada de todos os lados, ela começa a desabafar com uma pessoa de fora desse núcleo familiar. Um namorado de uma de suas melhores amigas.
Lenin. E ele tinha sido policial. Mas foi demitido e nesse momento ele estava tentando retornar a polícia com a ajuda de amigos. Patrícia conta a esse “amigo” , toda, a situação e acaba convencendo esse cara de que essa era a única saída pra ela e Deluca viverem em paz. Matar os pais dela. E ele pediu 10 mil dólares por pessoa.
O PLANEJAMENTO
O problema é que esse tipo de conversa, nesse nível emocional, pode distorcer ainda mais a realidade. Ao invés de trazer equilíbrio, bons conselhos, o que de fato aconteceu foi o que Patrícia realmente queria: o cara disse que mataria os pais dela para que ela tivesse paz. Porque isso acabou reforçando uma visão de “lados”: de um lado ela e quem está com ela, do outro os que “impedem” a vida dela de seguir.
Patrícia claramente fez escolhas, sem volta
Então Patrícia fala tudo sobre: • a casa • a rotina da família • horários • fechaduras saídas fáceis •ela combinou que deixaria a porta de correr nos fundos, aberta. Ele diz a ela que seria • 10 mil dólares para matar a mãe e 10 mil para matar o pai. Ela não tinha esse dinheiro. Mas ela sabia que mesmo estando fora do testamento, ela seria a tutora legal do irmão Michael até ele completar 18 anos. Então ela pagaria pelos assassinatos. A partir daí, a situação deixa de ser apenas caótica — ela começa a caminhar para decisões cada vez mais impulsivas, influenciadas por medo, raiva e desespero. Paralelamente, dentro do relacionamento, o comportamento do DeLuca se torna ainda mais perturbador e descontrolado. Ele ultrapassa limites, pressiona, manipula e normaliza situações que são claramente inadequadas.
Ele compra um cão porte grande pastor alemão e leva para o apartamento que morava com Patrícia. E não, ele não comprou com a intenção de que o cão fizesse assim a segurança da casa. Lembra os fetiches de Deluca? Pois é, agora pra ele já não era mais interessante ver Patrícia com homens e mulheres na intimidade. Agora ele tinha uma nova fantasia. Perturbadora real!, Ele quer que Patrícia faça tudo que ela já fazia as orgias, só que com o cão. Patrícia diz que não vai fazer porque é insano e nojento.
‘Gente, estou sendo o mínimo gráfica possível. Mas vou resumir tudo pra vc ter noção : a Patrícia transava com todo mundo que o DeLuca queria. Casais, pessoas de todos os sexos, separadas ou juntas, com ele ou sem ele participando e ele tirava fotos de tudo e muuuuitas pessoas viram essas fotos. Inclusive as fotos dela com o cachorro. Isso era o normal deles. E isso não era segredo pra ninguém. Vizinhos, conhecidos, sabiam e viram as fotos.’
Mas, Deluca diz a ela que era uma pena. Pois todas as suas ex namoradas, fizeram. Então ela aceita e faz. E Deluca queria tirar fotos de todos os momentos. Pois é. Mesmo assim, a Patrícia continua cedendo, e fazendo, não por concordar, mas por um misto de culpa, dependência emocional e medo de perder o vínculo com ele. Nesse ponto da história, tudo converge para um cenário extremamente perigoso: uma mente exausta, um relacionamento abusivo fora de controle e um ambiente familiar completamente quebrado. E é exatamente aí que a história entra na fase mais crítica. Patrícia começa a ficar preocupada porque ela não recebia a notícia da morte dos pais.
Ela procura o amigo pra questionar porque ainda não tinha feito o serviço. Ela vai a um encontro com ele só que ele não estava sozinho. Ele levou um amigo dele Roman, que passou a comandar a conversa. E esse novo cara disse a ela que só fariam o serviço se ela pagasse um adiantamento. Mas como eles sabiam que ela não tinha o dinheiro, eles aceitariam o pagamento em forma de transar com ela. E ela aceitou. Na verdade esses dois nunca tiveram a menor intenção de cumprir o acordo. O que eles queriam mesmo era transar com Patrícia.
Porque eles sabiam que ela faria qualquer coisa por seu namorado/noivo.
Em janeiro de 1976, eles disseram a ela que tinha um problema. Que eles fariam sim o crime, mas que com O irmão dela na casa, eles teriam que matar ele também. Mas ela não queria isso. Ela se importava com Michael. Então ela bola um plano de tirar Michael da casa no dia escolhido e assim os caras não tinham mais como enrolar. Quanto todo esse plano começou, Deluca não sabia de nada, mas, quando ele passa a saber, ele deixa claro que quer que matem Michael também. E Deluca tinha uma explicação pra isso. Ele disse que um dia na farmácia, Michael olhou de uma forma suspeita pra ele.
Estamos falando de um cara adulto, que já passou dos 40 anos faz tempo, querendo matar um menino adolescente só porque tinha medo de que o menino o matasse. E Roman, chegou a emprestar uma pistola calibre 32 para ele se defender caso Frank ou Michael tentassem o matar. Deluca acreditava que o Roman, fazia parte da família de Patrícia e estava do lado dela. Ela fez isso pra que ele sentisse que estavam fazendo a coisa certa. A partir desse ponto, a situação se torna ainda mais degradante e descontrolada. Patrícia, já emocionalmente fragilizada, acaba sendo pressionada e envolvida numa dinâmica cada vez mais tóxica, sem perceber o quanto está sendo explorada. Nesse meio tempo, acontece algo inesperado: Patrícia descobre que está grávida. Isso a deixa completamente abalada e confusa, sem saber como lidar com a situação. Diante desse cenário caótico e da completa falta de certeza de quem era o pai da criança, ela decide interromper a gestação. Mesmo com toda a manipulação e enrolação desses dois homens, o plano segue adiante. E então, o pior acontece. Aquele plano que começou como uma ideia da Patrícia, é colocado em prática. E, naquele momento, a família dela deixa de existir. Eles matam os pais e o irmão de Patrícia.
imagem meramente ilustrativa
O Telefone na delegacia toca. Era 7 de maio de 1976
E eles recebem uma ligação dizendo que tinha um carro suspeito parado em um certo local. E imediatamente a polícia vai averiguar. Ao chegar, os agentes observam que o carro tem um adesivo de uma empresa e notam sinais de vandalismo: a janela do motorista estava quebrada e a ignição arrancada. Mas algo chama atenção — o carro não foi desmontado. Eles concluem que provavelmente foi obra de jovens inexperientes, algo impulsivo, e não um crime planejado para roubo de peças. Ao verificar a placa, chega-se ao nome do proprietário: Frank Columbo. Diante disso, um policial é enviado até a casa da família para avisar sobre o veículo. Mas, ao chegar lá, algo estranho chama atenção imediatamente. Na varanda, havia uma fileira de jornais acumulados, ainda encostados na porta. Aquilo indicava que ninguém os havia recolhido há dias.
Um Ataque Brutal
Quando o policial nota os jornais enfileirados na porta de entrada, ele inicialmente pensa que a família possa ter viajado. Mas alguns detalhes começam a destoar. A porta da sala estava entreaberta. Uma das janelas laterais também. E, ao tocar a campainha, ninguém responde — apenas o cachorro da família, lá dentro, latindo de forma insistente. Aquilo não parecia normal. Diante desse cenário, o policial decide não entrar sozinho e chama reforço, como manda o procedimento.
Pouco tempo depois, outras viaturas chegam ao local. O policial então explica tudo o que havia observado, e juntos eles decidem entrar na residência para averiguar a situação. Ao entrar na casa, o silêncio toma conta. Logo na sala, eles encontram Frank Columbo caído no chão, já sem vida. Ficava evidente que ele estava ali havia dias.
Ao redor, sinais de uma cena violenta: muito sangue em volta do corpo cacos de vidro de um abajur quebrado, estavam em torno do corpo de Frank, objetos quebrados, o ambiente desorganizado… tudo indicando que algo grave havia acontecido naquele lugar. Frank vestia roupas de dormir — como se tivesse se levantado no meio da noite por algum motivo simples… e nunca mais tivesse voltado. Além de diversas mutilações, um tiro na cabeça ficou aparente. Ele foi o primeiro a ser encontrado. Frank tinha 43 anos de idade.
Mais a frente, ao avançarem pela casa, os policiais encontram Mary Colombo, na entrada do banheiro, caída no chão, também sem vida. Mary estava com a cabeça para cima e era nítido que ela tinha um corte em sua garganta e uma bala entre os seus olhos. Havia sinais claros de muita violência. Era uma cena devastadora. Mary tinha apenas 41 anos de idade. A cena encontrada ali causou um impacto profundo nos policiais. Não se tratava de algo simples — havia sinais de muita violência, de raiva, de excesso . Era um cenário pesado, difícil até de processar. Antes de seguir para o restante da casa, eles começam a observar os dois corpos encontrados — Frank, na sala, e Mary, na entrada do banheiro — registrando mentalmente o que seria repassado nos relatórios.
Enquanto isso, outros policiais continuam a vistoria. Ao subirem para o andar de cima, chegam ao quarto de Michael. E ali, encontram o menino, de apenas 13 anos, também sem vida, caído próximo à cama. Aquele momento pesa ainda mais. Porque não era só uma cena de crime. Era uma família inteira destruída. E, para muitos daqueles policiais — homens que também tinham filhos, casa, rotina — aquilo não era apenas trabalho. Era algo que tocava demais o coração daqueles policiais. Michael Columbo, irmão de Patrícia, foi ferido diversas e diversas vezes(+ de 80 vezes).De longe, a raiva o ódio empregado na violência extrema no Michael, era impressionante.
Os ferimentos atingiam o peito, o pescoço e havia também um projétil na lateral da cabeça; sangue se espalhava por todo o cômodo, deixando marcas claras da extrema violência empregada. Tudo indicava que ele havia sido atacado com uma força e intensidade incomuns.
Sobre a mesa de estudos, os policiais encontraram uma tesoura ensanguentada, um suporte de metal para bola de beisebol e outros objetos — todos claramente utilizados durante a agressão, o que reforçava ainda mais a brutalidade do ocorrido. Era uma cena desproporcional, excessiva e profundamente marcada pela raiva. Não parecia ser “apenas” um crime: transmitia a sensação de ter sido praticado para causar choque e deixar uma marca forte em quem o encontrasse. Um cenário verdadeiramente devastador. A polícia começou a ficar atenta: pelas fotografias na casa e pelos relatos dos vizinhos, sabia-se que havia uma filha mais velha na família. Mas, após vasculhar todo o imóvel, não encontraram um quarto corpo. O primeiro pensamento foi que talvez a jovem tivesse sido levada e que seu corpo seria encontrado em outro local. Com o passar das horas e a confirmação de que não havia mais vítimas ali, os investigadores passaram a buscar mais informações sobre a filha mais velha: Patrícia. Não demorou muito para conseguirem contato — localizaram o telefone do apartamento onde ela morava e pediram que ela comparecesse à delegacia o quanto antes.
Patrícia na Delegacia
Patrícia compareceu à delegacia. E, como se costuma dizer, o ser humano realmente pode surpreender — e com ela não foi diferente. Os policiais ficaram aliviados em vê-la viva e bem — diante do que haviam encontrado na casa, a suspeita inicial era que ela também pudesse ter sido uma vítima. Por outro lado, seu comportamento começou a causar grande estranhamento. Ao chegar, contrariando o que os policiais esperavam, ela não demonstrou nenhum sinal de abalo, mesmo quando eles relataram todos os detalhes: como haviam encontrado seus familiares, o estado da casa e toda a brutalidade da cena. Sua reação foi ainda mais estranha e desconfortável: durante o depoimento, ela passou a flertar diretamente com os policiais que a interrogavam, como se ignorasse completamente a gravidade da situação. O comportamento gerou um clima extremamente constrangedor no ambiente. Enquanto isso, a perícia já havia confirmado um detalhe importante: as três vítimas foram atingidas por disparos na cabeça, o que significa que já não ofereciam nenhum risco. Mesmo assim, foram alvo de uma violência excessiva com o uso de vários objetos — um nível de brutalidade desnecessário para consumar o crime, mas que revelava claramente a intensidade da raiva envolvida. Diante de tudo isso, a atitude de Patrícia chamou ainda mais a atenção: ao ouvir todo o laudo de perícia do legista e relatórios policiais e peritos, de como sua família havia sido encontrada assassinada, tudo muito pesado, ela não demonstrava nenhum sinal visível de tristeza, choque ou luto. Para os policiais — muitos deles também pais, que haviam acabado de presenciar uma cena tão impactante — estar diante da única sobrevivente agindo daquela forma tornou a situação ainda mais inquietante.
Após aquele momento desconfortável, Patrícia passou a apresentar uma versão para o ocorrido. Disse aos policiais que acreditava que o crime poderia estar ligado à máfia. Segundo sua explicação, o pai mantinha uma oficina clandestina de desmanche de veículos roubados nos fundos da loja de autopeças da família — e, por isso, teria relações com pessoas perigosas. Em sua visão, o massacre seria consequência de um desentendimento com esse meio. Depois daquela situação desconfortável na delegacia, Patrícia passou a dar uma versão para o ocorrido. Afirmou aos policiais que suspeitava que o crime tivesse ligação com a máfia. Segundo ela, o pai mantinha uma oficina clandestina de desmanche de carros roubados nos fundos da loja de autopeças da família — e, por causa disso, teria contato com pessoas perigosas. Na sua visão, tudo o que aconteceu seria resultado de um desentendimento com esse tipo de indivíduos. Enquanto a polícia começa a analisar e investigar essa possibilidade, também compartilha com Patrícia os primeiros resultados da necropsia. Explicam que as vítimas foram mortas por disparos na cabeça — ou seja, já estavam sem vida. Mesmo assim, foram feridas repetidamente com diversos objetos: um ato completamente desnecessário para consumar o crime, mas que revelava um grau extremo de brutalidade e uma forte carga emocional por trás da agressão. 📍Frank, o pai, foi o primeiro a ser morto e encontrado caído na sala. Recebeu um tiro na cabeça, teve o crânio esmagado como se tivesse sido golpeado repetidamente até ficar irreconhecível, além de múltiplas mutilações pelo corpo. Havia uma quantidade enorme de sangue no local. Ele veio abrir a porta porque era a filha quem batia. DeLuca estava escondido atrás de um arbusto. Quando Patrícia entrou, Frank vinha logo atrás dela — e foi nesse momento que DeLuca apareceu e atirou contra ele. Mary, a mãe: recebeu um tiro bem no meio dos olhos, além de um corte profundo e extenso na garganta e várias outras lesões pelo corpo. Ela foi encontrada caída no chão, na entrada do banheiro, e havia vindo até a sala ao ouvir o disparo. Michael, o irmão: foi acordado antes de ser atacado — eles não quiseram que ele dormisse durante o ato. Levou um tiro na lateral da cabeça e sofreu mais de 80 ferimentos graves, alguns contam até mais de 100 perfurações e mutilações de diferentes tipos, marcados por extrema crueldade. Ele foi quem apresentou o maior número de ferimentos. Importante registrar: todas essas lesões foram feitas depois que as três vítimas já estavam mortas. 📍 Mesmo depois de receber todos esses detalhes dos investigadores, Patrícia manteve sua versão: continuou afirmando que tudo indicava uma ligação do pai com a máfia. A partir daí, a polícia passou a investigar se essa história tinha alguma base real — se realmente existia tal oficina clandestina e se Frank tinha envolvimento com atividades desse tipo. Mesmo após os investigadores repassarem todos esses detalhes, Patrícia permaneceu firme na mesma versão: insistia que tudo levava a crer que o pai tinha envolvimento com a máfia. Diante disso, a polícia passou a averiguar se essa história tinha algum fundamento: se existia de fato essa oficina clandestina e se Frank Columbo mantinha qualquer vínculo com esse tipo de atividade.
Com base também nos laudos da necropsia, os policiais repassaram a Patrícia mais detalhes sobre a dinâmica do crime. A perícia concluiu que os assassinatos aconteceram entre a noite do dia 4 de maio, por volta das 23h, e a madrugada do dia 5, por volta da 1h. Ou seja, não foi um ato rápido: houve um intervalo de tempo considerável durante o qual a violência ocorreu dentro da residência. Essa estimativa foi definida por meio de análises técnicas — como o grau de rigidez cadavérica e a verificação do conteúdo estomacal das vítimas, parâmetros que ajudam a determinar o horário aproximado da morte. Dessa forma, os investigadores estabeleceram que a família foi morta nesse período da noite para a madrugada. Há ainda um detalhe importante: os corpos só foram encontrados no dia 7 de maio de 1976. Ou seja, se passaram cerca de dois dias até que alguém percebesse que algo havia acontecido. Esse dado torna o cenário ainda mais grave, pois reforça que não se tratou de um ato impulsivo e repentino.
A polícia também periciou o carro de Frank — o mesmo que levou os agentes até a casa. No porta-malas, havia manchas que pareciam sangue, mas já estavam alteradas. O que mais chamou atenção foram marcas de mãos na lataria; uma delas apresentava uma característica única: não tinha o dedo indicador nem a parte superior do dedo médio.
Pela primeira vez, surgiu um indício físico que ligava uma pessoa de fora da família ao crime, mudando o rumo da investigação. Enquanto parte da equipe analisava o carro, outros policiais verificaram a versão de Patrícia — sobre a máfia e a oficina clandestina — quando um novo elemento inesperado apareceu. Enquanto parte da equipe analisava o carro, outros investigadores verificaram a versão de Patrícia — sobre a máfia e a oficina clandestina — quando surgiu um novo elemento inesperado.
O Telefone da Delegacia Toca Novamente
Dessa vez, comerciantes relatam um outro carro abandonado em um estacionamento, que também parecia suspeito. E, claro, a polícia vai até o local para verificar.
Um segundo carro foi encontrado — este pertencia a Mary, a mãe. Com isso, os dois veículos da família já haviam sido localizados, abandonados em locais diferentes. Diferente do primeiro, este não apresentava sinais de luta ou vestígios aparentes. Mas um depoimento foi fundamental: um morador informou que o carro não estava ali na manhã do dia 5, só aparecendo à tarde. Isso prova que foi deixado após o horário estimado do crime, indicando que houve deslocamento posterior e uma tentativa de despistar. Embora à primeira vista parecesse intacto, tudo mudou quando os peritos conseguiram acessar o interior para uma análise mais profunda. No interior do veículo, foram encontradas manchas escuras (possivelmente de sangue) no forro do teto — que também apresentava danos — além de um cobertor azul manchado no banco traseiro. Havia ainda outros vestígios de sangue, bitucas de cigarro e impressões digitais espalhadas. A perícia recolheu todo o material para análise.
Confirmou-se que as manchas eram de sangue, o que contrariava a versão inicial. Todo o material coletado foi enviado para análise.
No dia 10 de maio, durante o funeral da família, policiais à paisana observaram os presentes — especialmente por causa do comportamento estranho de Patrícia na delegacia. Sabiam que, muitas vezes, os envolvidos costumam aparecer nessas ocasiões, e ali não foi diferente.
Nesse ponto, os policiais já estavam mais atentos ao comportamento de Patrícia por causa do que haviam visto na delegacia. Embora não fosse prova de nada, já era o suficiente para levantar suspeitas. Por isso, decidiram agir de forma estratégica: escolheram um agente à paisana — jovem, bem-apresentado — e orientaram-no a se aproximar dela durante o funeral, observando cada reação. Ele fez exatamente isso, mas o que aconteceu ali chamou ainda mais atenção. Diante da despedida da própria família, Patrícia passou grande parte do tempo flertando com o policial disfarçado: conversava, sorria e agia com uma leveza que não combinava nada com o momento. O tio dela também notou aquele comportamento estranho: ela ria e conversava como se nada de grave tivesse acontecido. Do lado de fora, a postura continuava a mesma: conversava, ria, fumava e mantinha a aproximação com o agente, como se fosse uma situação comum. Mas, ao voltar para perto dos caixões, a mudança era imediata e perceptível. Ela passava a demonstrar uma dor intensa e exagerada: chorava alto, gritava, se jogava sobre os caixões e implorava pela volta dos familiares, num espetáculo de desespero extrema.
Essa situação deixou o tio desconfortável, o que o levou a procurar a polícia e compartilhar uma informação importante: no dia anterior ao funeral, Patrícia havia pedido a ele que os corpos dos pais e do irmão fossem cremados o quanto antes, alegando que assim poderia “encerrar” aquela fase. Ele se opôs de imediato, explicando que isso ia contra as crenças da família — especialmente dos pais, que eram católicos de origem italiana. Houve uma discussão e ele conseguiu impedir a cremação; Patrícia saiu visivelmente irritada, e a partir daí ele também passou a desconfiar dela. Essa alternância repentina entre dois comportamentos opostos — de total descontração a um sofrimento exagerado — não passou despercebida e causou estranhamento em muitas outras pessoas presentes. Além disso, os caixões permaneceram lacrados devido ao estado das vítimas.
Após o velório, realizado em 10 de maio de 1976, a investigação seguiu em andamento. Dois dias depois, no dia 12, Patrícia e DeLuca foram convocados à delegacia para prestar depoimento e ter suas impressões digitais coletadas — um procedimento padrão na época, já que o exame de DNA ainda não era amplamente utilizado.
Enquanto isso, a polícia já havia verificado a versão de Patrícia sobre o envolvimento do pai com a máfia e o desmanche de veículos — e não encontrou nenhum indício que confirmasse a história. Frank levava uma vida honesta, construída com muito esforço: era reconhecido por todos como um homem correto e trabalhador, que havia conquistado tudo de forma digna, inclusive a própria casa. Essa constatação gerou uma dúvida crucial: por que ela inventaria uma acusação tão grave contra o próprio pai? A partir daí, ela passou a ser observada com muito mais atenção. No dia em que Patrícia e DeLuca foram à delegacia para a coleta de impressões digitais, um detalhe chamou a atenção de imediato: quando DeLuca estendeu as mãos, perceberam que ele não tinha o dedo indicador e também faltava a parte superior do dedo médio. Era uma característica muito específica, que coincidia exatamente com as marcas de dedos encontradas no carro da família. Naquele instante, ambos passaram a ser considerados fortes suspeitos do crime.
Até então baseada em hipóteses, a investigação passou a apontar diretamente para os dois. A polícia já contava com um elemento fundamental: a característica da mão esquerda de DeLuca — sem o dedo indicador e com a ponta do dedo médio incompleta — coincidia exatamente com as marcas encontradas nos veículos. O detalhe acendeu um alerta máximo entre os investigadores, que tinham certeza de estar no caminho certo, mas ainda buscavam uma prova mais sólida: algo que ligasse eles definitivamente à cena do crime, sem deixar margem para dúvidas.
Novos Avanços na Investigação,
dia 14 de Maio
Lembra do Lenyn? Então, Lenyn foi chamado à delegacia para depor e, ao contrário do esperado, decidiu contar tudo desde o início. Relembrou o primeiro encontro no bar, quando Patrícia procurou-o para desabafar sobre os conflitos com a família e o relacionamento com DeLuca, e contou como, a partir daí, surgiu a ideia do plano. Mas tentou se eximir de culpa: afirmou que nunca teve a intenção de matar ninguém e que só usou a proposta como forma de se aproximar dela, ganhar sua confiança e obter favores sexuais em troca. Revelou também a participação de Roman — um homem casado e pai de três filhos — que também se envolveu nos encontros dentro daquele acordo distorcido.
A polícia então procurou Roman e o levou para depor, mas ele se recusou a falar: mesmo sob pressão, manteve-se em silêncio absoluto. A polícia então procurou Roman e o levou para depor, mas ele se recusou a falar: mesmo sob pressão, manteve-se em silêncio absoluto. A polícia chegou a detê-lo temporariamente na tentativa de obter alguma informação, mas sem sucesso. Sem confissão nem provas diretas naquele momento, foram obrigados a liberá-lo. Antes de soltá-lo, fizeram uma última tentativa: informaram que Lenyn já havia contado tudo e que seria importante que ele colaborasse, inclusive prestando depoimento no futuro julgamento. Roman foi direto: não confessaria nada nem prestaria depoimento. Sem fundamento legal para mantê-lo detido, foi liberado. Vale lembrar que, até aquele momento, embora envolvido nos fatos, ele não era apontado como o responsável direto pelos assassinatos. No dia seguinte, 15 de maio de 1976, a investigação avançou de forma decisiva: sete policiais foram até o apartamento de Patrícia e DeLuca em uma visita surpresa. A partir daí, o caso entrou em sua etapa mais crítica.
Dois dias depois, em 17 de maio de 1976, DeLuca foi liberado. Durante todo o período em que esteve detido, permaneceu em silêncio, sem confessar nem colaborar com as investigações.
Diferente de DeLuca, Patrícia decidiu falar. Ainda no dia 15 de maio, logo após ser presa, prestou uma confissão verbal e, na qual admitiu ter participado da trama. Ela afirmou que: – Planejou o crime em conjunto com outras pessoas;- Contribuiu diretamente para que o plano fosse executado;- Facilitou a entrada dos envolvidos na casa, chegando a deixar a porta dos fundos aberta; – Repassou informações detalhadas sobre a residência e a rotina da família. Com base nesses depoimentos, foi acusada de conspiração, participação criminosa e envolvimento direto no planejamento da morte dos próprios familiares. No entanto, ela mantém um ponto fundamental em sua defesa: afirma que não estava presente no momento em que os crimes foram cometidos. Ela admite apenas o planejamento, mas nega ter participado diretamente da execução. A partir de então, ambos passam a responder formalmente pelos assassinatos de Frank, Mary e Michael.
Então veio um dos momentos decisivos: no dia 26, Roman decidiu falar — após receber imunidade total em troca de um depoimento completo sobre aquela noite, que seria usado contra Patrícia e DeLuca. Com base nessas informações, em 17 de julho de 1976, DeLuca foi preso novamente Dessa vez, DeLuca permaneceu detido para aguardar julgamento.
Ficou cerca de seis meses dividindo cela com outro detento chamado Clifford — tempo suficiente para criar uma relação de confiança e começar a falar abertamente sobre o ocorrido. Contou que, naquela noite, combinaram um encontro com a família sob o pretexto de uma reconciliação, sabendo que o pai nunca aceitaria sua presença. Em detalhes, admitiu ter participado diretamente das mortes e revelou que foi ele quem efetuou os disparos contra as vítimas. Ele contou que, depois do crime, ele e Patrícia tentaram criar álibis: foram vistos juntos em um shopping, pediram algo emprestado a um vizinho e ele ainda ligou para o próprio trabalho, falando com uma funcionária, tudo para provar que estavam em outro lugar. Revelou também que chegaram à casa por volta das 22h, mais tarde do que o combinado inicialmente.
DeLuca contou que ficou escondido perto da entrada enquanto Patrícia tocava a campainha. Assim que a porta foi aberta, ele surgiu e atirou contra o pai dela. Essa confissão feita na prisão tornou-se uma das provas mais fortes, pois contrariava completamente o silêncio e as negativas que ele mantinha perante a polícia. Além disso, passou a ficar claro que a versão de Patrícia — de que só havia participado do planejamento — não se sustentava mais. Evidências e novos relatos indicavam que ela também estava presente na casa durante os assassinatos.
Conforme a reconstrução feita pela polícia e o relato de DeLuca, Patrícia permaneceu dentro da casa durante toda a ação. Ao entrarem na sala, ele apareceu logo atrás dela e atirou contra o pai — e, nesse momento, ela não demonstrou nenhuma reação, o que foi interpretado como um indício de que seu envolvimento foi mais ativo do que apenas estar presente. A violência seguiu de forma rápida: após matar Frank, DeLuca atirou contra Mary, que veio ver o que acontecia. Depois, os dois subiram e ele disparou contra Michael — acordado pela própria irmã. Além dos tiros, a perícia confirmou que as vítimas sofreram diversas outras lesões causadas por objetos da casa: facas, uma tesoura, um artefato de metal e outros itens usados para agredi-las. Antes de sair, eles pegaram cerca de 150 dólares em dinheiro, alguns itens de joias de baixo valor. O objetivo, segundo a reconstrução investigativa, era reforçar a narrativa de um crime comum: um roubo que saiu do controle e terminou em violência A estratégia incluía danificar o veículo de forma superficial, deixando janelas quebradas e a ignição comprometida, na tentativa de induzir a polícia a acreditar que terceiros poderiam ter vandalizado ou tentado desmontar o carro. No entanto, essa tentativa de encenação não teve o efeito esperado. Esses detalhes mostram que a brutalidade foi muito maior do que os disparos — embora estes tenham sido a causa das mortes. Mas um ponto fundamental nunca foi totalmente respondido: até hoje, não há certeza sobre quem praticou cada um dos atos de violência excessiva. Patrícia e DeLuca nunca falaram sobre as mutilações e as centenas de ferimentos, mantendo silêncio sobre esses detalhes e deixando lacunas na investigação. O que ficou comprovado com mais segurança é: Patrícia esteve presente no local; Teve participação ativa no planejamento e execução do crime; Os disparos foram atribuídos a DeLuca em seu depoimento posterior. A dinâmica completa de tudo o que aconteceu dentro da casa nunca foi totalmente esclarecida.
Mesmo assim, uma lacuna importante permaneceu sem explicação: nunca ficou claro por que o plano inicial — no qual Lenny e Roman cometeriam os crimes — foi abandonado e substituído pela ação direta de Patrícia e DeLuca. Nenhum dos envolvidos deu uma razão definitiva para essa mudança repentina. Mas essa tentativa de simular um álibi não deu o resultado esperado. A investigação ganhou força quando Clifford, o colega de cela de DeLuca, resolveu procurar a polícia e relatar tudo o que ouvira. Ele contou não apenas sobre a confissão do crime, mas também sobre outros planos que DeLuca comentou na prisão — entre eles, uma ideia de intimidar ou até eliminar testemunhas que poderiam depor contra ele, com a oferta de dinheiro e ajuda para conseguir sua liberdade em troca de colaboração. O plano chegou a ser detalhado, mas não foi executado porque Clifford decidiu contar tudo às autoridades. Nesse momento, Marilyn DeLuca, esposa dele na época, também voltou a ser alvo de atenção na investigação. Ela chegou a entrar em contato com a prisão e, em certo momento, aceitou atender aos pedidos do marido. Entre 1976 e 1977, Marilyn fez pagamentos e entregou bens — incluindo o carro de DeLuca — como parte do combinado acertado na cela. Ao final, os investigadores concluíram um ponto Fundamental. Lenin e Roman nunca tiveram a intenção de cometer o crime; seu envolvimento se limitava a interesses e manipulação com Patrícia. Já Clifford também não queria participar de assassinatos: seu único objetivo era conseguir liberdade e dinheiro, o que acabou acontecendo.
Julgamento
Pouco mais de um ano após os crimes, DeLuca e Patrícia foram a julgamento. A acusação contou com provas sólidas: vestígios nos veículos, a reconstrução dos fatos, depoimentos importantes e a própria confissão parcial dela. Diante disso, o júri considerou os dois culpados por todas as acusações.
As Sentenças
O juiz aplicou uma sentença rigorosa, proporcional à gravidade dos fatos: cada um recebeu penas somadas que variaram entre 200 e 300 anos de prisão. Patrícia foi também condenada por planejamento e solicitação do crime, enquanto DeLuca recebeu penas extras por ter executado diretamente os homicídios. Na prática, ambos foram condenados à prisão perpétua, sem possibilidade real de liberdade. Após a decisão, apresentaram vários recursos — pedindo novo julgamento, revisão ou redução da pena — mas todos foram negados. A corte entendeu que a brutalidade do caso impedia qualquer flexibilização.
Anos depois, surgiu a possibilidade de pedir liberdade condicional após cerca de 12 anos de prisão, mas a comissão responsável negou o pedido, alegando que: Os crimes tem uma gravidade inquestionável, a liberdade antecipada aos réus, seria incompatível com a justiça e ainda poderia abalar a confiança da população no sistema penal.
Destino de DeLuca
Não há registros que indiquem se DeLuca estudou ou trabalhou durante os anos em que esteve detido. Diferente de Patrícia, ele também nunca concedeu entrevistas. Em janeiro de 2023, ele morreu na prisão com cerca de 90 anos. A causa da morte foi registrada como “causas naturais”, decorrente do estado de saúde já bastante debilitado pela idade e por tantos anos de reclusão.
Destino de Patrícia
Patrícia permanece presa, tendo passado por diferentes fases no sistema penitenciário: foi transferida para várias instituições femininas ao longo dos anos, respondeu a processos disciplinares por mau comportamento e chegou a se envolver em uma rede de prostituição dentro da prisão. Em 1979, ela voltou às manchetes ao ser apontada como responsável por organizar encontros sexuais coletivos envolvendo detentas, guardas e diretores — o que as autoridades classificaram como uma rede de prostituição. O caso levou à demissão do diretor e de outros funcionários importantes da unidade. Por outro lado, ela também construiu uma trajetória acadêmica expressiva: concluiu cursos de secretariado, informática e artes, além de obter um diploma universitário — bacharelado, no estado de Illinois, conforme os registros do caso. Aos 54 anos, teve sua liberdade condicional negada. 26 de maio de 2011/Chicago. Com o tempo, ela também passou a atuar em atividades dentro da prisão: trabalhou como tutora de leitura, professora de matemática e voluntária em projetos educacionais, inclusive atendendo detentas com HIV/AIDS.
Com o passar dos anos, sua aparência mudou naturalmente com a idade, e ela continuou ativa dentro da prisão: seguiu participando de estudos, trabalhos e ações voluntárias, mantendo uma rotina organizada. Mesmo assim, seu último pedido de liberdade condicional foi negado por unanimidade. A decisão reforçou o entendimento que já vinha sendo mantido há décadas: a gravidade dos crimes e o histórico do caso não justificam qualquer flexibilização da pena. Atualmente, Patrícia tem 69 anos.
Afinal, por quê?
Um crime marcado por extrema violência, raiva e ódio. Foram centenas de facadas, perfurações com ferramentas , tiros na cabeça, espancamento com objetos duros pesados tipo panelas de ferro, tesouras. Só Michael recebeu além do tiro e demais mutilações, foram mais de 87 facadas! Três vidas brutalmente assassinadas. Qual o motivo? No fim, nenhum dos principais envolvidos chegou a recuperar a liberdade: DeLuca teve uma condenação definitiva e morreu na prisão; Patrícia permanece detida após décadas. Notícias mais recentes Em março de 2026, depois de quase 50 anos encarcerada e de mais de uma dezena de pedidos negados ao longo do tempo, ela teve mais uma tentativa de liberdade condicional rejeitada por unanimidade. O conselho responsável manteve o entendimento de que a gravidade dos crimes e a forma como foram praticados impedem qualquer benefício antecipado. Então temos aqui um caso contado quase 90% por Patricia! E eu já li e reli e não achei o motivo pra tudo isso. Eu já sofri violência íntima várias vezes então pensei que fosse por isso. Mas porque Michael foi tão absurdamente mutilado? Uma criança. Talvez seja porque ela culpava a família pelos abusos pelo tio e pai? Pode ser. Ela nunca respondeu a isso. Nunca! Mas diz que se arrependeu. Acredito? Não.
🔖 Todo o caso, a história toda, os fatos, vieram de testemunhos de familiares, vizinhos, amigos, e toda a parte que envolve a Patrícia, foi contada por ela mesmo, em diversas diversas entrevistas que ela deu. Então basicamente todo o relato foi ela quem contou.
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