
Adriano e Jéssica. Foto: Facebook / Reprodução.
“Pressentimento ou premonição: tudo já fazia parte de um triste destino que se cumpriu.” A&M
Adriano & Jéssica
Adriano Veber Stefanel nasceu em uma família amorosa do Rio Grande do Sul e era natural de Silveira Martins, cidade pequena próxima a Santa Maria. Ele tinha 20 anos aqui e logo completaria 21 anos, muito em breve. Ele se formou em técnico em Agropecuária. E na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) há registros de Adriano Veber Stefanel como aluno do Colégio Politécnico da UFSM, no curso Técnico Agrícola – Habilitação em Agropecuária, modalidade pós-médio.
Depois da formação, Adriano foi para Toledo, no Paraná, onde trabalhava no setor de insumos agrícolas havia aproximadamente dois anos. Adriano sentia muita falta da família. Sentia saudades e não gostava de estar longe. Relatos de familiares falam justamente dessa saudade pela distância de casa. Adriano, entre se formar e o período em que passou trabalhando em Toledo, iniciou um namoro. Esse namoro aconteceu com uma moça linda, linda, estudiosa, encantadora, que se chama Jéssica. E era um namoro tranquilo, uma coisa muito gostosa. Eles eram muito carinhosos um com o outro, e as famílias estavam felizes com essa relação.
As pessoas que conviviam próximo a eles diziam isso: que era um casal fofo. Os dois estavam com 20, 21 anos, então eles estudavam, trabalhavam e planejavam a vida. Eles tinham muita coisa em comum: futuro, planos, muita coisa. Eles dividiam tudo isso. Então, agora Adriano é um rapaz apaixonado. É um rapaz que foi para o Paraná para trabalhar, mas estava se sentindo muito sozinho lá por dois motivos. Primeiro, a saudade da família dele. E agora tinha um motivo extra: saudade da namorada. Ele queria ficar mais perto da família, da namorada, dos amigos, da sua terra. Então, Adriano resolve voltar para a terra dele. Decide que é hora de voltar para perto da família, para perto da namorada. Ele queria ser feliz pertinho de quem ele amava. Agora, nessa parte, a gente vai dar uma pausa na história do Adriano, porque agora nós vamos conhecer essa princesa: a Jéssica.
Jéssica de Lima Röhl, de 20/21 anos, é natural de Santa Maria. Jéssica cursava Tecnologia em Agronegócio ou Administração (as fontes divergem, inclusive sobre sua idade) na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no campus do município de Silveira Martins, onde morava. Pelo pouco que encontrei sobre ela, percebi que era uma menina enérgica, de bem com a vida, focada nos estudos e estava apaixonada por Adriano. O namoro dos dois é conhecido pelas famílias desde o início de janeiro. Então foram algumas semanas de um namoro, parece pouco, né? Mas será que precisamos estar muito tempo com alguém para saber que aquele é nosso amor? Que é o que desejávamos? E nas poucas fotos disponíveis, dá para ver o sorriso dela, contagiante e leve.
Além da faculdade, da rotina em casa, do namoro, Jéssica estava trabalhando na organização de um grande evento que reuniria uma quantidade considerável de alunos ali de Santa Maria, universitários. Jéssica estava nessa organização desde o início, então ela fazia tudo, vendia ingressos, tinha contato direto com os organizadores do evento em seus detalhes, enfim, ela fazia parte daquele evento completamente. Na noite do evento, 26 de janeiro de 2013, num sábado, ela se arrumou, vestiu sua camisa customizada da festa, se maquiou e conversou com o namorado. Contou que já estava saindo de casa e que iria à festa e se comunicaria com ele na volta. Só que não se sabe por quê, Adriano, sem explicações, pediu que a namorada não fosse. Ela até conversou com ele sobre o fato de ter participado da organização, né? Mas ele pediu para ela ficar em casa. Ela não entendeu, mas aceitou o pedido dele e foi conversar com sua mãe. A mãe de Jéssica disse que, na noite da festa, o namorado, que estava no Paraná pediu para que ela não fosse a boate.
— O Adriano disse que ele não estava com bom pressentimento sobre aquela festa e ela ficou em dúvida. Falei “a mãe não pode dizer vai ou não vai, a decisão é tua”.
Jéssica trocou de roupa, tirou a maquiagem e passou aquele sábado em casa. E estava tudo bem entre eles. Ambos foram dormir. Jéssica estava em Santa Maria, em casa, e Adriano em Toledo, onde trabalhava. Nada parecia fora do lugar naquela noite.
A festa que Adriano pediu para Jéssica não ir
Madrugada de 27 de janeiro de 2013. Domingo, aproximadamente às 2h30
Em Santa Maria, naquela madrugada, enquanto Jéssica dormia aconteceu o que viria a se tornar uma das maiores tragédias do Brasil. Era por volta das 2h30 da madrugada de 27 de janeiro de 2013. Dentro da Boate Kiss, uma festa universitária reunia centenas de jovens. No palco, a banda Gurizada Fandangueira se apresentava quando um artefato pirotécnico foi aceso e suas faíscas atingiram o revestimento de espuma que cobria parte do teto.
O fogo se espalhou rapidamente. Em poucos instantes, a fumaça tomou o ambiente. A espuma, ao queimar, liberou gases extremamente tóxicos, entre eles cianeto e monóxido de carbono. A fumaça escura e densa dificultava a visão e a respiração. A boate estava lotada. As condições de segurança eram inadequadas: havia dificuldades para a evacuação, falta de sinalização adequada das saídas e equipamentos de combate ao incêndio que não foram suficientes para conter a situação. O que começou no teto, em questão de minutos, transformou a casa noturna em uma armadilha. Centenas de pessoas tentaram encontrar a saída em meio à fumaça e à escuridão. Muitos não conseguiram.
Naquela madrugada, 242 jovens morreram e outras 636 ficaram feridas. A maioria das vítimas era jovem. Não foi “apenas” um incêndio. Foi uma sucessão de erros, descuidos e irresponsabilidades que jamais deveriam ter acontecido. E, até hoje, sem justiça.
Meu anjo da guarda
Quando aquele domingo amanheceu, dia 27 de janeiro de 2013, Jéssica foi acordada com vários telefonemas de familiares conversando com ela, com o namorado ligando para ela. Várias e várias notícias já se espalhavam por todo o país sobre a grande tragédia que havia acontecido na boate Kiss. Jéssica ficou em choque! Aquela notícia parecia irreal demais. O Brasil parou, estávamos atônitos!
Jessica não foi á festa e, segundo sua mãe, ficou desesperada quando soube da tragédia.
— Ela entrou em pânico. e repetia: “não acredito no que estou vendo”. Levantou, foi para o computador e achou que não era verdade. “Mãe, era para ter mais de cem mortos, era para eu estar lá”.
O primeiro pensamento de Jéssica, claro, foi o pensamento que todos nós tivemos: de devastação, de uma dor avassaladora, saber que tantos jovens morreram de forma tão trágica e tanta gente que sobreviveu, mas que lutaria, que teria talvez uma luta eterna, uma luta que se estenderia por anos e décadas, porque a fumaça tóxica inalada causa grandes danos ao organismo, principalmente aos pulmões. Então esse foi o primeiro pensamento.
O segundo pensamento foi: meu Deus, o Adriano é o meu anjo da guarda. Ele salvou a minha vida.
E foi exatamente isso que ela disse para o tio dela. De acordo com Marco Antônio Guilhermano de Lima, 37 anos, tio de Jéssica, ela já estava vestida com a camiseta customizada para a festa, mas resolveu atender ao apelo do namorado. No dia seguinte, acordou apavorada com a tragédia.
— Nunca vou esquecer que ela me disse: “Tu viu a tragédia, tio? Meu Deus, o Adriano me salvou, ele é o meu anjo” — lembra.
E foi assim que ela também falou do Adriano para o pai dele. O pai dele relata isso mais tarde. E ela falou para o próprio Adriano, por telefone, que ele era o anjo da guarda dela. Por pedir a ela que não fosse àquela festa, ele salvou a vida dela. De acordo com o pai de Adriano, senhor Nilton José Stefanel, 48 anos, na noite da tragédia, o filho, que morava em Toledo, havia aconselhado a namorada a não ir à boate.
“Provavelmente ele sentiu alguma coisa e pediu para ela não ir, e a Jéssica acabou não indo. Assim que amanheceu o domingo, ele ligou para casa chorando desesperado, já sabendo da tragédia, perguntando se a minha filha de 16 anos tinha ido, mas ela também não foi”, contou o agricultor, sr. Nilton.
“A Jéssica ficou muito feliz e muito agradecida por ter ouvido o conselho dele. A partir desse momento, ela o considerava um anjo e ele se sentia um herói por ter salvado alguém”, contou.
“A família dela ficou muito feliz por ela não ter ido naquela noite da tragédia”, disse Sr. Nilton.
Foi um momento de grande emoção também para a família, duplamente, porque a irmã mais nova do Adriano, que tinha 16 anos na época, também não havia ido à festa. Então esses pais ficaram duplamente felizes e tranquilos em relação aos filhos deles. Eles estavam em casa, eles não haviam ido à festa. E aqui então foi um novo respirar para Jéssica, para o Adriano. Foi como se ela tivesse nascido de novo.
No domingo da tragédia, Adriano usou a sua página no Facebook para postar uma mensagem de solidariedade às vítimas.
“Diante ao fato ocorrido em Santa Maria, muitos conhecidos perderam suas vidas. Aos que ficaram, agradeçam a Deus e rezem pelas pessoas que se foram e pelos familiares das mesmas para terem forças para superar esta grande perda”, escreveu.
Ainda tentando respirar depois de tudo o que tinha acontecido, Jéssica tomou uma decisão: iria até o Paraná encontrar Adriano. Ela queria estar perto dele.
Adriano também já não aguentava mais a distância. Santa-mariense de coração, sentia falta da família, das pessoas que amava e daquela vida que tinha deixado para trás. Depois de cerca de dois anos trabalhando em Toledo, ele havia pedido demissão. Queria voltar para o Rio Grande do Sul. E agora os dois estavam prestes a fazer isso juntos.
Na quinta-feira, dia 31 de janeiro, Jéssica viajou para Toledo para buscar o namorado. No dia seguinte, sexta-feira, foi a vez de seu Nilton José Stefanel pegar a estrada. O pai de Adriano também foi até o Paraná para ajudar na mudança.
No sábado, a mudança começou de verdade. Seu Nilton foi até o local onde Adriano morava, dentro da empresa onde trabalhava. Era dia de juntar a vida que ele tinha construído ali, colocar tudo dentro da caminhonete e deixar para trás aquele lugar. Foi um dia puxado. Daqueles de carregar caixa, ajeitar coisa, conferir outra vez, voltar e olhar se não ficou nada para trás. Jéssica ajudou em tudo.
Os dois estavam ali juntos, colocando as coisas no lugar, enquanto seu Nilton cuidava de carregar tudo para a caminhonete. Aos poucos, o apartamento foi ficando vazio. E, do outro lado, o veículo ia ficando cheio de tudo aquilo que Adriano levaria de volta para casa. Quando a tarde terminou, estava tudo pronto.
A caminhonete já estava carregada e seu Nilton combinou com os dois que seguiria na frente. Ele se despediu e avisou que os encontraria depois, em Santa Maria. Depois de um dia inteiro de mudança, os dois ainda precisavam resolver algumas pequenas coisas antes de pegar a estrada. Adriano queria comprar gelo para conservar alguns alimentos que levariam na viagem e os dois também sairiam para fazer um lanche. Depois de um dia inteiro de mudança, os dois ainda precisavam resolver algumas pequenas coisas antes de pegar a estrada. Adriano queria comprar gelo para conservar alguns alimentos que levariam na viagem e os dois também sairiam para fazer um lanche.
Era só isso. Uma saída rápida. Uma última coisa antes de fechar as portas, entrar no Gol e começar a viagem de volta para casa. Seu Nilton não sabia, mas seria a última vez que veria o casal feliz e animado. Adriano finalmente voltaria para perto da família. Era isso que todos queriam. Seu Nilton e Jéssica tinham ido até Toledo justamente para ajudar a trazer Adriano de volta para casa.
Poucos metros até a tragédia
Naquela noite, a notícia que chegou à família de Jéssica era difícil de acreditar. Poucos dias depois de escapar do incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria, a jovem de 21 anos estava em Toledo, no Paraná, ajudando o namorado, Adriano Veber Stefanel, na mudança. Adriano completaria 21 anos no dia seguinte e estava se preparando para deixar Toledo e voltar para perto da família. A vida parecia, finalmente, estar entrando nos eixos outra vez.
Naquela noite, os dois saíram de casa para comprar algumas coisas que precisavam para a mudança, entre elas alimentos e gelo. Era uma saída rápida e eles pretendiam voltar logo. As reportagens publicadas na época registram que o casal havia percorrido apenas poucos metros quando aconteceu o acidente. Por volta das 21h10, na PR-182, o Volkswagen Gol cinza conduzido por Adriano colidiu frontalmente com uma carreta Iveco, com placas de Cascavel.
O choque foi de uma violência enorme e o Gol ficou completamente destruído. As ferragens se deformaram com o impacto e os dois ficaram presos dentro do veículo. Jéssica morreu ainda no local. Adriano também ficou preso às ferragens; os bombeiros precisaram trabalhar para retirá-lo do carro e conseguiram levá-lo com vida ao Hospital Bom Jesus, em Toledo. Mas os ferimentos eram graves demais e ele não resistiu, morrendo poucas horas antes de completar 21 anos.
O motorista da carreta, Neucir do Nascimento, de 34 anos, não sofreu ferimentos.
A dimensão da tragédia fica ainda mais difícil de compreender quando se olha para a distância que os separava de casa. Eles não estavam fazendo uma viagem longa, não estavam chegando de outra cidade e nem em uma estrada depois de horas de viagem. Tinham acabado de sair e percorrido apenas poucos metros. Foi nesse pequeno intervalo, praticamente na saída de casa, que a vida dos dois terminou.
Para Jéssica, aquilo significava morrer poucos dias depois de ter escapado de uma das maiores tragédias da história recente do país. Ela havia desistido de ir à Boate Kiss na última hora e, por essa decisão, continuou viva enquanto centenas de outros jovens não voltaram para casa. Agora, em Toledo, ela estava novamente dentro de um carro — e dessa vez não conseguiu sair.
Sobre as causas da colisão, as primeiras notícias informavam que a Polícia Rodoviária Estadual investigava o acidente. Até o momento, não encontramos documentação confiável que permita afirmar que Adriano ou o motorista da carreta tenha sido responsabilizado pela colisão. Também não encontramos confirmação segura de que houvesse embriaguez, excesso de velocidade, pista molhada ou qualquer outra circunstância específica que tenha provocado o choque.
O que sabemos é o que ficou depois daquela batida: um carro completamente destruído, duas famílias recebendo a notícia da morte de dois jovens e uma história de amor que, poucos dias antes, parecia ter recebido uma segunda chance. E agora, para as famílias, começava uma outra parte daquela tragédia: buscar os corpos, levá-los de volta para o Rio Grande do Sul e se despedir deles.
A Despedida
No domingo, 3 de fevereiro, os corpos de Jéssica de Lima Röhl e Adriano Veber Stefanel deixaram Toledo, no Paraná, para voltar ao Rio Grande do Sul. Dessa vez, não havia uma viagem de volta para casa esperando por eles.
Os corpos foram transportados até Silveira Martins, cidade natal de Adriano. Era ali que as duas famílias se preparavam para receber os filhos pela última vez. Parentes vieram da Itália para se despedir. Amigos, conhecidos e moradores da cidade também foram chegando, tentando encontrar algum sentido para uma história que, em tão pouco tempo, havia tomado um rumo que ninguém poderia imaginar.
Jéssica tinha 21 anos. Adriano tinha 20. No dia seguinte ao acidente, ele completaria 21.
O corpo de Jéssica foi reconhecido pelo agricultor Itamar Pellizzaro, de 37 anos, amigo dos familiares, por meio de uma procuração da família. O corpo de Adriano foi reconhecido pelo próprio pai, Nilton José Stefanel, que havia ido ao Paraná para buscar o filho e ajudá-lo na mudança de volta para o Rio Grande do Sul.
Era para ser o começo de uma nova etapa.
Naquela noite, porém, Adriano e Jéssica saíram para comprar gelo e fazer um lanche. Poucos minutos depois, por volta das 21h10, o Gol em que estavam colidiu de frente com uma carreta na PR-182, em Toledo.
Jéssica morreu no local. Adriano ficou preso às ferragens, foi socorrido e levado ao Hospital Bom Jesus, mas também não resistiu.
E então veio a hora que nenhuma família deveria precisar enfrentar: a hora de trazer os dois de volta para casa. O velório aconteceu no Salão Paroquial da Igreja Matriz de Silveira Martins. Na manhã de segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013, o casal foi sepultado no cemitério municipal. Centenas de pessoas estiveram presentes.
Entre elas, familiares que vieram de longe, amigos, pessoas que haviam convivido com Adriano e Jéssica e moradores de uma cidade que conhecia Adriano desde menino.
A família levou para a despedida um banner com uma fotografia dos dois. Era uma imagem de Adriano e Jéssica juntos.
Um casal jovem, ainda com toda uma vida pela frente. E talvez fosse justamente isso que aquela fotografia representasse para quem estava ali: não apenas a morte dos dois, mas tudo aquilo que havia ficado pelo caminho.
Os planos. A mudança de Adriano. A vida que eles pretendiam começar juntos. Os dias que ainda deveriam vir.
A irmã de Adriano, Lisiane Stefanel, tinha 16 anos. Naquele momento, ela falou sobre o irmão e também sobre Jéssica. Disse que nunca costumava gostar das namoradas dele, mas que com Jéssica havia sido diferente. Tinha simpatizado com ela desde o primeiro momento. E falou de Adriano como alguém que era muito querido. Uma pessoa alegre. Alguém de quem, segundo ela, ninguém parecia não gostar.
Talvez seja difícil para quem olha de fora compreender o tamanho daquela despedida.
Porque, para aquelas famílias, não estavam enterrando apenas duas pessoas que haviam morrido em um acidente. Estavam se despedindo de dois filhos. De dois jovens. De uma história de amor que ainda estava sendo vivida. E de tudo aquilo que deveria ter acontecido depois.
Para a família de Jéssica, havia ainda uma dor que tornava tudo particularmente difícil de compreender. Poucos dias antes, ela havia se preparado para ir à festa na Boate Kiss. Chegou a vestir a camiseta que havia customizado para aquela noite. Mas ouviu Adriano. Ficou em casa. Na manhã seguinte, ao saber do incêndio, disse ao tio que ele havia sido seu anjo da guarda.
Depois disso, Jéssica foi ao Paraná encontrar Adriano. E, naquela noite de 2 de fevereiro, os dois morreram juntos. Sete dias haviam se passado desde a noite em que Jéssica não foi à Boate Kiss.
Ela havia escapado daquela noite. Adriano havia sido, para ela, o homem que a convenceu a ficar o namorado que a salvou..
Agora, os dois voltavam juntos para Silveira Martins. Juntos, pela última vez.
Não sei se há uma explicação para uma sequência de acontecimentos que nenhuma palavra consegue tornar menos dolorosa. Ficam apenas os devastadores acontecimentos. Uma jovem que não foi. Um rapaz que pediu que ela não fosse. Uma viagem ao Paraná. Uma mudança que deveria levar Adriano de volta para casa.
Uma estrada.
E uma despedida que nenhuma das duas famílias estava preparada para viver.
Na manhã de 4 de fevereiro de 2013, Jéssica e Adriano foram sepultados em Silveira Martins. E foi ali, entre familiares, amigos e tantas pessoas que foram prestar a última homenagem, que duas vidas tão jovens encontraram seu último descanso.
A fotografia dos dois ficou entre aqueles que vieram se despedir. E, naquela manhã, ninguém podia devolver a vida que havia sido perdida.
Só restava abraçar. Chorar. Rezar. E dizer adeus. 🕯️
“Cada um de nós pensa no que tudo isso pode significar. Não sei se é destino. A gente não sabe. Na verdade, nenhum de nós sabe.”— A&M
Fontes consultadas
Jornal Gaúcho|Diário de Santa Maria|Zero Hora (GZH)|Correio do Povo|G1|Folha de S.Paulo|O Estado de S. Paulo (Estadão)|UOL|Terra|Agência Brasil|Site da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria).
Muito obrigada a todos que acompanharam a história da Jéssica e do Adriano. Nós vemos na próxima! 🖤
Opinião
Ao fazer esse caso, é muito difícil não pensar em destino, em premonição, né?Quando o Adriano pediu pra Jéssica não ir naquela festa, ele teve um pressentimento ruim. Pediu que ela não fosse. Não era ciúme, não era uma briga, não era nada disso. Ele simplesmente teve um pressentimento ruim.Aquela festa não era uma novidade pra ele. Ele sabia que, há dias, ela estava ajudando e que era uma das promotoras daquela festa. Sabia que ela ia. Eles não estavam brigando por causa disso. Mas, naquele momento, quando ela estava arrumada, pronta pra sair, o pai dele conta que ele teve esse sentimento e pediu que ela não fosse.E ali, naquele dia, ele salvou a vida dela.Eles estavam tão aliviados, tão felizes, porque agora só tinham motivos pra comemorar. Naquela semana, o Adriano tinha tomado decisões importantes. Ele pediu demissão da empresa porque queria voltar pra casa. Estava com muita saudade de casa.O senhor Nilton, pai do Adriano, contou em uma entrevista ao Jornal Gaúcho que o filho ligava pra casa chorando muitas vezes, dizendo que se sentia muito sozinho, muito triste. Desde os 18 anos, ou seja, havia dois anos, que Adriano estava longe de casa. Saiu do Rio Grande do Sul para o Paraná pra trabalhar.Então, aquela mudança era um recomeço. Um recomeço pro Adriano e pra Jéssica, porque ela havia nascido de novo.E tudo isso é muito lamentável, muito triste.Não sabemos se foi destino, se foi premonição, se foi apenas uma fatalidade, uma tragédia, uma coincidência. A gente não sabe. Na verdade, nenhum de nós sabe.Nós podemos ter nossas crenças e nossos pensamentos sobre tudo isso, mas afirmar mesmo, ninguém pode.Eu li em algumas reportagens, em uma ou duas, que o senhor Nilton e familiares da Jéssica estariam encontrando apoio na religião espírita. Não posso confirmar essa informação.Mas, independente de qual seja a religião, se os familiares estão encontrando respostas, eu espero que todos encontrem paz e alívio pra essa dor que, imensuravelmente, eu acredito que é a maior que existe: a dor de perder um filho.Aqui fica todo o meu respeito, todo o meu carinho pelo casal e pelas famílias.E peço, gentilmente, que, se algum familiar estiver lendo esse texto e encontrar algum fato ou alguma informação incorreta, por favor, entre em contato comigo. O meu contato está disponível na página. Eu terei total disponibilidade em reconstruir a história e retirar a informação incorreta.Obrigada a todos. 🤍